Vamos investir no hotel mais macabro do mundo?

Hotel que serviu de inspiração para série American Horror Story é bom caso de oportunidade imobiliária em cenário nada inspirador

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Vamos investir no hotel mais macabro do mundo?

Caro leitor,

O artigo de hoje está carregado de imagens fortes. Se você for muito sensível, sugiro que não leia os próximos parágrafos.

Imagine que eu sou um empreendedor imobiliário e o chame para um almoço em que apresentarei um grande negócio a você.

Vamos operar um hotel no centro da valorizada e movimentada Los Angeles.

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A oportunidade é para alugar esse hotel por 99 anos, o que equivale a praticamente comprá-lo em suaves prestações sem juros.

Mas há uns probleminhas que precisamos superar.

O hotel está localizado perto de uma área conhecida como Skid Row, frequentada por sem-tetos e viciados, numa espécie de Cracolândia de Los Angeles. 

Desde a década de 1920, o hotel é conhecido como palco de vários assassinatos.

Duas jovens, uma em 1962 e outra em 1967, cometeram suicídio em suas dependências.

Nota da editora: O assunto do dia está aí, não podemos fugir: Brexit. Ontem discutimos o tema na nossa transmissão ao vivo, no Facebook. Hoje é dia de forte aversão ao risco, com mercados de ações em queda. Jim Rickards, que escreve para a Empiricus, havia feito uma ótima leitura do tema,. Se você ainda não leu, veja agora.
Um abraço, Olivia Alonso

 

O Homem Que Acertou O Trade Do Ano (BREXIT)

Veja aqui a estratégia altamente alavancada que gerou lucros estratosféricos contrariando todas as projeções do mercado

 

Nas décadas de 1980 e 1990, dois famosos assassinos em série foram clientes regulares, utilizando o hotel como sede para alguns de seus ataques.

Em 2013, acharam o corpo de um jovem em sua caixa-d’água.

O hotel serviu de inspiração para a atual temporada da série American Horror Story.

O que você responderia a essa proposta?

Se você acreditava que nunca na sua vida entraria numa fria, pense novamente.

Na verdade, estamos diante de uma grande oportunidade.

A Ollie e a Simon Baron Development perceberam isso e toparam alugar o prédio pelos próximos 99 anos pagando US$ 3 milhões por ano.

Além disso, pretendem investir US$ 100 milhões para transformar 301 unidades em microapartamentos para millennials (jovens nascidos entre 1980 e 2000) e o restante dos quartos em um hotel-butique.

O empreendimento terá uma área comum imensa com cerca de 3 mil m2, piscina no terraço e uma academia, e os 301 apartamentos terão móveis adaptados a várias funções, para maximizar o espaço de 26 m2, e terão um aluguel entre US$ 1.200 e US$ 1.500.

Os empreendedores sabem que 60% dos inquilinos em Los Angeles são solteiros. Por isso, os apartamentos virão mobiliados, com wi-fi e tv a cabo grátis, além de contar com um zelador, que fará a limpeza dos apartamentos, e um concierge para pequenos serviços.

Eles sabem que a demanda por apartamentos para aluguel no centro da cidade só tem aumentado, razão pela qual o preço por metro quadrado dobrou desde os anos 2000. Los Angeles simplesmente não tem residências suficientes para o atual crescimento de sua população.

É um caso clássico de gentrificação. A restrição de espaço e o aumento populacional fazem com que áreas que antes seriam rejeitadas tornem-se, hoje, desejadas, principalmente pela população mais jovem.

O Felipe Miranda, nosso estrategista-chefe, deve mais uma de suas ideias malucas (até se provarem acertadas). Ele explica neste vídeo.


Ao reposicionar o empreendimento para microapartamentos voltados a esse público ­ jovem e com bom poder aquisitivo­ em uma área de crescimento populacional, os empreendedores sepultaram a péssima reputação do prédio.

Só o aluguel das 301 unidades tem potencial de gerar cerca de US$ 3,9 milhões por ano, segundo minhas estimativas. Ainda existirão outras 299 unidades que serão destinadas para um hotel-butique com potencial de facilmente trazer mais US$ 4,9 milhões por ano.

Pagando o aluguel US$ 3 milhões anuais para o dono do prédio, ainda sobram US$ 5,8 milhões nas mãos do empreendedores.

Teremos um empreendimento que poderá ser vendido por US$ 175 milhões depois de pronto e operando (com base no cap rate de 3,25% da região de Los Angeles), lembrando que os investimentos totais serão de US$ 100 milhões.

Interessa ter um retorno de 75% em dólares em poucos anos?

Se eu tivesse a oportunidade de participar desse projeto, minha resposta seria um sonoro sim, pelo público-alvo, pela inteligente mudança de utilização do prédio, pela proposta de valor e pelo retorno, mesmo tendo que engolir o show de horrores da história que o prédio carrega.

 

Abraço,

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