É hora, é hora… É hora, é hora, é hora!

A mais reconhecida gestora de ações brasileira dispensa apresentações, porque bastam dois números: quem investiu no Cougar em 1993 acumulou, desde então, um ganho de 22.574%.

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É hora, é hora… É hora, é hora, é hora!

E se eu abrisse uma porta para você investir hoje mesmo em um fundo de ações que acumula prejuízo de 1,6% no ano? Você toparia?

Se você é um investidor de Bolsa, talvez queira comparar esse desempenho com a do Ibovespa. Conto a você que a principal referência da renda variável está no positivo: 1%. E aí?

Posso apostar que você rejeitou a proposta.

Você acaba de deixar escapar a possibilidade de entrar no mais reconhecido fundo de ações brasileiro: o Dynamo Cougar.

Não, não dá para voltar atrás. Era uma situação hipotética, infelizmente – o fundo está fechado para novos aportes desde que me entendo por gente.

Neste sábado, o Dynamo Cougar faz aniversário: 25 anos, um quarto de século.

A mais reconhecida gestora de ações brasileira dispensa apresentações, mas vou falar sobre ela mesmo assim, porque bastam dois números: quem investiu no Cougar em 1993 acumulou, desde então, um ganho de 22.574%. Se tivesse optado por um fundo atrelado ao Ibovespa, em vez de apostar na seleção de ações da casa, esse mesmo investidor teria bem menos: 686% de rendimento.

Hoje, evoco a gestora aniversariante com um único objetivo: apelar para um olhar de longo prazo em Bolsa, do qual ela sempre foi sem dúvida uma das representantes mais ativas. A equipe de gestão é bastante criteriosa para investir em uma companhia. Passado esse crivo, porém, costuma carregar a empresa por bastante tempo.

De todos esses 25 anos, apenas em seis a Dynamo ficou para trás do Ibovespa. E mesmo assim, com ganho superior a 40%. Imagino que o investidor não tenha ficado muito triste neles.

Somente em um ano de sua história – 1997 – o Cougar teve um prejuízo maior do que o Ibovespa. Se 2018 acabasse hoje, seria o segundo ano em que isso aconteceria. É motivo suficiente para torcer o nariz para o fundo?

Diante desse fato e da admiração que eu cultivo pela casa (eu e a torcida do Flamengo), você pode me julgar, mas tendo a achar que não é a Dynamo que está errada – e sim a Bolsa.

Se você tem qualquer fundo comprado em Bolsa, é bem provável que esteja no mesmo barco. Os dados mais recentes da Anbima mostram um prejuízo médio de 1,5% dos fundos “ações livres” – não atrelados a índices – até 28 de agosto. No mesmo período, o Ibovespa subiu 1,4%.

Em minhas andanças para conversar com gestores de ações, tenho ouvido alguns argumentos bastante convincentes favoráveis a uma recuperação da Bolsa. “Esse é o trabalho deles, então dificilmente jogariam contra”, diz você. Não é bem assim. Os gestores poderiam estar com mais dinheiro em caixa (um fundo de ações pode ter até um terço do patrimônio fora da Bolsa, como nos anos Dilma, mas eles têm nos dito que estão muito abaixo disso).

Seja como for, os argumentos me parecem bastante sedutores. E fazem pensar que, para quem tem olhar de longo prazo (falo de três a cinco anos) essa é a hora de comprar, não de vender. Três motivos para você não resgatar de seu fundo de ações no impulso agora:

1. A meta para a Selic, referência para os juros brasileiros, caiu de 14,25% para 6,5% nos últimos dois anos. É um ponto positivo para as empresas, já que representa um alívio significativo para os custos com suas dívidas.

2. Mais um efeito dos juros: o custo de oportunidade do investidor mudou. Há dois dois anos, ao pensar na possibilidade de investir na Bolsa, comparávamos o retorno potencial das ações com o da renda fixa e gostávamos do que víamos do lado conservador: dois dígitos. Já foi bem mais confortável repousar na renda fixa. É de se esperar que mais investidores acordem em algum momento e invistam pelo menos um pouco de seu patrimônio na Bolsa. Se você já estiver lá, vai se beneficiar desse fluxo.

3. As empresas listadas estão saindo de um longo inverno de economia em recessão, em que cortaram custos e eliminaram concorrentes. Alguma hora elas devem se aproveitar disso. Os resultados dos balanços já começam a sinalizar isso.

Sim, há incerteza eleitoral, nenhum investidor profissional de Bolsa nega. A questão é: um candidato que não agrade ao mercado é suficiente, no longo prazo, para destruir todas as tendências acima?

Cota Cheia

Confesso que fiquei surpresa ao observar que a captação líquida em fundos de ações segue positiva no ano, em 16,2 bilhões de reais. Ou seja, tem mais gente colocando dinheiro do que resgatando desses portfólios. O valor também é positivo para agosto, em 75,4 milhões de reais.

O movimento sinaliza um mercado maduro, que não resgata no desespero frente a prejuízos de curto prazo. Estaríamos mesmo desenvolvendo um olhar de longo prazo para a Bolsa? É algo a se comemorar.

Cota Murcha

Para quem acha que o desempenho dos gestores ativos aquém do Ibovespa no ano aponta para os fundos indexados – que replicam a carteira do índice –, tenho uma má notícia: eles têm retornos piores.

Os fundos de ações indexados acumulam prejuízo de 1,71% no ano: estão ainda mais longe do 1,4% do Ibovespa.

É fácil de entender: os custos desses fundos no Brasil são altíssimos, sendo que não há qualquer inteligência de gestão (até minha mãe, artista plástica, seria capaz de reproduzir o portfólio do Ibovespa, já com percentuais definidos de cada ação).

Dois exemplos: Caixa Ibovespa FI Ações, com taxa de 4% ao ano, e Bradesco Indexado Ibovespa FIC Ações, com 3,5% ao ano.

Um fundo ativo, como o da Dynamo, em que o gestor tem trabalho de fato para selecionar as empresas em que vale a pena investir, cobra em geral 2% ao ano mais 20% do que exceder o referencial.

Rá-tim-bum!

Tive o prazer de entrevistar a equipe de investidores profissionais em ações da Dynamo para o livro “Conversas com Gestores de Ações Brasileiros”. Em duas semanas, trarei novidades incríveis sobre ele. Aguarde!