Throwback Tuesday

O momento é de retrocesso, mas é preciso pensar que já vivemos momentos piores.

Throwback Tuesday

O famigerado Plano Collor foi lançado em 1990. Na época eu era estudante de administração de empresas e cursava o terceiro ano. Recordo esse período com total clareza. Vínhamos de uma inflação de 30% ao mês, na média, e o Plano Collor era mais uma tentativa de acabar com esse sofrimento.

Havia um enorme dispêndio de energia só para lidar com a inflação. As pessoas recebiam o salário e imediatamente aplicavam no overnight (uma aplicação de 1 dia que não existe mais). Os salários eram negociados todos os meses e, inevitavelmente, perdiam para a inflação em alguns deles.

Na ida ao supermercado todos faziam um estoque enorme de produtos, pois o preço subia diariamente. Era uma luta contra o cara da maquininha que reajustava os preços furiosamente (ainda não tínhamos o código de barras).

Eu me lembro da ministra Zélia Cardoso tentando explicar o plano, o confisco das aplicações e da poupança e o congelamento de preços e salários. Zélia literalmente engolia em seco a cada 30 segundos enquanto discursava para uma população atônita.

Hoje eu entendo que aquilo era uma resposta do corpo da ministra ao tamanho da intervenção feita na economia brasileira.

A situação atual da nossa economia é muito ruim, mas certamente já esteve muito pior.

Mais um pacotão para o meu currículo

Agora, sem engolir em seco e duas semanas depois de mandar uma proposta de orçamento deficitário ao congresso, Barbosa e Levy anunciaram uma série de medidas para reverter o quadro atual para um superávit de 0,7% do PIB. Isso significa implementar ações para incrementar o resultado do país em R$ 66,2 bilhões.

Suspeito que toda essa confusão tenha sido resultado de uma estratégia que acabou se provando muito errada. Tenho a impressão de que a ideia era colocar o Congresso numa sinuca para que os custos políticos do ajuste fossem divididos. No entanto, tudo que se conseguiu foi uma confirmação mais rápida do esperado rebaixamento do rating.

Parabéns aos envolvidos.

Duas medidas afetam diretamente o setor imobiliário

Duas medidas afetam o setor imobiliário diretamente. Em primeiro lugar, o governo repassou para o FGTS um custo estimado em R$ 4,8 bilhões em subsídios da primeira faixa do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Uma segunda medida anunciada é uma alíquota progressiva para o imposto de renda sobre ganhos de capital de pessoas físicas. Atualmente a alíquota é de 15% sobre o ganho de capital apurado independentemente do valor do bem a ser vendido.

A partir da implementação das mudanças, somente bens vendidos por menos de R$ 1 milhão é que pagarão a alíquota de 15%. Para bens vendidos por mais de R$ 1 milhão e menos que R$ 5 milhões a proposta é de aumento da alíquota para 20%. As vendas entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões terão uma alíquota de 25% e tudo aquilo vendido por mais de R$ 20 milhões pagará 30% de imposto sobre o ganho.

 

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