Fuja de imóveis únicos

Evite os erros e siga o exemplo dos profissionais do setor

Fuja de imóveis únicos

Caro leitor,

Um colega resolveu seguir em frente com uma enorme reforma no apartamento que tinha acabado de comprar. Mais de um ano depois ele transformou o grande apartamento de 4 dormitórios em um apartamento de solteirão com um dormitório só.

Ele estava extasiado com a sala e cozinha enormes para receber os amigos. Obviamente ele era solteiro na época.

Em vários outros artigos já conversamos que mesmo em um mercado muito difícil como o atual existe um componente demográfico que não tem economia que pare.

Temos uma população jovem que está entrando no mercado de trabalho e parte desta população está saindo de casa (sozinha ou casada).

Então a conversão feita pelo colega foi na mosca, certo? Afinal de contas o apartamento ficou perfeito para solteiros e casais sem filhos.

Não, na verdade foi uma péssima escolha.

O jovem que sai de casa para a primeira moradia está pensando no menor imóvel possível, pois não tem renda para bancar algo maior.

Em termos de segmentação de público, pela metragem, este apartamento é indicado para pessoas que já conseguiram uma renda maior do que aquelas em início de carreira.

Então podemos falar que este apartamento é adequado para o consumidor que já conseguiu juntar um bom patrimônio e que está saindo de um casamento. E a última coisa que essas pessoas querem é um apartamento enorme para cuidar e pagar. Querem coisas menores e mais práticas.

No final das contas, este apartamento serve como uma luva para um segmento pequeno da população. Pessoas que querem permanecer solteiras e que gostam de ter um enorme apartamento.

O público alvo deste apartamento foi reduzido de forma relevante com esta reforma. A demanda também será reduzida quando for colocado à venda e, portanto, a liquidez e o valor foram comprometidos.

É o tipo de reforma que destrói valor.

Evite esse erro de principiante I

Este é um perigo constante para quem desenvolve ou reforma imóveis. Um erro primário é fazer algo com base em seu gosto e vontade, sem levar em conta o que mercado pede.

Recentemente fui visitar um imóvel e percebi o orgulho do dono pelo fato do seu imóvel ser único. Ele transformou um dos quartos em um enorme closet combinado com banheiro e hidromassagem.

O pior é que a única forma de acessar esse closet era através do quarto principal, acabando com qualquer esperança de uma reversão para mais um dormitório sem gastar uma fortuna.

A outra questão era que os dois quartos restantes eram minúsculos e, assim, toda a estrutura de armários para todas as pessoas da casa estava concentrada no closet que só pode ser acessado através do quarto principal.

Para o caso de uma família, os filhos teriam que invadir o quarto do casal para poder se trocar. Adeus privacidade.

E o dono do imóvel extremamente orgulhoso não percebeu que restringiu a demanda do imóvel para casais sem filhos.

 

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