Invista como um gringo

Confesso que não gosto do tal complexo de vira-lata, mas o fato é que às vezes devíamos espiar (e copiar) o que se passa além […]

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Invista como um gringo

Confesso que não gosto do tal complexo de vira-lata, mas o fato é que às vezes devíamos espiar (e copiar) o que se passa além de nossas fronteiras.

Do Japão, eu importaria os carrinhos de malas que sobem e descem as escadas do aeroporto (e aquelas tampas de vaso sanitário que tocam música, aquecem o assento e espirram jatos de água em todos os sentidos, claro).

De Buenos Aires, o doce de leite em substituição à manteiga.

Da China, a cadeira de bebê instalada na porta em frente ao vaso na cabine do banheiro público (mamães também fazem xixi).

Também traria de fora bons modos de investimentos. A verdade é que, em termos de alocação, nós, brasileiros, estamos na era paleolítica – assim como as dietas modernas.

Do total de dinheiro investido em fundos de investimento regulados no mundo, 44 por cento estão em portfólios de ações. Sim, quase a metade!

E no Brasil? Somente 6 por cento.

Do total investido em fundos brasileiros, 25 por cento estão nos chamados “renda fixa duração baixa”, produtos de baixo risco, que servem ao dinheiro de curto prazo.

Na média do mundo inteiro, os fundos de caixa, chamados “money market”, ficam com menos da metade disso: 12 por cento do patrimônio investido em fundos.

Quando tínhamos juros de dois dígitos na renda fixa, até dava para entender. Agora, não mais.

Os dados globais são públicos, da The International Investment Funds Association (IIFA), pode conferir lá. Temos uma das maiores indústrias de fundos do mundo: se desconsiderados os paraísos fiscais, ocupamos a oitava posição, com 1,2 bilhão de dólares. Investimos, porém, boa parte dessa riqueza em produtos “feijão com arroz”.

Somente no primeiro trimestre de 2018, em meio à reversão de políticas monetárias expansionistas, ameaças de guerras comerciais e tudo mais, 584 bilhões de dólares fluíram para fundos de ações em todo o mundo.

Para os produtos de renda fixa, caminharam 14 bilhões de reais.

Penso em quantos mais carros, casas, viagens… sonhos poderiam ser realizados se investíssemos toda essa montanha de dinheiro como um cidadão do mundo.

Seu fundo

Se você investe em um fundo cambial de dólar, terminou agosto sorrindo. No mês, a moeda americana valorizou-se 10 por cento ante o real. No ano, o ganho já é de 25 por cento.

Aqui na Empiricus repetimos incansavelmente que é preciso ter pelo menos 5 por cento do seu patrimônio em dólar, SEMPRE, para proteger o patrimônio. Em um ano de tantas incertezas eleitorais, quem seguiu o conselho não pode reclamar.

A questão é: nem todo fundo cambial é legal.

Nós mapeamos os principais fundos cambiais oferecidos ao investidor de varejo e identificamos três problemas principais desses produtos: taxa alta demais, tributação de curto prazo e investimento em crédito privado.

Quer um exemplo? A Caixa Econômica Federal tem um fundo cambial que parece aceitável, com taxa de administração de 1 por cento ao ano e aplicação mínima de 1 mil reais. O produto, entretanto, é classificado como de curto prazo, em que o imposto mínimo é de 20 por cento, enquanto para um fundo cambial classificado como de longo prazo ele chega a 15 por cento.

Veja também o BB Dólar 20 mil. Ele cobra taxa de 1 por cento ao ano, o que é razoável, mas investe em muitos ativos de crédito privado, como debêntures.

O investimento em títulos de dívida não é proibido para um fundo cambial. A Anbima, associação que representa o mercado, define fundos cambiais como aqueles que “aplicam pelo menos 80% da carteira em ativos – de qualquer espectro de risco de crédito – relacionados diretamente ou sintetizados, via derivativos, à moeda estrangeira”.

Mas, se o objetivo é usar o fundo cambial para proteger o portfólio ou para se preparar para uma viagem, assumir mais um risco – de crédito – não me parece muito positivo.

Se você quiser conhecer a lista completa de fundos cambiais, com suas respectivas avaliações, e também os dois produtos que consideramos ideais para se expor à alta do dólar, siga por aqui.