Vem tomar café comigo?

Meu irmão foi pai aos 17, quando ainda cursava o ensino médio; logo, eu fui tia aos 14. Fora o primeiro susto causado pela notícia […]

Compartilhe:
Vem tomar café comigo?

Meu irmão foi pai aos 17, quando ainda cursava o ensino médio; logo, eu fui tia aos 14. Fora o primeiro susto causado pela notícia em uma família conservadora, a Natália foi, desde então, a alegria da casa. E eu morro de orgulho quando dizem que ela é parecida comigo.

Como filha de um adolescente, é claro que ela acabou vítima de alguns experimentos. Com o dinheiro dos primeiros plantões médicos, meu irmão fez uma proposta: criou uma mesada vinculada ao número de páginas de livros que ela lesse. Cada página valia 10 centavos no fim do mês.

Se naquela época eu fosse mais do que uma pirralha e já tivesse lido um pouco sobre finanças e crianças, teria proibido o ato. Anos mais tarde, ouviria de uma especialista em mesada que não se paga para a criança fazer o que é sua obrigação, nem pelo que deveria ser fonte de prazer. Quando o pagamento fosse interrompido, a criança deixaria os bons hábitos de lado.

Teoria versus realidade: a Natália é até hoje a leitora mais aficionada que eu conheço. Peça-me para lembrar de uma única imagem dela e será com um livro ou o Kindle na mão (o Kindle foi mérito meu, com licença).

Dia desses, minha irmã mandou no grupo da família no WhatsApp um desafio da BBC, segundo o qual ninguém teria lido mais de 6 de uma lista de 100 livros clássicos. Eu me gabei de já ter lido 8, e fui humilhada na sequência pela minha sobrinha, hoje com 19 anos: ela já tinha lido 15 daquelas obras.

O ponto alto da minha casa é uma estante de livros. Hoje tenho uma predileção pelos autores latinos: Benedetti, Zambra, García Márquez… No campo da não ficção, Taleb, Kahneman, Swensen e Ariely. No meu caso, funcionou o racionamento: com medo de eu virar um ser antissocial, minha mãe escondia os livros depois de algumas horas de introspecção. Era hora de brincar.

A correria do dia a dia atrapalha, mas eu tento cultivar o hábito. Até porque algumas das pessoas mais inteligentes que eu conheço são devoradoras de livros.

E é por isso que eu não poderia me orgulhar mais do que vai acontecer na próxima terça, dia 27 de novembro: em meio aos meus tão queridos livros, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo, vamos lançar o “Conversas com Gestores de Ações Brasileiros” em uma edição linda da Companhia das Letras.

Para quem conhece o primeiro livro, que atingiu a marca de 30 mil exemplares somente atendendo à demanda online da Empiricus, esta é uma edição mais parruda: com novo prefácio do Felipe Miranda, nova introdução minha e três novas entrevistas.

Além da mesa de autógrafos (se é que você vai querer que eu rabisque seu livro), os gestores da M Square, da XP e da HIX vão estar conosco para uma conversa sobre perspectivas para a Bolsa. E, claro, vamos compartilhar um cafezinho. Mais detalhes no convite abaixo. Vou adorar ver você lá!

Cota Cheia

Acaba de nascer o primeiro fundo que investe em criptomoedas acessível ao investidor de varejo, da gestora BLP. É o primeiro instrumento regulado brasileiro para acessá-las.

O produto nasceu sustentado em um ofício circular da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) direcionado a administradores, gestores e auditores de fundos, em resposta a consultas sobre investimento por fundos regulados em criptoativos.

A resposta não foi direta, mas o ofício informa que a instrução de fundos, ao tratar de investimento no exterior, não veda o investimento indireto em criptoativos.

Como um fundo oferecido no varejo pode investir no máximo 20 por cento de seu patrimônio no exterior, o fundo da BLP aloca os 80 por cento restante em títulos públicos pós-fixados. Quer saber se vale a pena investir no fundo? Acesse nossa avaliação aqui.

Cota Murcha

Se você é um investidor de varejo, ficou chupando dedo diante das recentes aberturas de capital de empresas brasileiras na Bolsa americana, caso da PagSeguro, por exemplo.

As altas das ações mostram que listar no exterior tem sido uma decisão acertada para as companhias. O problema é que uma empresa precisa ter a maior parte da receita dela vinda de fora para emitir recibos de ações aqui (os chamados BDRs).

Conclusão: um fundo oferecido no varejo só pode comprar essas companhias se o mandato permitir investir fora e, mesmo assim, limitado a 20 por cento do patrimônio – o máximo autorizado no exterior. Os fundos de BDRs, sem limites para aplicar nesses ativos, ficam de fora desse mercado.

Já tem gestor diferenciando o fundo dedicado ao varejo e ao investidor institucional do que pode ser acessado pelo qualificado – com mais de 1 milhão de reais em aplicações financeiras – para conseguir comprar as brasileiras com listagem gringa. Quem perde para variar? O investidor de menor porte.

QUER SER O PRIMEIRO?

Você deve ter visto que a Sapore anunciou a compra de até 49,99 por cento da IMC, dona das redes Frango Assado e Viena. A ação disparou em resposta. A informação estava no Seu Dinheiro, em primeira mão, 11 dias antes. Quer ser o primeiro a saber o que vai acontecer da próxima vez? Então assine (sem qualquer custo) a newsletter do Seu Dinheiro aqui.