Manual antipegadinha do investidor de fundos

Há tempos eu não fazia tanta questão de ver um filme: comprei os ingressos um dia antes pra garantir um bom lugar, já deixei a […]

Manual antipegadinha do investidor de fundos

Há tempos eu não fazia tanta questão de ver um filme: comprei os ingressos um dia antes pra garantir um bom lugar, já deixei a pipoca e o refrigerante encomendados e saí com uma hora de antecedência de casa pra não correr o risco de perder o começo.

E lá estava eu cara a cara com Aladdin e Jasmine. Saí com aquela sensação de que somos muito fáceis de agradar na infância — à parte a pipoca, que segue sendo o melhor alimento já criado na Terra.

Mas, enfim, não será spoiler se eu te lembrar que Aladdin é enganado por Jafar e, se não fosse o Gênio da Lâmpada, teria morrido aprisionado na Caverna das Maravilhas, né? E eu pensando: o cara topa entrar na caverna escura cuja porta é uma boca de tigre falante em troca da promessa do personagem que claramente não é um bom sujeito de que vai ajudá-lo a conquistar o coração da princesa…

Parece surreal, mas eu poderia dizer que me sinto um pouco assistindo àquela cena ao ver as centenas de e-mails de comparativos de fundos que nossos leitores recebem de suas corretoras e bancos e nos encaminham todos os dias — alguns deles com uma pergunta que me dá muito orgulho: “Sei que tem algo de errado aqui, o que é?”.

Então decidi fazer um levantamento na coletânea de e-mails e identificar as três pegadinhas mais comuns. Vamos lá!

Tudo começa quando Aladdin decide que quer investir em um determinado fundo. Jafar não tem o produto na prateleira ou recebe pouca comissão por ele. Resultado: envia um e-mail dizendo que tem uma opção melhor e, para comprovar sua tese, anexa um gráfico. Afinal, os gráficos nunca mentem. Será? E se eu te disser que…

1. Jafar procura um período de tempo em que o fundo solicitado foi mal, produz um gráfico somente para ele e compara com algum produto de sua oferta que tenha desempenhado bem naqueles meses. Não precisa ser da mesma categoria, pode até ser um fundo de renda fixa, que rende em linha com o CDI, o importante é não ter caído.

Como você deve reagir? Pedindo para ver uma janela de tempo maior ou demandando uma comparação com um fundo da mesma categoria.

2. Jafar distribui centenas de fundos. Mesmo que o produto pedido venha se comportando muito bem, sempre haverá algum que ganhou mais dinheiro no ano focado em uma única estratégia.

Se tem sido um bom ano para o dólar, é a hora de sacar da gaveta aquele fundo cambial e jogar no gráfico. Se é a vez da Bolsa, é só comparar com o fundo passivo de Ibovespa. Se as expectativas para os juros têm caído, ele mostra aquele fundo que só compra NTN-B (Tesouro IPCA+).

Olhando pelo retrovisor é mole. Se você fosse vidente, aí o melhor mesmo seria se concentrar na bola da vez do ano. Como você não é, melhor diversificar.

Qual é a saída aqui? Identificar o ativo em que investe o fundo oferecido e questionar se há motivos para o futuro ser tão bom para ele quanto o passado. Já adianto: como a economia é cíclica, é provável que não.

3. Essa é tão absurda que prefiro pensar que é ignorância, e não maldade: Jafar compara o fundo em que você deseja investir com outro que tem Master no nome.

O Master, em geral, é um fundo que carrega a estratégia do fundo, mas ninguém investe diretamente nele. Ele é acessado por diferentes fundos (os chamados feeders). É comum que o Master seja taxa zero, já que o custo está no feeder.

O que Jafar faz? Compara o fundo proposto por você com o Master do fundo que ele oferece. Sem as taxas, a alternativa rende mais, é turbinada. Se você topar, o gestor não vai trabalhar de graça e, na prática, Jafar vai te oferecer um fundo de mesmo nome com taxa, que automaticamente vai render menos.

Duvida que isso acontece? Posso provar com um e-mail que recebi ontem mesmo, em que o gerente comparou o fundo desejado pelo cliente com o Master do Verde gerido por Luis Stuhlberger — o fundo não só desconsidera a taxa como está fechado para novos aportes. Ou seja, a alternativa era uma ficção.

Como reagir? Diga assim: “Eu quero investir nesse Master, arruma pra mim?”. Depois é só desmoralizar a farsa de Jafar mostrando que o nome do fundo em que ele pretende investir seu dinheiro de fato é diferente do que aquele que ele colocou no comparativo.

Seu Fundo

Por Ana Luísa Westphalen

Se a essência de um fundo de investimentos é representada pela figura do gestor, o que acontece quando há uma mudança relevante de equipe? A resposta para essa pergunta não é tão simples quanto parece.

Hoje vamos falar sobre o BTG Absoluto, fundo tradicional que concentra a principal estratégia de ações da casa.

Ele é famoso na indústria por sua performance consistente — desde a criação, em 2007, o produto contabiliza retorno de 255,76 por cento, contra um ganho de 52,22 por cento do Ibovespa no mesmo período — e por selecionar basicamente empresas de qualidade, que consigam entregar constantemente bons resultados.

Você dificilmente vai ver no portfólio uma aposta em uma empresa de gestão ou governança duvidosa, com base na expectativa de que tudo se resolva um dia (como acontece com outros fundos de ações).

Outra característica do fundo é ser concentrado. Atualmente, apesar de o portfólio contar com 19 ações, metade do investimento está em três papéis: Lojas Renner, Magazine Luiza e Localiza.

No início do ano, as saídas de José Zitelmann, responsável pelos produtos de renda variável da casa, e de Gustavo Hungria trouxeram dúvidas sobre o futuro do fundo. No comando do BTG Absoluto e dos outros produtos da categoria, ficou Pedro Maia, que era o braço direito de Zitelmann.

Eles trabalhavam juntos desde o início do fundo, ainda na mesa proprietária do Pactual, no Rio, antes da fusão com o BTG. Segundo Pedro, a ideia é manter a filosofia de trabalho, compartilhada pelo restante da equipe.

Quando se escolhe um fundo para investir, há muito mais em jogo do que somente o retorno. A forma como ele é gerido pela equipe e as movimentações do time precisam ser acompanhadas de perto. Esse é o nosso trabalho aqui na série Os Melhores Fundos de Investimento. Quer conhecer melhor? Siga por aqui.

NOSSO ENCONTRO

Você já se inscreveu para conhecer alguns dos melhores gestores de fundos do país pessoalmente e ficar sabendo de suas principais teses de investimento? Se não, precisa ver agora esta programação.

Um abraço,

Luciana Seabra