A filha que presenteou o pai com 31 mil reais

Isabela conseguiu convencer o pai de um pequeno passo. Ele saiu da poupança, sim, mas manteve o dinheiro em produtos geridos por grandes bancos. E isso já fez diferença.

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A filha que presenteou o pai com 31 mil reais

Há quase dois anos recebi o seguinte e-mail:

“Oi Luciana, bom dia. Seguindo suas indicações, consegui convencer meu pai a retirar 1 milhão de reais da poupança (também fiquei pasma quando soube) e realocar metade num fundo DI baratinho da Caixa que você indicou e metade no Galileo! Obrigada.”
Isabela R.

Ontem, embaixo do chuveiro (não sei explicar o motivo, mas meu cérebro costuma trabalhar melhor limpo), tive a curiosidade de verificar o “efeito Isabela” no patrimônio do pai.

Ela não convenceu o pai de uma transformação radical em sua vida financeira: não partiu para uma corretora, não investiu tudo em ações, não ficou acompanhando o mercado todos os dias… simplesmente optou por uma combinação de dois produtos: um bastante conservador, outro entre moderado e arrojado.

Isabela conseguiu convencer o pai de um pequeno passo. Ele saiu da poupança, sim, mas manteve o dinheiro em produtos geridos por grandes bancos: Caixa Econômica Federal e Safra.

O fundo da Caixa é um Referenciado DI de taxa 0,25% ao ano – em corretora ela até encontraria um mais barato (0,1% hoje), mas já é um custo justo. E o Galileo, fundo multimercados do Safra com histórico bastante consistente, passou por várias trocas de equipe recentemente e, como consequência, não teve seu período mais brilhante.

O meu ponto é: não é que a Isabela tenha acertado previamente os fundos que mais renderiam, nem que tenha escolhido os produtos mais baratos da indústria, nem que tenha feito uma diversificação perfeita – ela apenas percebeu o retorno pífio da poupança e convenceu o pai a realocar o patrimônio em uma combinação simples de dois fundos bons. Sem malabarismos.

De 28 de novembro de 2016, data da decisão, até hoje, o que aconteceu com esse dinheiro? Na simples alocação proposta por Isabela, o patrimônio rendeu 158.700 reais. Depois de impostos – de 17,5% para o período –, o ganho foi de 130.928 reais.

E na poupança, quanto teria rendido o mesmo montante? Exatos 100 mil reais, sem incidência de imposto.

Ou seja, com um pouco de conhecimento financeiro e um bocado de iniciativa, Isabela presenteou o pai em pouco mais de um ano com 30.928 reais.

Imagine o efeito disso em cinco anos. E em dez…

Por ora, posso sugerir uma comemoração no melhor estilo pai e filha? Que tal uma bacalhoada… em Lisboa?

P.S.: Não é preciso ser milionário para perder dinheiro na poupança. Se você manteve lá 100 reais no primeiro semestre deste ano, ganhou somente 2,32 reais – atrás da inflação do período, que comeu 2,60 reais do seu poder de compra. Ou seja, fique esperto: seu dinheiro na poupança está perdendo valor a cada dia.

Seu fundo

Há duas origens muito comuns para a equipe de uma nova gestora de multimercados: tesouraria e Banco Central. O que esperar do casamento das duas? É esse o perfil da Sagmo, que colocou seu fundo na rua no mês passado – talvez você já tenha esbarrado com ele em alguma corretora ou distribuidora online.

O CEO é Marcio Ayrosa, recém-aposentado depois de 12 anos no Banco Central, onde foi chefe dos departamentos de Dívida Externa e Reservas Internacionais.

O outro sócio-fundador e principal gestor, Sérgio Zanini, já encabeçou a mesa responsável pela alocação internacional na tesouraria do Itaú. Antes disso, foi gestor da BlueCrest Capital, em Nova York.

Da vocação da dupla, claramente internacional, surgiu o plano de lançar um multimercados global macro, que pretende ganhar dinheiro com movimentos de juros, Bolsa, moedas e uma pitada de crédito em todo o mundo. Investir em Brasil é possível, mas o país é só uma das opções.

Meta ambiciosa? O principal questionamento para um gestor brasileiro que se propõe a operar globalmente é exatamente este: é possível selecionar ativos no mundo inteiro a partir do Brasil? Sergio defende que sim. E que as gestoras globais fazem exatamente o mesmo: “O importante é a rede de relacionamentos que você cria”.

Dentre as variáveis que Sergio gosta de operar está o risco político. Ele conta que vê oportunidades, por exemplo, em países com presidentes recém-eleitos, já que em geral eles querem criar uma primeira impressão positiva. Na largada, por exemplo, o portfólio ganhou com posições na moeda do México, onde López Obrador acaba de vencer as eleições.

A característica da casa é diversificação e giro rápido. “Dificilmente vamos carregar grandes posições estruturais” afirma o gestor. Agora, por exemplo, ele está com um mix comprado em peso mexicano, um pouco vendido em reais, comprado em Ibovespa, levemente aplicado em títulos públicos americanos (contando que as expectativas para os juros vão se ajustar para baixo). Mas isso pode mudar a qualquer momento.

Sobre a Bolsa, Sergio diz que gosta de operar o técnico do mercado: “Quando todo mundo está muito pessimista, então pode ser hora de comprar”.

Ayrosa terá um papel importante no controle de risco, podendo questionar posições e controlar o nível de volatilidade atingido. Ter alguém com um nível hierárquico elevado nessa posição é um bom atributo.

O fundo tem meta de volatilidade de 7%, podendo chegar a 10% em períodos de alta convicção da equipe. Ou seja, é um fundo que pode ter prejuízos no curto prazo, em prol de um retorno maior no longo prazo (é preciso ter um horizonte de investimento de pelo menos dois a três anos).

O objetivo desta seção é que você conheça os fundos que estão disponíveis no varejo. Você pode dar ideias de produtos para serem apresentados aqui. Se quer saber se sugerimos investir ou não nesse e em outros fundos, seu lugar é aqui.

Oportunidade

De tempos em tempos, o mercado cria oportunidades de enriquecimento expressivo. Para não perder a próxima onda, sugiro que você veja este vídeo.