Hora do bolão

O papo político invadiu de vez as rodinhas de mercado, com muito sofrimento quanto à indefinição eleitoral. Nelas, o preferido é Geraldo Alckmin, mas, dada […]

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Hora do bolão

O papo político invadiu de vez as rodinhas de mercado, com muito sofrimento quanto à indefinição eleitoral. Nelas, o preferido é Geraldo Alckmin, mas, dada a baixa popularidade dele, Marina Silva é cada vez mais bem aceita. O pesadelo das pessoas com quem tenho conversado é a disputa Bolsonaro versus Ciro (não mate a mensageira).

O NÚMERO DA SEMANA

115 bilhões de dólares. Volume vendido ao mercado pelo Banco Central de Alexandre Tombini, nível máximo histórico, que o novo BC anunciou ontem poder “exceder consideravelmente” – tudo para tentar manter sob controle a desvalorização do real.

O QUE TÁ ROLANDO?

A notícia. O governo tem reforçado no discurso sua disposição a fazer fortes intervenções no mercado de câmbio.

Vi com meus próprios olhos. Na posse da diretoria da Anbima, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, justificou as intervenções com o entendimento de que os preços do mercado não têm refletido os fundamentos da economia.

Tapar o sol com a peneira. A atuação do Banco Central tem mantido o dólar mais baixo do que ele provavelmente estaria se ela não existisse, fato; mas o BC não tem controle total sobre a moeda. O próprio Guardia ressaltou a tendência internacional de valorização da moeda americana: “quanto a isso, não há o que o BC fazer”. A autarquia tende a apenas manter a volatilidade sob controle.

Fico mais pobre ou mais rico? Se você tem uma parcela do seu patrimônio em dólar – em geral, sugerimos pelo menos 5 por cento – então tem se protegido ao menos um pouco dos estresses recentes. Se ainda não tem, veja como fazê-lo aqui. Na renda fixa e na Bolsa brasileira, é bem provável que você tenha perdido dinheiro nesta semana em decorrência do estresse dos mercados.

Entendi nada. Na semana passada, recebi e-mail de um cliente que não entendeu por que seu título prefixado está se desvalorizando. Vamos lá: quando você comprou seu título com vencimento em 2025, provavelmente a expectativa do mercado era de que o Brasil virasse a Suíça e que os nossos juros ficassem estáveis por muito tempo (sim, o mercado tem seus momentos Pollyanna).

E agora? Com eleições indefinidas e ventos externos desfavoráveis, os títulos disponíveis no mercado são oferecidos com taxas muito mais altas – mais precisamente 11,91 por cento para o vencimento em 2025 neste momento em que escrevo. Sendo assim, por que alguém compraria o seu com taxa prefixada mais baixa? Somente se ele for bem baratinho. Por isso, o preço caiu, ou seja, seu título se desvalorizou.

2025 está ali. Quando dizemos que o papel se desvalorizou, isso vale se você quiser vender hoje. Se carregar até o vencimento, você terá exatamente os juros prefixados que combinou na largada.

O QUE VEM AÍ

A decisão. A próxima semana tem a tão aguardada reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que decide a meta para a Selic, que, por sua vez, serve de referência aos juros de toda a economia.

O que esperar? O Banco Central tem sinalizado que não vai usar política monetária – ajuste nos juros – para controlar o câmbio (ainda que juros mais altos pudessem trazer algum alívio para o real). Sendo assim, a decisão sobre o juro deveria ser balizada por atividade econômica e inflação, os dois em níveis baixos. Diante disso, eu apostaria no juro estável, mas não me peça para colocar a mão no fogo.

WHAT’S GOING ON?

News. O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) elevou na quarta-feira a taxa de juros que serve de referência a toda a economia em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 1,75 e 2 por cento ao ano. A segunda alta de 2018 já era amplamente esperada. O que deixou o mercado agitado foi o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell.

What did he say? Powell disse que a economia americana cresce a uma taxa firme e que o juro deve subir ao todo quatro vezes neste ano. A expectativa estava mais próxima de três.

And? Juro mais alto significa dinheiro mais caro. Ou seja, o Fed está dando um nó na mangueira que tem enchido a piscininha global desde o pós-crise de 2008. A cada vez que ele se prepara para apertar mais o nó, alguma parte do mundo teme pelo seu verão.

Your money. Da perspectiva de um investidor brasileiro, como eu e você, há duas formas de ver os reflexos da alta dos juros americanos. Há gente boa que defenda cada uma delas. Faça suas apostas:

Optimistic. Se o Fed está subindo juros é devido ao crescimento firme da economia americana, como disse Powell. E a maior economia do mundo em plena forma só pode ser bom para o restante do mundo. Nossas empresas exportadoras, por exemplo, deveriam se valorizar.

Pessimistic. Se o governo americano já paga 2 por cento ao ano para quem lhe empresta dinheiro e pretende subir bastante essa taxa ainda, quem vai querer emprestar dinheiro para um governo tupiniquim, cheio de problemas fiscais? O resultado esperado deve ser fuga de capitais, desvalorização do real e necessidade de ajustar nosso juro para cima.

The winner. O estresse recente do mercado – com dólar subindo contra o real, títulos prefixados perdendo valor e Bolsa em queda – mostra que, ao menos no curto prazo, os pessimistas estão na dianteira.

A BOA DA VEZ

Quer comprar dólar, mas não sabe como? Leia isso.

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AMANHÃ É SÁBADO

Hora do bolão. Você pode pensar que é uma brincadeira, mas as apostas em torno dos jogos giram muito dinheiro em todo o mundo. Estima-se que os ingleses, por exemplo, tenham gastado 1,6 bilhão de dólares com apostas sobre as partidas da Copa de 2014.

Como perder menos dinheiro? A revista americana “Behavioral Scientist” preparou um guia com vieses a se evitar a partir da análise do comportamento de apostadores. Alguns deles abaixo:

1. Não aposte no seu próprio time. Tendemos a apostar onde está nosso coração, mas, além de menos enviesada, a aposta no oponente proporciona um “hedge” – melhor sofrer pelo seu time, porém ganhar dinheiro, do que perder nas duas pontas (é claro que esse conselho faz mais sentido se você fizer parte do público da revista, majoritariamente americano).

2. Não tente correr atrás do rabo. Alguns modelos de aposta permitem ajustes enquanto a partida está acontecendo. De acordo com os cientistas, essas tentativas costumam fazer perder mais dinheiro do que ganhar (qualquer semelhança com quando você tenta vender ações, por desespero, enquanto elas caem não é mera coincidência).

3. Evite apostas específicas. Há quem aposte que um determinado jogador fará o primeiro gol de uma partida, por exemplo, ou em um combo de resultados de três partidas seguidas (sim, há gente mais louca do que você). Isso obviamente vai diminuir as chances de vitória.

PARA ACABAR

Não entendeu bulhufas? Não sabe o efeito de alguma notícia da semana sobre seu bolso? Então escreva para oinvestidorindependente@empiricus.com.br.