Como transformar 22.222.222 reais em 1.000 (é isso mesmo!)

Em janeiro chegavam caixas e mais caixas de cadernos, canetas e lápis multicores, plásticos e etiquetas para encapar e etiquetar livros. Fazia parte das férias […]

Como transformar 22.222.222 reais em 1.000 (é isso mesmo!)

Em janeiro chegavam caixas e mais caixas de cadernos, canetas e lápis multicores, plásticos e etiquetas para encapar e etiquetar livros. Fazia parte das férias o dia da partilha, com vizinhança reunida: seis cadernos vermelhos, seis verdes e seis azuis, três borrachas, três caixinhas de lápis Faber-Castell, uma régua e tesoura sem ponta para a casa da Cecy, um pacote idêntico para a Maria Helena… E assim a distribuição invadia a tarde, ao sabor de café e pão de queijo, claro.

Obrigada, Kalunga, por permitir que a diamantinada toda tivesse material escolar do bom e do melhor a custo baixo. Se não fosse por você, estou certa de que meus trabalhos da escola teriam apenas um tom de purpurina e que eu passaria cinco anos retirando cadernos da mesma cor comprados no atacado de um estoque empoeirado na garagem — azul, na certa, meu irmão nunca toparia o amarelo.

Aprendi cedo o poder da escala: sozinhos éramos somente os três filhos da Cecy. Juntos com a vizinhança, criávamos um grande comprador, com poder de negociação. Dividíamos os custos fixos, de frete, pagávamos menos pelos melhores produtos e ainda diversificávamos o material escolar (o que é luxo para alguém como eu, que ama papelaria).

Infelizmente não valia para os livros didáticos. Eu, caçula, herdava o livro que já tinha passado pelo meu irmão e pela minha irmã. Passava metade de janeiro apagando as respostas — que minha irmã respondia uma a uma — e a outra metade as margens, nas quais meu irmão desenhava, página a página, animações de pessoas pulando de prédios e se espatifando no chão ou carros se chocando contra muros. Era só movimentar as páginas com o polegar para que se passasse o desenho animado do terror inteiro.

 

Leitura recomendada

Luciana Seabra mostra como lucrou (e ajudou os leitores a lucrarem) muito com ações sem precisar comprar ações. Ela ensina os assinantes da sua séria a investirem da mesma forma que os maiores investidores profissionais do mercado financeiro. E tudo depende de uma simples atitude, que pode te mostrar esse novo mundo de rentabilidade em menos de 24 horas. Veja aqui o recado que ela gravou.
 

Nas aulas de Introdução à Economia, achei que podia pegar emprestado o termo bonito: “monopsônio”. Era um exagero claro, mas gostava de ver os diamantinenses como um único comprador, que precisava ser disputado por vários vendedores. Era a força dos nanicos reunidos. Não fazia cosquinha para a Kalunga, que eu só fui conhecer em versão física anos mais tarde, em São Paulo, mas a verdade é que dava uma satisfação aquele pequeno poder…

E se a vizinhança se juntasse também para tomar empréstimos e investir? Não faríamos cosquinha no Banco do Brasil — que na época, pra mim inclusive, consistia apenas em parte do nome do clube AABB, onde eu nadava, comia Fandangos e tomava Coca-Cola de garrafinha, muito mais gostosa que a de lata.

Mas a gente cresce e quer mais do que ser grande na Kalunga. Quer reunir a vizinhança e ser grande no mercado financeiro inteiro. Sim, eu ouvi esse seu “até parece…”.

E se eu te disser que a gente conseguiu? Troque materiais escolares por fundos de investimento, a vizinhança por assinantes desta empresa que agradeço muito por ter conhecido há três anos, a minha mãe pelo Felipe Miranda, que organizou o esquema todo para transformar nanicos reunidos em um gigante (epa, acho que ele não vai gostar muito dessa comparação).

Como assim, Luciana? Entendi nada! Vamos lá, eu explico.

Descobri há pouco mais de cinco anos o instrumento de compra em escala no mundo dos investimentos. A pergunta é: Como os multimilionários investem? Vou contar para você.

Quem tem mais de 10 milhões de reais (o corte varia, mas é por aí) é assistido por um segmento dos bancos chamado de “private banking”. Não, não estou falando do Personnalité, Prime, Estilo, Select… Esse é o varejo de alta renda: em geral, muita pompa, pouca entrega. Fazendo justiça: no caso do Personnalité (Itaú), bem informado e com um bom volume de dinheiro você até consegue acessar bons produtos.

Já o private… é outro mundo. O mesmo dos clientes dos chamados gestores de patrimônio, gestores de fortunas ou multifamily offices.

Ali há um instrumento recorrente: o Fund of Funds, Fundo de Fundos ou, de forma resumida, FoF. O que é isso? Um grande pacote da Kalunga.

Muitos milhões de reais abrem portas. Profissionais de alto nível negociam os melhores fundos do mercado, nas proporções ideais, ao menor custo para todo esse dinheiro. E empacotam tudo isso em fundos de fundos, de forma que tenham agilidade de trocar um produto por outro ou acessar novos com velocidade e eficiência tributária — ao resgatar de um fundo para investir em outro dentro do FoF não é preciso pagar imposto de renda. E eles mantêm o respeito religioso à alocação.

Daí vieram os “Kalunga feelings”: eu queria, reunindo os milhares da vizinhança, chegar a milhões.

Aí conheci a Empiricus e sua capacidade de reunir uma grande vizinhança. O Felipe organizou uma parceria com a Vitreo, à qual se juntou George Wachsmann, o até então gestor de fortunas da GPS, versado na prática de montar o FoF e… voilà.

Acaba de nascer o Vitreo FoF Melhores Fundos, o que há de melhor no varejo, a solução perfeita para o seu patrimônio em um único produto.

Minha equipe montou a carteira dos sonhos. Sim, a gente se empolgou. A compra toda custaria 22.222.222 reais (sim, esse monte de patinhos na lagoa) se tivéssemos que obedecer a aplicação mínima dos fundos. O Jojo chancelou o portfólio, a Empiricus reuniu a vizinhança e adivinha em quanto conseguimos deixar o valor mínimo para investir? 1 mil reais.

Dentre as estratégias estão por exemplo o Kapitalo Zeta e o SPX Raptor, que você jamais viu na oferta do varejo (e nem na do varejo de alta renda). O Raptor, por exemplo, só está disponível para investidores profissionais, ou seja, com mais de 10 milhões de reais em investimentos financeiros.

E, só para citar mais um exemplo do poder da escala sem cansar você: na frente de proteção do FoF tem um fundo cambial com taxa de 0,2 por cento ao ano. O mais barato que você encontra nas prateleiras virtuais das corretoras custa 0,75 por cento ao ano.

Sim, cada investidor põe pelo menos 1 mil reais (eu obviamente aproveitei e coloquei mais) e tem acesso a um portfólio completo, com cinco fundos de renda fixa, sete multimercados, cinco fundos de ações, um fundo que compra as 500 maiores ações da Bolsa americana, um fundo cambial e um de ouro. Tudo do bom e do melhor.

É a mágica Kalunga!

Tem risco? Sim, claro, investidor sofisticado vai muito além da renda fixa, em moedas, juros, investimentos no exterior… Até topa perder eventualmente no curto prazo, para aumentar o potencial de ganho no longo.

Quer conhecer mais e investir? Então clique aqui.

COTA CHEIA

O mineiro Banco Inter acaba de lançar uma inovação na distribuição de fundos de investimentos que é um presente para o investidor: o cashback.

Como funciona? Quando você investe em um fundo por meio de um distribuidor, ele recebe um pedaço da taxa de administração e também da de performance, o chamado rebate. Ele é usado para remunerar a própria plataforma e também os agentes autônomos, quando há.

Como o Banco Inter não trabalha com agentes autônomos e o investidor escolhe o produto diretamente na plataforma, achou justo devolver uma parte dessa comissão ao cotista, de forma mais específica, metade dela.

É como investir em um fundo com desconto, o que vai torná-lo na prática mais rentável. Bela iniciativa!

COTA MURCHA

Vez ou outra escuto críticas a gestores de fundos que se comunicam com os investidores nas redes sociais. “Deveriam se concentrar em gerir o fundo e parar de gastar tempo com isso”, dizem.

Eu não poderia discordar mais dessa afirmativa. Admiro gestores como Henrique Bredda, da Alaska, e Pedro Cerize, da Skopos, que põem a cara a tapa, conversando com a base em dias bons e ruins de cota.

Os investidores de alto patrimônio, inclusive, estão bem acostumados a esse contato com o gestor, já que os alocadores promovem eventos que propiciam isso. Quando eles aprendem a se abrir para o varejo, em escala, alguém critica?

Para mim, comunicar-se é tão importante quanto gerir. E, ao avaliar um fundo inclusive dou pontos positivos para essa preocupação em falar com os clientes. Informação rende um investidor que não resgata ao menor susto, permitindo que o gestor sustente posições de longo prazo, mesmo que elas tenham prejuízo no curto.

Por falar em Bredda, batemos um papo muito legal sobre ações no “Sardinhas” desta semana. Ele revelou ao podcast suas ações favoritas do momento e respondeu várias perguntas de investidores. Vale muito a pena ouvir aqui.

Um abraço,

Luciana Seabra