Carta de uma fã decepcionada

É perfeitamente possível ganhar dinheiro como um investidor profissional sem o ser.

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Carta de uma fã decepcionada

“Obrigado, Luciana, por suas agradáveis palavras – lamento dizer que não estou disponível para um encontro – David”

Essa foi a resposta que recebi a um meticuloso e-mail que escrevi ao meu ídolo, minha grande referência profissional, David Swensen. Lá eu revelava minha admiração pelo trabalho dele, a paixão pelos livros que ele escreveu e pedia para conhecer de perto a fantástica máquina de alocação de fundos que ele construiu na Universidade Yale.

A Ana Westphalen, que trabalha comigo, é fã do Marcos, o lendário goleiro do Palmeiras. Já teve a oportunidade de revelar isso para ele e o retorno foi incrível – um dia ela conta aqui. Mas eu inventei de ser fã do Swensen.

Se você por acaso cruzar com ele por aí, manifeste, por favor, minha admiração pela forma como diversifica magistralmente o portfólio entre ativos (recentemente, inclusive em criptomoedas!) e como ele escolhe gestores de alto nível para os 29,4 bilhões de dólares que sustentam boa parte das contas da universidade.

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Nosso editor André Franco encontrou, em Nova York, uma única criptomoeda com potencial para multiplicar seu dinheiro em 93 vezes . E, se você está preocupado com a queda do mercado de cripto, saiba que essa valorização astronômica tem TUDO A VER com a recente queda do Bitcoin. Acesse aqui e entenda tudo sobre essa oportunidade de multiplicação, que estamos chamando aqui na Empiricus de A CHANCE DO SÉCULO.

O Swensen é, na verdade, um mestre na arte de delegar, quase um headhunter.

Em vez de tentar decidir se compra dólar ou real, se vende as ações de Facebook ou Amazon, se deve se posicionar para ganhar com juros mais altos ou mais baixos, ele monta a melhor equipe para tal. Ele escolhe os melhores fundos de investimento do mercado, geridos pelas melhores equipes, e delega para eles as decisões do dia a dia.

Por que Swensen, tão preparado e profundo conhecedor de investimentos, não coloca ele mesmo a mão na massa e investe diretamente nos ativos? Por que ele topa pagar taxa de administração de fundos em vez de fazer sozinho? Porque ele acredita em delegar – e eu também.

Daí vem a mágica: é perfeitamente possível ganhar dinheiro como um investidor profissional sem o ser. É só saber montar uma equipe de alto nível embaixo de você.

Agora serei ousada. Como uma fã que tem cérebro, tenho minha crítica a Swensen. Ele tem duas teorias de como montar um portfólio, expressas em seus dois livros mais famosos. O primeiro publicado (“Pioneering Portfolio Management: An Unconventional Approach to Institutional Investment”) é, para mim, o grande acerto dele. E o segundo (“Unconventional Success: A Fundamental Approach to Personal Investment”), um grande erro.

No primeiro, voltado para investidores institucionais, o especialista de Yale apresenta sua forma de montar um portfólio de bons gestores, bastante preocupado com a diversificação e com um viés para ações – de onde realmente vêm os retornos excepcionais. Ali, ele opta por uma boa seleção de gestores ativos de fundos (aqueles que não replicam índices, mas avaliam os ativos a fundo e escolhem o que colocar no portfólio).

No segundo livro, dedicado a investidores individuais, Swensen se perde, na humilde opinião desta fã. A premissa é correta, seja em que parte do mundo você estiver: o retorno médio dos fundos é ruim (como qualquer média), então é preciso ser bem informado para escolher corretamente.

A conclusão do especialista, entretanto, eu não engulo: sendo assim, a pessoa física deveria ficar nos fundos que seguem índices, mais baratos. O retorno será inferior ao do investidor institucional ou de alto patrimônio, mas pelo menos ele pagará barato por isso.

A conclusão de Swensen no segundo livro soa para mim como: em vez de tentar mostrar para as pessoas normais que existe o Lindt, vamos sugerir a elas que comam Garoto. É pior, porém mais barato. E, se inventarmos moda de tentar explicar e mostrar chocolates diferentes, é bem provável que elas optem pelo Pan e tenham uma experiência ruim. Então, deixemos Lindt para os multimilionários.

Aqui não! Jamais vou subestimar a capacidade da pessoa física de aprender sobre fundos e de montar um portfólio ganhador. Essa é minha única discordância com Swensen. Aliás, é exatamente este o propósito da Empiricus: democratizar investimentos de alto nível.

Enfim, o que tento fazer todos os dias da minha vida, da hora em que eu acordo até a hora em que vou dormir, é traduzir o que aprendi com Swensen e o que acumulei de conhecimento da indústria de fundos brasileira – com muito gasto de sola de sapato para conhecer e manter contato com todos os gestores – para qualquer investidor.

O Brasil tem milhares de fundos, mas poucas dezenas deles merecem seu dinheiro.

Fundos, na verdade, são o melhor instrumento para você, pessoa física, acessar os mercados de forma profissional. Minha missão é entregar a você as ferramentas para isso, sem subestimar sua inteligência. O Lindt, não o Pan.

Aliás, já tenho feito isso, com 30 mil pessoas, na série Os Melhores Fundos de Investimento. Mas quero ir além. Siga-me por aqui.

Seu Fundo

A missão de gerir um fundo de investimento tem algo em comum com o desafio de comandar uma batalha? Sim, tudo a ver! Envolve estratégia, disciplina e controle de riscos, responderia Paulo Corchaki, que fundou neste ano a Trafalgar, em parceria com colegas vindos do Itaú, UBS e Credit Suisse.

A inspiração para o nome da casa foi a vitória da marinha britânica durante a batalha naval do cabo Trafalgar, no litoral da Espanha, em 1805. Senta que lá vem história!

Apesar de estarem em minoria, os navios ingleses decidiram inovar e, com muita disciplina, posicionaram-se como duas setas, rompendo no meio uma barreira formada por embarcações francesas e espanholas. Diante da surpresa com a estratégia incomum, a esquadra napoleônica mal conseguiu reagir.

Os dois produtos oferecidos pela gestora levam os nomes dos navios que conduziram o triunfo britânico: o multimercado Victory e o fundo de ações Royal Long Biased, especializado em América Latina. Apenas o primeiro está disponível ao investidor de varejo, com aporte inicial mínimo de R$ 20 mil.

A taxa de administração é de 2,25% ao ano, somada à taxa de performance de 20% ao que exceder o CDI, um pouco acima do padrão para multimercados, o clássico “2 com 20”.

Apesar de recém-criada, a Trafalgar tem uma equipe nada novata. Corchaki foi responsável pela área de gestão de fundos de investimentos do Itaú, com mais de R$ 300 bilhões sob sua responsabilidade. Por lá, ocupou ainda a chefia global de investimentos, liderando as equipes de América Latina, Estados Unidos e Europa. Antes de fundar a Trafalgar, foi CEO do UBS no Brasil.

A estratégia de alocação de risco do multimercados é inspirada no modelo “All Weather”, difundido pelo maior hedge fund do mundo, a Bridgewater Associates, de Ray Dalio.

É uma estrutura que contempla quatro cenários diferentes. A maior parte da alocação vai para a tese principal, mas os gestores buscam assimetrias dentro dos outros três cenários. Na versão de Ray Dalio, o risco é dividido igualmente entre as caixinhas. Na brasileira, o cenário principal ganha maior peso.

Seja como for, há uma preocupação da equipe em se posicionar para o “xiii, deu errado” – sem dúvida, um charme do fundo recém-nascido. “Nossa distribuição de carteira acaba funcionando para diversos momentos, o que, replicando para o longo prazo, tende a dar consistência ao retorno”, explica Corchaki.

Vamos observar o desenvolvimento da nova casa.

JURA? 

Se você se sente perdido no mundo dos investimentos, posso dizer que já estive assim um dia. E encontrei a estratégia para ganhar dinheiro sem ter que ser expert em moedas, Bolsa ou juros. Do ano passado para cá, por exemplo, ganhei 124,46% na Bolsa sem nunca ter aberto conta em uma corretora para investir em uma ação. Como? Conto aqui.

Um abraço,
Luciana Seabra