O que o investidor profissional está comprando agora?

“No nosso entendimento, a vitória de Jair Bolsonaro é o cenário mais provável, e, de acordo com nossas estimativas, os preços de ativos brasileiros deverão […]

Compartilhe:
O que o investidor profissional está comprando agora?

“No nosso entendimento, a vitória de Jair Bolsonaro é o cenário mais provável, e, de acordo com nossas estimativas, os preços de ativos brasileiros deverão se valorizar caso este cenário se materialize. Desta forma, nossa intenção é aumentar, nos próximos dias, as posições compradas em bolsa local…”

Legacy, gestora formada por egressos da tesouraria do Santander, em carta aos cotistas de setembro.

“O mês de setembro deve marcar o fim de um ciclo de posições mais conservadoras para Brasil. Com as eleições de outubro, o cenário incerto entre eventuais governos de esquerda ou de direita será definido. O fim deste processo deve trazer ainda boas oportunidades para geração de alpha no Brasil, nos mercados de Bolsa, câmbio e até mesmo juros…”

Adam, gestora de Márcio Appel, em relatório gerencial de setembro.

“O fundo aproveitou a volatilidade de agosto para aumentar marginalmente sua posição na bolsa brasileira.”

Verde, de Luis Stuhlberger, em relatório de gestão de agosto.

Há muito tempo não via tantos bons gestores de fundos multimercados comprando ou se preparando para entrar na Bolsa brasileira. Historicamente, eles se posicionam de forma mais contundente em juros e moedas.

Os bons gestores de ações também estão comprando – mas me chama mais atenção o movimento dos gestores de multimercados. Por dois motivos:

1. Eles poderiam estar comprando qualquer ativo, no Brasil e no exterior. E estão de olho na Bolsa local;
2. Eles têm muito mais dinheiro do que os fundos de ações – mais propriamente 873 bilhões de reais, contra 231 bilhões de reais nos produtos de renda variável.

Tenho uma mania estranha de olhar longos históricos para avaliar fundos de investimento. E algo sempre me impressiona: os ganhos não seguem uma trajetória linear. O Verde é um bom exemplo. Em meio a um mar de retornos mensais de um dígito, salta o ganho de janeiro de 1999: 63 por cento em um único mês!

Em fundo de ações, é semelhante. Veja o próprio IP Participações, conhecido pela consistência de retornos. Em um único mês, abril de 2009, 20 por cento, que culminaram em 87 por cento no acumulado daquele ano.

Só consigo me perguntar: “O que meu pai e minha mãe estavam fazendo nesses anos? Por que eles não investiram no fundo Verde quando não era preciso acordar de madrugada pra tentar reservar cotas?”.

Eu gostaria de acreditar que eles estavam em pânico – soaria bem aceitável para um investidor pessoa física sem acesso à informação. Mas acho que eles estavam mesmo era comendo tranquilamente frango com quiabo e angu. E fazendo o possível pra eu comer também e chegar a tempo na escola.

Enfim, acredito que a maioria das pessoas não está ciente do que podemos estar vivendo agora – uma recuperação vigorosa da Bolsa. Tem muita gente boa acreditando nela. E isso não é apenas uma projeção, já está acontecendo. Enquanto você piscava, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, batia 80 mil pontos ontem. Quem falou que isso ia acontecer no começo do ano foi tachado de louco.

Descruze esses braços.

Cota cheia

A taxa de carregamento está em extinção. Para quem não a conhece – e provavelmente a está pagando sem saber –, ela é uma cobrança que incide na entrada ou na saída de dinheiro de planos de previdência. Como tal, ela pune a acumulação de patrimônio nos famosos PGBLs e VGBLs.

Ela existe somente na previdência e soma-se a outro custo, em geral elevado, no segmento – a taxa de administração –, inviabilizando o sonho de um futuro tranquilo. Já vi taxa de carregamento de até 5 por cento. Você investe 1 mil reais mensais na previdência e a seguradora fica com 50 reais logo de cara. Não faz sentido algum.

A Icatu puxou a fila derrubando a taxa de carregamento na entrada. Hoje tem uma que incide na saída somente se o investidor ficar menos de três anos no produto – mas já ouvi dizer que ela está com os dias contados.

Dentre os bancos, o Itaú foi o primeiro neste ano a zerá-la. E o Banco do Brasil acaba de anunciar que fez o mesmo. Bradesco, estamos à sua espera.

Enquanto isso, investidor, sugiro que boicote quem ainda cobra a taxa. Não deixe seus planos nas mãos de quem só quer ganhar dinheiro com eles.

Cota murcha

Sete em cada dez pessoas que conseguem guardar dinheiro no Brasil deixam essa reserva dormir na poupança, segundo uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Sabe quanto rende a poupança no acumulado deste ano? 3,48 por cento.

E sabe quanto rendeu um bom fundo DI?

O BTG Pactual Tesouro Selic, um dos mais baratos da indústria, entregou no mesmo período 4,65 por cento – com possibilidade de resgate diário e risco equivalente.

Mesmo que você pagasse o maior imposto (de 22,5 por cento, para quem resgata em menos de seis meses), teria embolsado um ganho maior no fundo. E bastam 500 reais para entrar.

Dito tudo isso, estou pensando em apoiar a ousada campanha do Eduardo Campos, repórter do Seu Dinheiro. Veja aqui.

Você viu?

Tive a honra de ser entrevistada pelo Felipe Miranda para falar do meu novo livro, “Conversas com Gestores de Ações Brasileiros”, editado pela Companhia das Letras. Não assistiu? Veja aqui.