Dólar acima de 4 reais?

O dólar que permite viajar e comprar iPhone já bateu 4 reais há muito tempo.

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Dólar acima de 4 reais?

Entre 4,03 e 4,07: enquanto o mercado discute quando o dólar vai bater 4 reais e os bancos revisam suas projeções para 3 e tanto, esse é o preço a que consigo comprar hoje a moeda americana em casas de câmbio paulistas. Ou seja, o dólar que permite viajar e comprar iPhone já bateu 4 reais há muito tempo.

O número da semana

3,34%. Encolhimento da economia em maio, segundo prévia do PIB divulgada nesta semana, efeito da greve dos caminhoneiros.

O que tá rolando?

A notícia. Geraldo Alckmin vai contar com o apoio do chamado Centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD) na corrida presidencial, cujo suporte político era esperado para Ciro Gomes.

E? Apesar de muita gente achar que os executivos do mercado financeiro apoiam Jair Bolsonaro, nas minhas andanças pelo mercado sempre escutei o nome de Alckmin ao perguntar sobre o favorito. Havia apenas descrença sobre a possibilidade de ele vencer a disputa, por estar muito atrás nas pesquisas. A notícia foi bem recebida por quem já tinha quase como certo um segundo turno com Bolsonaro e Ciro.

E o capitão? Henrique Bredda, gestor de ações da Alaska (com 4,4 bilhões de reais em Bolsa), agitou o Twitter ao contar do encontro de sua equipe com Jair Bolsonaro nesta semana. O candidato à Presidência causou boa impressão ao mostrar disposição de fazer a reforma da Previdência e também reduzir impostos.

Plim Plim. Sobre base de apoio, Bolsonaro disse à equipe da Alaska que, em vez de negociar com caciques, pretende conversar diretamente com o baixo clero, descentralizando as relações. E também falou que não dá a menor bola ao tempo de TV reduzido (entendo, eu também estaria mais preocupada se houvesse tempo de YouTube reduzido).

E meu bolso? Seja qual for o candidato, o fato de algum dos principais concorrentes ganhar as graças do mercado tende a se refletir positivamente para Bolsa, câmbio e juros.

Mais notícia. A pesquisa Focus mostrou uma elevação nas apostas para o dólar no fim deste ano. A mediana para o fim de 2019 subiu de 3,60 para 3,68 reais. Individualmente, os ajustes são mais claros: o Itaú, por exemplo, ajustou sua expectativa de 3,70 para 3,90 reais ainda no fim de 2018 (lembrando que você vai pagar muito mais do que isso na casa de câmbio).

Fiquei mais pobre ou mais rico? Se você não tem qualquer fatia do seu dinheiro na moeda americana, ficou mais pobre. Se você gosta de parafernálias eletrônicas, não abre mão do celular do ano e curte viajar para o exterior, já não deveria ter todo seu patrimônio em reais. Além disso, se você está comprado na Bolsa brasileira ou em títulos públicos, o dólar tende a ser uma excelente proteção.

Quanto? Se você vai colocar uma parcela relevante do seu patrimônio em dólar e está acostumado com o mercado financeiro, então pode se organizar para comprar dólar no mercado futuro. Se não, então um fundo cambial com taxa menor do que 1% ao ano deve fazer mais sentido para você. Além de ser bem mais prático.

What’s going on?

News. Uma sequência de dados econômicos vindos dos EUA com sinais de uma atividade não tão vigorosa, divulgados de uma semana para cá, – como de desemprego, inflação e vendas no varejo – trouxe alívio para o mercado sobre a necessidade de o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) ter que frear rapidamente a economia do país. Apenas o dado de pedidos de auxílio-desemprego, que caiu, apontou para uma economia mais vigorosa.

Quotes. O presidente americano, Donald Trump, coroou o otimismo quebrando o silêncio tradicional do cargo sobre a atuação do Fed ao dizer que não está feliz com a elevação dos juros.

I don’t understand. Ao ler ou ouvir sobre a alta dos juros, pense neles como o preço do dinheiro. O temor, principalmente de emergentes, é que o Fed deixe de lado a bondade dos anos pós-crise elevando os juros, ou seja, tornando o dinheiro mais caro (como qualquer farra, a do dinheiro barato tem efeitos colaterais). O banco central americano tem revezado, entretanto, entre sinais de duro e frouxo. A semana foi do frouxo.

My money. O tom mais frouxo do Fed tem acalmado os mercados emergentes.

The war. Os preços de ativos financeiros também seguem no embalo da guerra comercial, em geral perdendo força quando Trump faz ameaças de tarifas para importados europeus e chineses (como para automóveis e suas peças vindos da Europa), e ganhando tração quando ele dá uns passos para trás.

The goat. O presidente americano claramente fez escola de negociação: põe dois bodes na sala e depois tira só um. O problema é que dólar, juros e Bolsa refletem nos preços que os dois bodes vão ficar para sempre – e depois que não vai ter bode.

O que vem aí?

As próximas semanas serão de divulgação de balanços. As companhias listadas na Bolsa vão reportar seus resultados referentes ao segundo trimestre do ano. E daí saberemos o real impacto da greve dos caminhoneiros no dia a dia da economia.

A boa da vez

Nos pequenos frascos… Quer saber quais são as três microcaps do momento? Então siga por aqui.

E as criptomoedas? O Jim Rickards escreveu um livro que conta a guerra por trás delas.

Os 11 melhores. Toda a equipe se debruçou nesta semana para indicar os ativos em que têm maior convicção para este semestre. Vou dar spoiler de um, o único empate: NTN-B 2035. Quer saber os outros nove? Então assine a série Palavra do Estrategista.

Ponto para ele! A CVM, órgão que regula o mercado, suspendeu as negociações do fundo imobiliário Mérito por suspeita de pirâmide financeira. Enquanto casas de análise chegaram a recomendar o produto, Daniel Malheiros percebeu logo de cara que o fundo parecia uma fraude e não só não sugeriu investimento, como fez questão de alertar seus assinantes em setembro do ano passado em um comunicado extraordinário. Se você quer investir em fundos imobiliários sem cair em pegadinhas, siga o Daniel.

Amanhã é sábado

Disputa acirrada. Duas companhias americanas que você provavelmente conhece bem estão disputando a marca de 1 trilhão de dólares (isso mesmo!) de capitalização de mercado: Amazon e Apple.

Faça suas apostas. A Amazon tem que subir 13% e a Apple, 6%, para atingir a tão sonhada marca, o que pode acontecer a qualquer momento. Apesar de atrás na fila, a Amazon está mais nas graças dos analistas no momento.

Sua vez

Este espaço é seu também! Viu alguma palavra no noticiário de economia e não entendeu bulhufas? Encaminhe para: oinvestidorindependente@empiricus.com.br.