À vista ou parcelado, como pagar o IPVA?

O desconto para pagamento à vista do IPVA deve ser maior do que o retorno do investimento, caso investisse o dinheiro. Descubra como fazer a conta!

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À vista ou parcelado, como pagar o IPVA?

Caro leitor,

Quantas vezes você já ficou em dúvida sobre se deveria pagar uma conta ou compra à vista ou realizar em parcelas?

Em primeiro lugar, se o pagamento à vista não der direito a nenhum desconto, a resposta é fácil: parcele.

Também é lógico concluir que vale a pena pagar à vista quando o desconto é bom. Mas quando ele é bom o suficiente? 3%, 5%, 10%, 15% valem a pena?

A lógica para decidir se vale a pena pagar à vista ou em parcelas é a mesma para qualquer conta. Neste texto, vou dar como exemplo o IPVA, cuja data de vencimento varia de acordo com o estado e com o final da placa.

Por exemplo, para o Estado de São Paulo, as datas são:

Basicamente, o que você precisa verificar é se o desconto para o pagamento à vista é maior do que o retorno que você teria caso pagasse apenas a primeira parcela (e investisse o restante do dinheiro).

Como fazer a conta?

#1 Calcular o retorno da aplicação

O primeiro passo é saber o retorno que você consegue obter com as aplicações que estão em seu colchão de liquidez, pois é preferencialmente com esse dinheiro que você vai pagar a conta em questão.

Vou usar como exemplo um CDB que pague 100% do CDI, que esperamos que fique em torno de 6,80% no ano. Desta forma, o CDB teria rendimento próximo a 6,80% em 2018.

O correto neste caso seria considerar um resgate desse dinheiro em menos de seis meses, ou seja, você pagará por isso um Imposto de Renda de 22,5% sobre os ganhos [6,80% x (1 – 0,225)]. O seu retorno líquido seria, portanto, de 5,27% ao ano com esta aplicação.

Continuando a conta, vamos agora ao segundo passo.

#2 Calcular o valor do desconto

Para mostrar como calcular o valor do desconto, vou usar um exemplo real de pagamento de IPVA:

Cota única: R$ 1.294,63
1ª parcela: R$ 444,89
2ª parcela: R$ 444,89
3ª parcela: R$ 444,89

A soma das três parcelas é R$ 1.334,67, o que significa que, no pagamento à vista, o desconto seria de R$ 40,04. Em um cálculo aproximado, seria o equivalente a 3% do total.

Intuitivamente, pode-se supor que um desconto de 3% seja muito pequeno e que seria melhor parcelar.

#3 Comparar os valores

De um lado, temos um ganho de 5,27% ao ano. De outro, temos uma economia de cerca 3%.
Vamos fazer os cálculos do parcelamento, com investimento do dinheiro.

Supondo que parcele, você pagará imediatamente R$ 444,89. Restará a diferença do valor e do montante da parcela única para investir. R$ 1.294,63 – R$ 444,89 = R$ 849,74.

Agora, vamos transformar 5,27% ao ano em uma taxa mensal (no Excel: =(1+0,0527)ˆ(1/12)-1), que corresponderia a de 0,43%. Em um mês, o ganho seria de R$ 3,64, resultando em um total de R$ 853,38.

Para pagar a segunda parcela, seria preciso resgatar R$ 444,89, restando R$ 408,49 para investir. Em um mês, o ganho seria de apenas R$ 1,75, resultando em R$ 410,25.

No terceiro e último pagamento, seria preciso resgatar outros R$ 444,89, mas só temos R$ 410,25, sendo necessário completar com uma diferença de R$ 34,64. Ou seja, no total, foram pagos R$ 1.294,63 + R$ 34,64 = R$ 1.329,27.

Logo, é melhor pagar de uma só vez e garantir o desconto.

Mas a decisão não deve depender exclusivamente das contas!

Sempre que o resultado indicar que é melhor pagar à vista, você precisa responder às perguntas:

1 – Você tem o dinheiro em sua conta corrente para fazer o pagamento à vista, sem ficar no negativo e, por isso, ter que pagar multas e juros do cheque especial?

2 – Esse dinheiro não vai fazer falta para pagar outras contas e, portanto, você não ficará no vermelho em nenhum momento nas próximas semanas, certo?

3 – Você vai incluir imediatamente esse pagamento em sua planilha financeira para ver como pode equilibrar suas contas ou como poderia compensar esse gasto reduzindo outras despesas?

Caso tenha respondido sim para as três questões, você pode seguir em frente e pagar à vista. Se a resposta tiver sido negativa para alguma, é melhor parcelar, pois dificilmente o desconto do pagamento à vista será maior do que os juros e as multas que você terá que arcar.

Vale pegar empréstimo para pagar à vista o IPVA?

Evite pegar empréstimos ou utilizar o cheque especial para pagar o IPVA ou qualquer outro imposto à vista. Os juros cobrados nesse tipo de crédito acabam sendo muito maiores do que o desconto oferecido. Assim, vai sair mais caro do que o imposto parcelado.

Além do pagamento à vista, sempre disponível em janeiro, é possível fazer o acerto em parcela única sem desconto em fevereiro ou em três parcelas: de janeiro a março, de acordo com a data de vencimento da placa do veículo.

Mas digamos que o resultado de sua análise financeira indique que o melhor seria o pagamento parcelado, já que não conseguiria quitar à vista sem comprometer seu orçamento. Nesse caso, você precisaria responder às seguintes perguntas:

1- Terei disciplina para realizar os pagamentos remanescentes nas datas corretas, evitando, assim, o pagamento de multas e juros? É possível deixar o pagamento em débito automático?

2- Terei dinheiro na conta para realizar os pagamentos remanescentes nas datas corretas, evitando multas e juros?

3 – Vou incluir essas despesas futuras em minha planilha financeira imediatamente e buscar uma forma de economizar com outros itens, para não correr o risco de ter um descontrole das contas nos meses seguintes?

Se você respondeu sim às três questões pode seguir em frente e parcelar.

Como saber a data de pagamento do IPVA?

A partir de 2018, os proprietários de veículos registrados no Estado de São Paulo deixaram de receber o aviso de vencimento do IPVA pelos Correios.

A consulta agora é feita apenas pela internet, no site da Secretaria da Fazenda. Para isso, é necessário fornecer o número do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotor) e a placa do veículo.

O valor também fica disponível em toda a rede bancária. A consulta pode ser realizada nos terminais de autoatendimento, pela internet ou diretamente nas agências, informando apenas o número do Renavam do veículo.

Como efetuar o pagamento

Para pagar o IPVA, basta se dirigir a uma agência bancária credenciada com o número do Renavam.
Outra opção é efetuar o pagamento nos terminais de autoatendimento, os guichês de caixa eletrônico, pela internet, débito agendado ou outros canais oferecidos pela sua instituição bancária. O imposto também pode ser pago em casas lotéricas.

Esqueci de pagar. E agora?

Aqui existem dois cenários. Se você perdeu a data para o pagamento integral do imposto com o desconto de 3%, apesar de perder a vantagem do desconto, ainda é possível realizar o pagamento integral em fevereiro. Esta é a melhor opção para evitar a multa e juros pelo atraso da primeira parcela, no caso do pagamento parcelado.

Mas, se você perder todos os prazos de pagamento, integral e parcelado, aí não tem jeito, é preciso encarar uma multa de 0,33% por dia de atraso e juros de mora com base na taxa Selic.
Se a dívida passar de 60 dias, o percentual da multa é fixado em 20% do valor do IPVA.

Permanecendo a inadimplência, além de ficar com o nome sujo, o proprietário fica impossibilitado de fazer o licenciamento do veículo.

E andar com os documentos atrasados do automóvel pode resultar em multa, sete pontos na carteira do motorista e apreensão do veículo, caso ele seja parado em uma blitz.

A melhor forma de se programar

O ideal é sempre se planejar para o pagamento das contas de janeiro, tais como IPVA, IPTU e compra de material escolar para quem tem filhos. E a melhor forma de fazer isso é se programar com antecedência.

Uma opção é separar o 13º recebido no fim do ano anterior, ou parte dele, para realizar esses pagamentos.

Outra possibilidade é usar a seu colchão de liquidez – aquele dinheiro investido em uma aplicação financeira acessível e segura, como o Tesouro Selic ou um fundo DI barato, para ser usado em casos de emergências.

Mas lembre-se que, ao utilizar esse dinheiro, você precisa recompor a sua reserva depois!