Um mito destruído e três conclusões importantes

Nos últimos 12 meses, 24% das compras de imóveis foram de caráter especulativo

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Caro Leitor,

Você já viu cabeça de bacalhau, enterro de anão ou respondeu a uma pesquisa eleitoral?

Pois bem, eu consegui derrubar um desses mitos recentemente.

Tenho o hábito de evitar usar o carro em pequenas distâncias e acabo andando bastante pela cidade. Um belo dia, no caminho de volta entre minha padaria preferida e minha casa, fui abordado por um rapaz com uma prancheta na mão.

Ele se apresentou como um pesquisador de um desses institutos de pesquisa e perguntou minha idade. Quando respondi, ele claramente ficou chateado porque não era o que estava procurando. E agradeceu. Eu virei as costas e retomei o meu caminho.

Uns 20 segundos depois, ele correu em minha direção e perguntou novamente minha idade. Respondi a mesma coisa. Só que desta vez ele disse que havia cometido um engano e que na verdade eu servia para a pesquisa. No mínimo ele calculou que ia demorar o dia inteiro para achar alguém com a idade que precisava e decidiu “improvisar” comigo mesmo.

Foi a primeira vez que respondi a uma pesquisa eleitoral. Hoje posso testemunhar que os pesquisadores existem, riscando este item dos mitos que a internet inventa.

Brincadeiras à parte, vamos falar de pesquisas. Às vezes, investir no Brasil é um ato de fé. Sim, tem toda questão de burocracia, impostos, custo Brasil e etc.. Mas me refiro especialmente à falta de informações para o investidor ou o comprador comum.

Se comparamos com o mercado americano dá vontade até de chorar pela enorme diferença na quantidade e qualidade de dados disponíveis.

Aos poucos, estamos evoluindo. Há novas publicações e institutos de pesquisa empenhados em melhorar a qualidade da informação.

Um exemplo é a pesquisa “Raio-X FipeZap” que traz dados muito interessantes para quem investe em imóveis. Na edição mais recente, conhecemos três questões muito interessantes que podem melhorar a análise sobre a situação atual do mercado.

Comento abaixo sobre as três conclusões. Duas fazem parte da área PRO da newsletter, exclusiva aos assinantes da série de Imóveis.

Participação de investidores

Os investidores têm tido uma grande participação nas compras de imóveis. Nos últimos 12 meses, a estimativa é que 42% das transações com imóveis foram feitas com o objetivo de investimento.

Não menos interessante é saber que 42% dos investidores têm o objetivo de alugar o imóvel, enquanto 58% têm o objetivo de revender com lucro.

Em outras palavras, 24% das compras nos últimos 12 meses foram de caráter especulativo, em que as pessoas não pretendem manter a propriedade no longo prazo.

Tal situação não chega a ser um problema em períodos de mercado forte, pois a demanda sólida “salva” os compradores especulativos.

Mas em tempos de demanda mais fraca, alguns desses investidores enfrentarão problemas para vender os imóveis.

Por si só, isso já seria um indicativo das dificuldades do mercado, mas ainda há outro dado para reforçar as preocupações.

No terceiro trimestre de 2014, a participação do investidor caiu fortemente. No período, as compras de investidores representaram só 20% do total. Uma queda de mais de 50%.

Ou seja, criou-se um quadro em que, potencialmente, uma parte importante do estoque de imóveis à venda é de investidores especulativos que lidam com uma redução de mais de 50% da demanda de outros investidores especulativos.

Razões para a queda de participação de investidores —> Exclusivo para assinantes

 

O segmento de mercado que continua comprando —> Exclusivo para assinantes

 

Até semana que vem.

Grande abraço.

Marcio Fenelon

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