Você, cobaia

Gestores de multimercados que nunca tocaram a mão em Bolsa, sem que o investidor esteja ciente disso, começam a incluir ações no portfólio. Que você não seja cobaia desses gestores!

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Você, cobaia

Depois de muito tempo fora do circuito de baladas, resolvi encarar uma. Tomei um vestido emprestado com uma prima, caprichei na maquiagem e, algumas horas depois, estava eu olhando fixamente para o cardápio de bebidas, com minha melhor cara de balada, tentando escolher na escuridão entre “Better single than” e “Nothing sweet about me” – ponto para a criatividade do barman!

“Oi, quer uma ajuda? Você não parece fazer parte desse ambiente” – era uma cantada, eu acho, mas toda a minha autoestima baladeira se derreteu ali.

No mercado global de fundos de investimento, essa tentativa de ser o que não se é tem nome: “style drift”. E me preocupa que ela esteja acometendo alguns gestores brasileiros – não em seu modo mais drástico, de quebra de mandato, mas no mais leve, porém não menos desastroso, de trocar o pneu com o carro andando sem nunca ter feito isso antes. E sem que o investidor esteja ciente disso.

No país dos juros historicamente altos, nossos gestores de multimercados sabem fazer – e muito bem, como avisei aqui há um ano – gestão de títulos de renda fixa. Eles navegam entre pós, prefixados e indexados à inflação e seus prazos com a presteza que eu amarro meus cadarços. Não foi à toa que muitos ganharam mais de 150% do CDI em 2017.

Acontece que o cenário mudou. Os juros foram de 14 para 7. E eles não vão de 7 para 0.

E agora? Gestores que nunca tocaram a mão em Bolsa começam a incluir ações no portfólio. Aqueles que nunca olharam para fora – ter ido conhecer o Mickey ou a Muralha da China não conta – de repente operam juros americanos e ações de empresas de tecnologia chinesas.

Penso no encontro do chinês para quem a palavra Tencent soa como Google com aquele ser de olhos grandes: “Oi, quer uma ajuda? Você não parece fazer parte desse ambiente”.

É claro que a habilidade se aprimora com o tempo, mas você apostaria 50 mil reais na defesa de que eu não serei um peixe fora d’água já na próxima balada? (Responda sim para me agradar, por favor.)

Quanto aos gestores, prefiro não assistir de dentro à estreia na Bolsa ou nos mercados globais. E sugiro que você faça o mesmo.

Em 2018 dê preferência a gestores de multimercados que têm equipes dedicadas a Bolsa há algum tempo – ainda que essa seja uma estratégia menor dentro do fundo até aqui, dados os juros brasileiros tão elevados – assim como a ativos estrangeiros.

Os multimercados captaram 100 bilhões de reais em 2017. Entrar em qualquer um que aparecia à sua frente deu certo no ano passado. Muito provavelmente vai dar errado em 2018.

O tema do “style drift” dá muito pano para manga. Um gestor de ações que usa o caixa para também investir em câmbio ou juro entra no mesmo saco? Tenho para mim que o que realmente importa é que o investidor esteja ciente dessa possibilidade.

Um tipo de fundo em que me parece haver com frequência style drift e, com um potencial nocivo, é o cambial. Um bom planejador financeiro vai recomendar que você não especule na moeda americana, use apenas para proteção ou para fazer frente a passivos em dólar.

Recomendo fortemente que você confira a carteira de seu fundo cambial agora no Buscador de Fundos, construído pela Empiricus em parceria com a Quantum. Dentre as dez maiores posições, encontrou algum título de dívida, tipo CDB ou letra financeira?

Vejo alguns fundos grandes da indústria que investem também em títulos de crédito. Não é ilegal, bom dizer – a CVM define que até 20% de um fundo cambial pode ser investido em ativos não relacionados ao câmbio. Mas o investidor sabe disso?

Minha preocupação é: você usa um fundo cambial como seguro contra catástrofes. Em uma crise é muito comum que se questione a capacidade de pagamento de dívidas. E tem um monte de dívidas recheando sua proteção?

 

Soube nas últimas semanas de alguns fundos de ações que têm recebido aportes de fundos de pensão. No Brasil, eles são tradicionais investidores de renda fixa, enquanto no mundo um bom naco desse dinheiro, dado que é de longo prazo, vai para Bolsa.

Vejo dois efeitos positivos do movimento. O primeiro é para quem investe em previdência fechada – isso significa que sua aposentadoria está sendo gerida de forma mais sofisticada.

O segundo benefício é para quem é investidor de ações. O fluxo dos fundos de pensão pode dar um novo fôlego à Bolsa.

Ao longo de 2018, à medida que as NTN-Bs gordinhas ficarem magrelas, eles não terão muito para onde correr a fim de cumprir suas metas.

 

A hora é agora

Que gestor de multimercados você acha que vai pagar mais comissão para ser distribuído hoje? O do “agora ou nunca”. Ele precisa aproveitar o desempenho dos últimos 12 meses para captar, já que não sabe quando vai voltar a ganhar dinheiro.

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