Calma, meu Tesouro!

Está na hora de ser menos passional. Use a racionalidade para fazer bons investimentos – ou pelo menos para evitar os ruins.

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Calma, meu Tesouro!

Hoje vim aqui pedir uma coisa que detesto que peçam para mim quando estou bem nervosa: fique calmo(a)!

Confesso que não tem sido fácil escrever as últimas newsletters, já que o clima tenebroso do mercado financeiro atualmente não tem deixado espaço para criatividade.

Convenhamos, quem está interessado em humor quando está vendo parte dos seus investimentos derreter?

É por isso que, de olho no tema preferido dos leitores que me escrevem, hoje quero falar com você, de forma prática, sobre o Tesouro Direto.

Os preços dos títulos públicos vêm caindo dia após dia e deixando muita gente de cabelo em pé. Com exceção do Tesouro Selic, cujo retorno acompanha a variação dos juros básicos, praticamente todos os papéis se desvalorizam neste mês e no ano.

Não só o ciclo de queda da Selic pelo Banco Central terminou, como já há quem esteja antecipando a retomada da elevação dos juros por conta da disparada do dólar. Selic mais alta é um estímulo para a volta do capital estrangeiro, o que poderia de alguma forma conter o enfraquecimento do real em relação à moeda americana, embora pudesse pressionar a inflação, principal foco do BC.

It’s the end of the world as we know it (and I feel fine)

Há muitas incertezas no horizonte com relação aos juros, ao câmbio, à confiança e à efetiva recuperação da economia, e a disputa das eleições presidenciais só adiciona insegurança num ambiente de nervos à flor da pele.

E a pergunta óbvia é: como se posicionar neste momento no Tesouro Direto?

Os títulos públicos deixaram de ser atrativos?

Como você só está perdendo, melhor realizar o prejuízo?

Ou deve se aproveitar que os papéis estão mais baratos e com taxas mais gordas para montar uma alocação de mais longo prazo?

Os títulos públicos não deixaram de ser atrativos, pelo contrário. Desde o ano passado, não víamos retornos reais (perto de 6%) tão expressivos. O problema reside na incerteza, ou seja, será que as taxas não ficarão ainda maiores no futuro e você estará abrindo mão de ganhar mais com os papéis?

É por isso que, pelo menos por ora, se posicionar em papéis com retornos pós-fixados, que aumentam conforme os juros sobem, parece mais indicado, ainda que a taxa atual siga num patamar estruturalmente baixo.

Nada lhe impede, contudo, de dedicar uma parte do seu patrimônio a papéis indexados à inflação para aproveitar os juros atuais. Só tenha em mente que eles poderão ser ainda maiores.

É importante ainda mencionar que não há por que realizar prejuízo agora. Lembre-se de que, embora os preços dos títulos públicos oscilem dia após dia, o retorno é garantido até o vencimento. Independentemente da queda recente, se permanecer com o papel até o prazo final, você vai receber a rentabilidade combinada na data da compra. Simples assim.

Está na hora de ser menos passional. Use a racionalidade para fazer bons investimentos – ou pelo menos para evitar os ruins.

Melhor da Semana

Falando em Tesouro Direto, é fundamental destacar a decisão da Bradesco Corretora de acompanhar a política de grande parte das casas independentes e zerar a taxa de administração para os investidores de títulos públicos a partir deste mês. Com isso, cliente Bradesco só fica sujeito aos custos da B3 para negociar Tesouro Direto. Antes tarde do que nunca!

Pior da Semana

Enquanto o Bradesco finalmente se mexeu, os outros quatro bancões brasileiros continuam a maltratar seus clientes que investem no Tesouro Direto. Santander e Caixa cobram taxas de administração de 0,4% ao ano, enquanto BB e Itaú, de 0,5%. Não está na hora de mudar, não?