Yevgenia Nikolayevna Krasnova e as Baratas Negras

Quando deu fama global aos Cisnes Negros – eventos raros e de alto impacto – Nassim Taleb documentava que, depois de superados, é comum que inventemos causas óbvias para eles.

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Yevgenia Nikolayevna Krasnova e as Baratas Negras

Era um hotel bastante tradicional, no que parecia ser o Itaim do Texas (ou até um pouco melhor): calçadas bem cuidadas, belos restaurantes, gente bonita, propaganda da Charles Schwab. Não posso reclamar de como fui recebida na moderninha Austin, onde passei alguns dias da semana passada em uma conferência de jornalismo online.

Assim foi até domingo quando, de saída, tentava encaixar o Chromecast em meio às roupas de bebês encomendadas por um amigo que foi presenteado com gêmeos (brasileiros nos States, todos iguais). Eis que surge, então, sobre o tapete fio 300 do banheiro, uma barata. Das grandes, de pernas cabeludas.

A primeira reação foi dar férias ao empoderamento feminino e ligar para o namorado, que, à distância, me orientou a colocar um copo sobre a dita cuja. Parecia uma ideia ruim, mas, no pânico, eu sou obediente: em poucos minutos, a mocinha estava encurralada.

Calma, não acabou.

Retomo a arrumação quando começo a ouvir um toc-toc vindo de dentro do copo. E, na sequência, um zunido que vinha não do banheiro, mas de trás do criado-mudo. Perplexa, eu encaro ali, depois de quatro dias de hospedagem, outro ser vivo de patas cabeludas. Uma zunia, a outra batucava. Alternadamente.

Duas baratas… em comunicação! Qual a chance?

A queda do avião do Eduardo Campos, o vazamento das gravações do Joesley, a eleição do Trump, a facada na barriga de Jair Bolsonaro… Qual a chance?

Sim, eu sei que você vai tentar dizer que eram fatos previsíveis. Quando deu fama global aos Cisnes Negros – eventos raros e de alto impacto – Nassim Taleb documentava que, depois de superados, é comum que inventemos causas óbvias para eles.

Não, ainda não sabemos o resultado das eleições. Não, não será necessariamente Haddad ou Bolsonaro.

E por que digo isso hoje? Por quatro motivos:

PRIMEIRO: talvez algum entomologista possa me explicar se realmente há comunicação entre as baratas ou se eu enlouqueci.

SEGUNDO: um investidor me escreveu feliz da vida, contando que colocou todos os seus 100 mil reais em um fundo cambial no começo do ano, seguindo uma sugestão nossa. Eu falei para investir em fundo cambial, sim, mas não todo o seu dinheiro! Não faça grandes apostas direcionais agora. Não sabemos o que vai acontecer. Podem, sim, aparecer duas baratas no seu quarto de hotel.

TERCEIRO: tenho me sentido um pouco Yevgenia Nikolayevna Krasnova – a personagem fictícia de Taleb, obscura e não publicada, a quem nenhum editor daria atenção, e que colocou um manuscrito do seu livro na web. Ela encontrou ali um perspicaz proprietário de uma pequena e desconhecida editora, que se ofereceu para publicá-la. O livro pegou fogo lentamente, tornando-se um dos grandes e estranhos sucessos da história da literatura.

Eu, essa menina registrada em Diamantina, no interior das Minas Gerais, que costuma ficar com as bochechas vermelhas e quentes quando vira assunto na mesa, aceitei o desafio proposto pelo Felipe Miranda para escrever um livro de entrevistas com os maiores investidores da Bolsa brasileira. No pânico, eu sou obediente.

Publicamos. Sem editora, chegamos a 38 mil cópias! Foi então que a Companhia das Letras, a mais renomada editora brasileira, decidiu lançar uma nova edição do livro, revista e ampliada. Qual a chance?

Agora, além dos gestores da Brasil Capital, Dynamo, Opportunity, Fama, Bogari, Teorema, Constellation, BTG Pactual, Tarpon, Vinci, SPX, Skopos, Verde, Perfin e Pipa Global, temos conversas muito proveitosas com os da HIX, M Square e XP Gestão. São segredos para ganhar dinheiro em Bolsa, agora em modo turbinado! Eu fiz uma nova introdução e o Felipe, um novo prefácio.

No primeiro dia, já foram 1 mil livros. Quero agradecer a quem nos prestigiou. Se você não tem um exemplar ainda, parece que o pessoal está gostando, viu? Conheça aqui.

E o QUARTO vem a seguir: depois de duas baratas se comunicando em um luxuoso quarto de hotel e um livro de investimentos que vende mais do que pão quente, a surpresa do momento é a reabertura do fundo Verde, gerido por Luis Stuhlberger.

Seu fundo

Se você conhece, minimamente, de fundos, é bem provável que já tenha ouvido falar do Verde. Ele é o mais famoso multimercados brasileiro e estava fechado há muitos e muitos anos.

Não achei que veria ainda nesta vida o fundo reabrir. E, sim, isso está acontecendo agora. Não só no private banking – onde o Verde sempre teve seu público cativo –, mas também no varejo.

O retorno histórico salta aos olhos: desde o seu primeiro ano completo, 1997, o fundo rende 15.180 por cento contra 1.991 por cento do CDI.

Houve um único ano de prejuízo: 2008, o da crise financeira americana. E foi somente nesse e em outros dois anos – dos 20 de história – que o Verde perdeu para o CDI, referencial das aplicações conservadoras.

Investir no Verde hoje, entretanto, não é uma decisão óbvia. A porta só se abriu porque alguns investidores decidiram sair, motivados pelo desempenho recente aquém do que esperavam. É verdade que o fundo não está em seus anos dourados – nos últimos 24 meses, o lendário Verde rende 78 por cento do CDI.

A XP e a Rico fizeram uma abertura-relâmpago na sexta, com fechamento já na segunda, mas haverá outras portas. Estamos atentos.

Preparamos uma publicação especial sobre o Verde, em que apresentamos uma avaliação independente do produto do ponto de vista quantitativo e qualitativo, e dizemos se você deve ou não investir nele. E, por fim, vamos informá-lo ou informá-la sobre todas as janelas de entrada. Quer acessar? Veja os detalhes aqui.