E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho…

De uma semana para cá, mudei de carro, mudei de casa e até diria que mudei de estado civil – não fosse o fato de […]

E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho…

De uma semana para cá, mudei de carro, mudei de casa e até diria que mudei de estado civil – não fosse o fato de eu achar que amor e cartório não combinam. Entre os dois, fico com o primeiro. Hoje cedo, para me vestir, combinei o conteúdo de seis caixas diferentes. Em uma delas, o Getúlio tinha feito xixi. Getúlio é o cachorro, bom dizer – ele veio no pacotinho.

É a quarta mudança de casa desde que vim morar em São Paulo, deixando para trás Campinas, depois de dar adeus a Brasília, para onde meus pais foram quando eu tinha oito anos, partindo de Diamantina, cidade em que fui registrada, apesar de ter nascido em Belo Horizonte um mês antes.

A mudança de Diamantina para Brasília foi a mais difícil. Fomos de férias, minha mãe decidiu que queria ficar. Coube a meu pai vender o que ficou para trás e seguir.

Àquele momento da vida atribuo minha quase ausência de sotaque mineiro – “ocê” e “docê” não fizeram sucesso no recreio. Minha irmã mais velha me orientou carinhosamente a parar imediatamente de falar daquele jeito se não quisesse continuar lanchando sozinha.

Mudanças não são fáceis. Ponto. Olhando para trás, entretanto, não me arrependo de nenhuma delas (talvez de ter abandonado o sotaque mineiro). Elas me fizeram mais forte e me renderam uma capacidade de me adaptar a qualquer ambiente. A verdade é que hoje sou viciada nelas: há algo melhor para trabalhar o cérebro do que decorar o nome do novo zelador, dos novos vizinhos, conhecer as ruas próximas?

Talvez não seja coincidência que eu tenha escolhido para dividir meu universo particular alguém que carregue no currículo Rio, Vila Velha, Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, São Bernardo do Campo e São Paulo. Sintonia.

No universo da previdência, assim como no de telefones celulares, mudar é mais do que legal – é necessário. E tem verbo próprio de mesma conjugação: portar.

O fato é que, se você investiu em VGBL ou PGBL algum dia, muito provavelmente está em um produto ruim e vai ficar melhor se portar. Não é culpa sua. Essa é uma indústria cheia de conflitos, que paga comissões gordas a quem vende e, por isso, feita para não ser compreendida, começando pelas siglas: Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). Não consigo ver em que ordem esse nome faz algum sentido.

Enquanto a maior parte da previdência não muda, a gente muda.

A vantagem da portabilidade na previdência é que seu dinheiro muda de lugar, mas, para o Leão, nada muda. Ou seja, se você escolheu a tabela regressiva e já está em uma faixa de imposto menor, nela permanecerá – sabia que a alíquota cai a cada dois anos e que chega a 10 por cento depois de 10 anos? É o menor imposto do mundo dos investimentos tributáveis. E, claro, seu histórico vai com você.

 

Leitura recomendada

Luciana Seabra mostra como lucrou (e ajudou os leitores a lucrarem) muito com ações sem precisar comprar ações. Ela ensina os assinantes da sua séria a investirem da mesma forma que os maiores investidores profissionais do mercado financeiro. E tudo depende de uma simples atitude, que pode te mostrar esse novo mundo de rentabilidade em menos de 24 horas. Veja aqui o recado que ela gravou.
 

Fiz um levantamento aqui só para você ter uma ideia da furada em que pode estar. Peguei os três maiores fundos de previdência brasileiros na provedora de dados Quantum Axis e puxei o retorno deles na última década:

Sério? Dez anos e essa merreca de vantagem sobre o CDI? Se houver taxa de carregamento então, o retorno fica pior ainda – esse dado não é público, depende da negociação cliente a cliente.

Se o gerente indicou a você um fundo de previdência, é bem possível que você tenha dinheiro em um dos produtos acima – eles são os maiores porque são mais indicados.

Vale lembrar que os retornos passados ainda foram beneficiados por um período de ajuste para baixo nos juros brasileiros, em que títulos prefixados e indexados à inflação ganham valor. Imagine o que vai acontecer com o retorno dos próximos dez anos, em que a gordura na renda fixa não é mais tão clara.

A taxa de carregamento é a mais absurda do mundo dos investimentos. O famoso pagar para sorrir: aquele valor que você desembolsa na balada mesmo que seja uma festa estranha, com gente esquisita e que você não beba nada.

Bom dizer que, se seu plano tiver taxa de carregamento na saída, você vai pagá-la ao portar. Mas ia pagar mesmo algum dia, quando o dinheiro saísse de lá. Melhor tirar o curativo logo do que passar a vida inteira em um plano que vai render para você uma aposentadoria medíocre.

Se ainda não está muito certo da necessidade de portar, sugiro que você passe seu plano pelo teste da aposentadoria feliz. Se ele rende perto do CDI em períodos longos, de 3, 5, 10 anos… então já vá se despedindo dos bons vinhos, grandes viagens e da pipoca no cinema (quer me deixar mal, me mande cortar os pequenos prazeres).

Vale a pena sacar? Não. Para períodos curtos (e mesmo relativamente longos, como cinco anos), o imposto incidente sobre o resgate de previdência é bem alto. Por isso, o verbo é portar.

E para onde levar o dinheiro que você vai portar? É uma escolha sua. Busque opções que diversifiquem para além da renda fixa, com taxas de administração compatíveis com o trabalho de gestão e sem taxa de carregamento.

Aqui eu revelo para você a previdência que escolhi para mim e para minha família. Veja e avalie com seus próprios olhos. E perca o medo de mudar.

SEU FUNDO

Daqui a pouco tem mais gestor novo por metro quadrado neste país do que igreja em Diamantina (ou farmácia em São Paulo). Os anos pós-Dilma têm sido mais profícuos para o risco, recompensado com retorno. E é óbvio que isso estimula a abertura de novas casas.

Considero o movimento positivo, mas é fato que ele deixa o investidor meio perdido. Por isso, nesta seção quinzenal, um dos nossos objetivos é ajudar você a se encontrar em meio a tantos novos nomes.

Dentre as novidades de que você vai ouvir falar por aí está a Novus Capital. A gestora, criada em setembro do ano passado, tem nome novo, mas é na realidade o resultado da fusão de outras duas: Modal Asset e Flag.

O principal produto é o Novus Macro, multimercado com meta de volatilidade de 7 por cento, próxima à de alguns dos fundos do tipo mais famosos, como Adam Macro, Verde e SPX Nimitz.

A estratégia do fundo é dividida em três caixas de mesmo tamanho. Um terço do risco fica sob a batuta de Luiz Eduardo Portella, responsável pela parte de renda fixa doméstica depois de mais de 15 anos de Modal.

A segunda caixa é de ativos internacionais, em que Ricardo Kazan conduz as posições de moedas e juros globais, além de commodities. Apesar de ter vindo da Flag, Kazan está bem acostumado a trabalhar com Portella. Eles foram colegas de mesa proprietária do Modal por cinco anos. Ou seja, a casa é nova, mas a dupla, azeitada.

A terça parte é focada em bolsas brasileira e global, gerida pelo trio Rodrigo Galindo, Luis André de Queiroz Oliveira (ambos vindos da Flag) e Roberto Costa, ex-Modal Asset. A expertise é em análise setorial e operações via índices, além de opções.

“Queremos cada vez mais ser uma casa global. Temos esse viés de internacionalização, mas nosso processo é via ativos líquidos, como ouro, petróleo, dólar, juro americano e europeu, por exemplo”, nos explicou João Marcelo Feijó, diretor de Relações com Investidores da Novus Capital.

Um diferencial é a estratégia em ouro – o ativo é operado por poucas gestoras brasileiras –, que corresponde a uma posição de até 15 por cento do portfólio. A ideia é se beneficiar da tendência de apreciação do metal à medida que o dólar se desvaloriza em um ambiente de menor apetite global ao risco.

A proposta de unir as casas veio de Portella. Ele conta que chamou os fundadores da Flag para conversar e deu jogo. Daí foi carregar o histórico dos produtos das duas gestoras e juntar a equipe, agora de 23 pessoas, no Leblon.

Com pouco mais de cinco meses, o patrimônio sob gestão da Novus soma 1,6 bilhão de reais. A casa também está lançando um fundo long biased, que em breve estará aberto para distribuição.

Vamos ficar atentos ao desempenho das duas equipes na nova formação. Quer saber quais gestores já foram aprovados nas nossas avaliações qualitativas e quantitativas? Vá por aqui.

Um abraço,

Luciana Seabra