Bancos armam retranca no financiamento imobiliário

O financiamento é o coração de qualquer mercado imobiliário no mundo

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Caro leitor,

Outro dia estava assistindo (de novo) um desses programas no qual as pessoas apresentam seus problemas financeiros a um especialista.

Uma delas reclamava de um financiamento imobiliário negado, pois um dia teve seu nome negativado, naquelas listas de devedores do Serasa ou SPC. O detalhe era que isso havia ocorrido há anos e, naquele momento, a pessoa estava com o nome limpo e cristalino como as praias do Caribe.

O fato é que o banco pode negar crédito com base nos critérios que escolher. Já relatei aqui na série de Imóveis que os bancos começaram a olhar também o comportamento dos cartões de crédito para recusar financiamentos.

Há muito tempo não se via os bancos jogando com tamanha retranca. E não é só para financiamentos imobiliários. Notícias relatam que 70% das propostas de financiamento de automóveis estão sendo negadas.

Para aumentar o inferno astral dos financiamentos, as aplicações na poupança vêm encolhendo na casa dos bilhões a cada mês. As pessoas começam a fazer conta que a poupança rende menos que a inflação. E, juntamente com a LCI, a poupança é a principal fonte de financiamento imobiliário do país.

O financiamento é o coração de qualquer mercado imobiliário no mundo. Sem ele, as coisas complicam: poucas pessoas conseguem comprar uma casa.

Mais um mês de Fipe-Zap abaixo da inflação

Por isso não surpreende a notícia de que o índice Fipe-Zap para imóveis residenciais, mais uma vez, ficou abaixo da inflação. O índice de preços de imóveis de 20 cidades subiu 0,17% em fevereiro contra um IPCA de 1,07% e um IGP-M de 0,27%.

Já discutimos que, na prática, este índice está bem pior do que esse crescimento de 0,17%, pois o indicador só captura as ofertas de imóveis cadastradas e não o valor real final das transações.

Esse resultado está de acordo com nosso cenário base para preços de imóveis residenciais que desenhamos no relatório de novembro de 2014. Naturalmente, continuamos atentos a potenciais mudanças na análise.

PIB do Brasil = Imóveis de Londres?

Mudando o assunto para mercados mais exuberantes, segundo as contas de uma imobiliária londrina, se você quisesse comprar a totalidade dos imóveis localizados em Londres precisaria fazer um “checão” de US$ 2,2 trilhões. Isso mesmo, trilhões. Tal cifra, por uma dessas ingratas coincidências, é similar ao PIB do Brasil.

Posto de outra forma, se os 200 milhões de brasileiros, as indústrias, o comércio, o serviço e a agricultura usassem toda a riqueza gerada em um ano no Brasil, daria para comprar Londres.

A notícia transmite ideia de que o Brasil inteiro vale uma Londres, mas não é nada disso. Para conseguir uma boa manchete, os jornalistas comparam estoque de riqueza (dos imóveis de Londres) com o fluxo de riqueza gerada em 1 ano (do PIB do Brasil). Não são comparáveis.

É como se a gente quisesse comparar o total de água em um lago com o fluxo de água que passa pelo rio que o abastece. Ou, se preferir, é como comparar o que está na conta de um bilionário, ao final do ano, com aquilo que ele ganhou durante o ano todo.

De qualquer forma, Londres está muito cara. O yield de aluguel de um imóvel em Londres é algo que beira o ridículo. São duas razões principais. A primeira é o baixíssimo juro de 0,5% ao ano que prevalece no mercado inglês. A segunda é a enorme quantidade de dinheiro estrangeiro neste mercado.

Londres é super amigável às grandes fortunas. Não há impostos sobre a renda gerada em outros países. Então todo bilionário e multimilionário que se preze transfere domicílio para Londres.

Assim, dinheiro de toda a Europa, Oriente Médio, Índia e até África aparece para comprar imóveis. É o programa Minha Mansão, Minha Vida.

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Grande abraço,

Marcio Fenelon

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