Fim de ano raiz

Na minha família, as festas de fim de ano são coisa séria. Não tem essa de almoço de Natal. O nascimento do menino Jesus se […]

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Fim de ano raiz

Na minha família, as festas de fim de ano são coisa séria. Não tem essa de almoço de Natal. O nascimento do menino Jesus se comemora à meia-noite do dia 24. Primeiro com abraços, depois com uma ceia e somente então – para o desespero dos mais novos – com a abertura de presentes, devidamente acumulados sob o pinheiro de plástico pesado de enfeites. Perto, é claro, do presépio.

A virada de ano é semelhante. O rádio, em volume alto, dá o tom da contagem regressiva, seguida por brinde, observação de fogos de artifício e ceia. Sempre tem um primo que vai passar na calçada de Copacabana, o que nos últimos anos tem sido tratado de forma mais madura pelo clã.

Já faz alguns anos que foi introduzido um costume na noite da virada que pode parecer bobo, mas para mim tem sido importante. Não sei de onde veio a ideia – talvez da Contigo –, mas pouco importa.

Cada um toma uma folha de papel em branco e dobra em duas metades, na vertical. Um lado é dedicado ao ano que passou: “Em 2018, eu…”. O outro, ao que vem: “Em 2019, eu…”.

À esquerda ficam as conquistas do ano passado. Mas é proibido ficar no campo abstrato da saúde, paz e amor. Tem que ser algo concreto: “Conheci o amor da minha vida em meio a umas cachacinhas no carnaval”, “Virei sócia da empresa mais incrível em que já trabalhei na vida” e por aí vai.

No campo à direita, vem o que você deseja para o futuro: “Viajar para uma praia nordestina”, “Investir pelo menos 30 por cento da minha renda”.

O papel é dobrado e guardado na carteira. Em 31 de dezembro de 2019, voltamos a abri-lo para avaliar que sonhos se cumpriram. É uma forma de se cobrar, de não deixar o tempo andar enquanto os grandes projetos ficam engavetados.

Muita gente detona as promessas da virada. Eu ainda gosto de firmar um compromisso com elas – mesmo que obviamente também não cumpra todas.

 

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Este vídeo explica a estratégia, em detalhes, de como é possível dobrar a sua renda atual, em menos tempo e sem trabalhar a mais por isso. Assista agora
 

Se você é investidor de fundos, vou propor dez itens que devem constar do lado direito da sua lista. Em 2019, eu…

1. Não vou correr atrás do rabo. Escolherei gestores em que confio e, a partir de então, estarei com eles para o longo prazo, ainda que a grama do outro gestor sempre pareça mais verde.

2. Não seguirei rankings. O melhor retorno dos últimos meses não somente é uma métrica insuficiente para avaliar um fundo como pode ser muito perigosa. Uma alavancagem exagerada, por exemplo, pode ter dado muito certo por sorte. Se o gestor tivesse errado (e ninguém tem bola de cristal), a perda de patrimônio poderia ter sido significativa.

3. Não vou confundir risco com volatilidade. Especialmente os produtos de crédito atraem porque sacodem pouco. Na prática, têm risco mascarado: como esses mercados são pouco líquidos, a marcação de preços é deficiente. Não seremos nós os perus do próximo Natal – alimentados fartamente até um fim trágico.

4. Não investirei no que não entendo. Dia desses fui apresentada a um fundo global que aplicava até em seguros contra catástrofes. Se não entendo bem por que o ativo sobe ou desce, no primeiro susto vou sacar tudo e realizar o prejuízo. Melhor ficar de fora.

5. Não serei acometido pelo viés doméstico. Temos uma tendência a concentrar todo o patrimônio no país em que vivemos. Se o país vai mal, lá se vai o emprego e o investimento. Ter pelo menos um pezinho lá fora, seja diretamente, seja via fundos, é uma ótima ideia.

6. Não desistirei da minha proteção em dólar e ouro. Em momentos bons, eles devem ficar estáveis ou até se desvalorizar, reforçando a tentação para abandonar os escudos. Nos dias ruins, serão o colchão de proteção.

7. Ficarei de olho nos conflitos da indústria de fundos. Terei ciência permanente de que a indústria funciona com base em rebates. Fundos bons, em geral, pagam comissões menores para serem distribuídos – e, por isso, podem ser preteridos por quem distribui.

8. Diversificarei de verdade. Ter oito multimercados não é diversificar. É bom somar fundos de ações, dólar e ouro pelo menos.

9. Não descuidarei da reserva de emergência. Multimercados e fundos de ações não são apropriados para o dinheiro que podemos precisar sacar a qualquer momento – se a urgência coincide com um momento ruim de mercado, ela nos obriga a realizar um prejuízo.

10. Não correrei atrás do fundo da moda. Com frequência o fundo mais comentado é o que a indústria está tentando nos empurrar – pela comissão elevada – ou o que tem retorno recente alto, o que não diz nada sobre o longo prazo.

Seu fundo

Hoje você vai saber como funciona a gestora Perfin. Ralph Rosenberg, responsável pela casa especialista em ações, fala sobre o processo de seleção das empresas em que investe e sobre o equilíbrio da carteira como se estivesse explicando o funcionamento da engrenagem de um relógio: tudo tem sua posição e função corretas para que a máquina rode.

O portfólio é formado por 10 a 15 companhias. A equipe da Perfin gosta de “empresas de dono”, com vantagens competitivas claras e que tenham crescimento de lucro e/ou uma combinação de lucro e dividendo atrativa no longo prazo.

Na triagem, é feita uma análise qualitativa e quantitativa detalhada para diferenciar qual o valor real da companhia versus aquele que o mercado precifica. O analista responsável ouve executivos, fornecedores, clientes, agentes reguladores e até mesmo concorrentes.

Cada companhia ocupa seu lugar dentro de uma pirâmide, onde são classificadas de acordo com o ciclo de maturação. Na base, ficam as ações “turn around” – elas têm preços atrativos e potencial de valorização, por estarem passando por processos de melhoria.

No meio, estão os papéis da classe denominada “value”, ou valor: são empresas sólidas, mas que não estão em seu melhor momento. Lá ficam, por exemplo, Hypermarcas e Ambev. O topo é das “quality”, ou ações de qualidade, as líderes em seus segmentos, como B3 e Itaú.

Diariamente a concentração das ações é reavaliada, e constantemente há uma alternância entre as três fatias da pirâmide, de acordo com os resultados das empresas e preços dos papéis, por exemplo.

Ralph fala com propriedade do modelo porque é o criador do método, resultado da experiência em gestão iniciada aos 23 anos, quando formou um clube de investimentos com amigos, na época em que trabalhava na corretora Magliano.

A classificação em diferentes tipos de ações – que permite limitar a concentração em ativos de maior risco ou tempo de maturação – veio com a história. Em 2013, o gestor errou na compra de Tecnisa e acabou vendo a saída de alocadores de bancos dos portfólios. Bom lembrar: quem nunca errou na Bolsa provavelmente não tem experiência suficiente para cuidar do seu dinheiro.

O clube foi acompanhando Ralph pelos lugares onde passou. Na Perfin, ele virou fundo. Entre os parceiros desde o início estava José Roberto Ermírio de Moraes, o Beto, que segue como sócio, e que, juntamente com Alexandre Sabanai, forma o comitê executivo da gestora.

A Perfin possui atualmente dois fundos (Equity Hedge e Long Only) e usa o caixa para
montar proteções. A equipe tem atualmente doze pessoas, sendo que um novo setorista, de varejo, está a caminho. Na gestão da equipe, Ralph mostra ser tão criterioso quanto no processo de escolha de ações. A seleção do “analista certo” para a vaga durou nada menos do que um ano.

Quer saber nossa avaliação completa sobre o fundo e como investir nele? Veja aqui.

Obrigada!

A você que chegou até o fim deste texto nesta quarta-feira entre feriados, meu muito obrigada e um desejo de excelentes investimentos em 2019. Sua fidelidade e confiança fizeram meu 2018 melhor.