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Aprendamos com o futebol: tentar adivinhar o futuro é um exercício ingrato. Por que mesmo você está tirando dinheiro da Bolsa?

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Em semana de Alemanha eliminada em partida contra a Coreia do Sul (sim, a mesma Alemanha que vimos ganhar de 7 a 1 do Brasil há quatro anos), aprendamos com o futebol: tentar adivinhar o futuro é um exercício ingrato. Por que mesmo você está tirando dinheiro da Bolsa? Sabe de algo sobre a eleição presidencial que eu não sei?

O número da semana

1,6%. Quanto a economia brasileira vai crescer em 2018, segundo a estimativa do Banco Central, um tombo significativo em relação aos 2,6% previstos até então.

O que tá rolando?

A notícia. O que rolou mesmo nesta semana foi a bola – todos os olhares voltados para o desempenho da seleção brasileira na Copa (e também para a despedida da Alemanha, claro) –, mas o mercado teve tempo para espiar a pesquisa CNI/Ibope para presidente, que trouxe Jair Bolsonaro e Marina Silva juntos na liderança das intenções de votos, o primeiro com 17% e a segunda com 15%.

E o Ciro? Ciro Gomes aparece com 8%, tornando mais turva a fotografia de um segundo turno dele com Bolsonaro, que vinha preocupando grandes investidores.

Quem eles querem? Nas conversas com o mercado, ainda escuto que o favorito é Geraldo Alckmin, com 6% de intenções na CNI/Ibope –, mas poucos ainda acreditam na possibilidade de vitória dele. Ciro é o mais temido e Bolsonaro o que mais inspira incerteza: ninguém de fato tem ideia de se ele faria reformas fiscais, ainda que Paulo Guedes, seu eventual ministro da Fazenda, desperte confiança.

E a Marina? Grandes investidores também torcem o nariz para Marina Silva, mas têm algum conforto sobre os coordenadores de economia dela, André Lara Resende e Eduardo Giannetti (ainda que venham sentindo falta de sinais mais claros pró-mercado nos discursos).

Fiquei mais pobre ou mais rico? Os mercados se acalmaram ao menos um pouco com a última pesquisa de intenção de voto, o que foi bom para os seus ativos de risco. A única certeza que você pode ter até agora, entretanto, é que seus investimentos vão sacudir muito nos próximos meses.

Melhor ficar de fora? Se você tiver uma bola de cristal, sim. Se não tiver, concentrar-se agora em renda fixa pós-fixada (LFT ou fundo DI) vai significar ter retornos baixíssimos – lembre-se de que os juros estão no menor patamar histórico. Além disso, no caso do crescimento de um candidato forte para o mercado, você terá deixado muito dinheiro na mesa se estiver fora da Bolsa. Que tal ouvir o bom e velho conselho da vovó e não deixar todos os ovos na mesma cesta?

E a renda fixa que sacode? Já para quem tem títulos prefixados e indexados à inflação, a semana foi positiva. A forte revisão de crescimento feita pelo BC dá a deixa para que os juros continuem baixos: será preciso dinheiro barato para animar a economia.

E a poupança? Se você está na caderneta ainda, sinto lhe informar que ela rendeu por volta de 2,3% na primeira metade do ano, em linha com a inflação. Um fundo DI barato ficou perto de 3%, em vantagem, portanto, mesmo depois de descontado o imposto.

What’s going on?

News. A semana termina com os temores de guerra comercial despertada pelo presidente americano, Donald Trump, perdendo força.

Morde e assopra. Trump sinalizou respeito aos chineses em público, arrefecendo a ponta mais tensa da guerra fria: a que pode se travar entre os dois gigantes comerciais. A China, por sua vez, apontou para um alívio nas restrições aos investimentos estrangeiros em setores como bancos e agricultura.

Bipolar. Os ativos de risco reagem às ameaças de guerra comercial com um temor de que ela provoque uma desaceleração da economia global. Mas, pensando do lado de cá, a notícia não seria boa? O que derrubou os preços aqui não foi exatamente o medo de um crescimento acelerado lá fora?

My money. Ainda não dá para apostar todas as fichas no tom conciliador, mas o fato é que as principais Bolsas americanas reagiram de forma positiva.

A boa da vez

Quer dar os primeiros passos como investidor? Encontre os últimos exemplares gratuitos do livro “Você Investidor – Tudo o que você sempre quis saber e nunca teve coragem de perguntar sobre investimentos”, da Bia Cutait, aqui.

Quer saber como investir parte do seu patrimônio lá fora? Você precisa conhecer o João Piccioni aqui.

Pra você que vê o dólar a 5 reais. Conto a melhor forma de você se defender aqui.

Amanhã é sábado

Seu filho não gosta da escola? O Ray Dalio também não gostava. Aos 12 anos ele já deixava os livros de lado para brincar de operar mercados. Hoje é o maior gestor de hedge fund do mundo. A Bridgewater, que ele fundou em 1975, decide hoje onde investir 160 bilhões de dólares!

Hedge fund? É um fundo que pode investir em tudo. O mais próximo disso que temos no Brasil é um multimercados, só que aqui esse tipo de fundo é mais regulado.

Na sua estante. O Ray Dalio escreveu um livro – “Princípios” – em que compartilha os pilares que serviram de base para o sucesso da Bridgewater, assim como conta sua própria história. Não há tradução para essa obra-prima no Brasil.

Não havia. Vou levar bronca pelo spoiler, mas não me aguentei: se você já faz parte do Empiricus Books, aposto que o maior investidor de hedge funds do mundo te fará uma visita em breve. Se está de fora desse clube, corra aqui. Confesso que essa é minha assinatura preferida na Empiricus. Não conheço sequer um investidor de sucesso com uma biblioteca mirrada.

Sua vez

Este espaço é seu: viu alguma palavra no noticiário de economia e não entendeu bulhufas? Encaminhe para: oinvestidorindependente@empiricus.com.br.