A louca dos Post-Its

Toda vez que vou viajar, faço um exercício indispensável para quem definitivamente não nasceu com o talento de arrumar malas: um checklist para não esquecer […]

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A louca dos Post-Its

Toda vez que vou viajar, faço um exercício indispensável para quem definitivamente não nasceu com o talento de arrumar malas: um checklist para não esquecer nada ou, o que é mais comum, para não carregar o dobro do que preciso.

Para isso, preciso levar em consideração questões como a duração da viagem, a temperatura prevista, a programação (haverá algum evento mais formal?), enfim, variáveis que alteram, e muito, o tamanho e a diversidade de mala.

Até hoje sou exagerada, mas o checklist me ajuda a ser mais assertiva e econômica, e a executar com racionalidade uma função que não me é instintiva.

Adoto listas para muitas coisas na vida. Supermercado, pequenos consertos de casa, datas de shows e peças de teatro aos quais pretendo ir, bares e restaurantes que quero conhecer, temas sobre os quais quero escrever para O Investidor Independente. Enfim, amo um checklist e sou a louca dos Post-Its. Tenho mil bloquinhos espalhados pela casa e pela mesa do trabalho.

Essa organização complementa minha memória e me faz lembrar do que importa.

Recentemente, me vi adicionando aos lembretes do iPhone a “tarefa” de contratar a SuperPrevidência da Luciana. E eis que me dei conta de que certas tarefas não são feitas para serem anotadas, mas, sim, realizadas na mesma hora. Ou eu estou disposta a perder o prazo final, no dia 2 de junho?

Tudo que diz respeito a investimento exige um esforço de curto prazo.

Por uma fração de segundos, você perde a oportunidade de comprar uma ação pelo preço desejado ou o timing para negociar os títulos públicos (aliás, fazia tempo que não víamos tamanha volatilidade no Tesouro Direto), ou vê a cotação do dólar, indispensável para aquela viagem de férias planejada para o segundo semestre, disparar em poucos dias….

Tempo importa, e muito.

Quando falamos, em uma publicação do Você Investidor do dia 20 de março, da importância de se preparar para as férias com antecedência, admito que não imaginava que o salto da moeda americana seria tão alto.

De lá para cá, o dólar comercial (que é pelo menos uns 10 centavos menor do que aquele vendido a você nas casas de câmbio) ficou 13 por cento mais caro. Se a ideia de um casal fosse gastar uns 5 mil dólares em uma viagem para a Disney ou para o Chile, por exemplo, seria necessário desembolsar mais de 2 mil reais adicionais com o novo câmbio.

Quando vejo dinheiro parado na conta, sei que preciso investir imediatamente, mas e a preguiça?

Se bobear, perco a chance de comprar as três principais ações indicadas pelo João e pelo Max por menos de 100 reais, como custavam juntas na sexta-feira passada; de incrementar a parcela de renda fixa da minha carteira com uma LCI que paga perto de 100 por cento do CDI, vendida pelo BTG; ou de finalmente adentrar o mercado de criptomoedas, com o André me mostrando qual é a estratégia usada pelos investidores milionários… Aconteça o que acontecer, definitivamente não quero fazer parte das estatísticas negativas do Brasil, como a de que quatro em cada dez poupadores sacaram parte de suas reservas em março. O indicador, do SPC Brasil e da CNDL, ainda mostrou que só 20 por cento dos brasileiros conseguiram poupar alguma coisa no mesmo mês.

Você fez parte desse universo ou conseguiu separar alguma fatia do seu dinheiro para investir? Escreva e me conte.

Por menos Post-Its, e mais atitudes!

Melhor da Semana

Nenhum investidor merece passar pelo nervoso de ver seu banco quebrar e de ficar impossibilitado de movimentar seu dinheiro por qualquer período que seja. Fato. Mas isso não nos impede de comentar o esforço bem-sucedido de uma instituição para minimizar os danos aos seus clientes.

Passadas duas semanas da liquidação do banco Neon, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já começou a pagar na última sexta-feira (18) as garantias, de até 250 mil reais. A Neon Pagamentos tem feito a intermediação entre seus clientes com dinheiro aplicado em CDBs e o FGC, reduzindo as burocracias e agilizando o prazo para a liberação dos recursos. Que fique a lição para o Neon ser mais seletivo nos parceiros, mas que alívio ver o imbróglio sendo resolvido de vez.

Pior da Semana

Dia sim, dia não, leitores me questionam se vale a pena investir em algum COE ofertado por seu banco ou corretora. Sempre reforçamos que cada caso é um caso, mas ressaltamos que o apelo do “capital protegido” deve ser analisado com moderação.

Pois bem, uma matéria publicada pelo “Estadão” nesta segunda-feira revelou que pouco mais da metade dos COEs vendidos ou resgatados em 2017 tiveram desempenho IGUAL ou INFERIOR ao CDI. Os dados, da B3, mostram, contudo, que o interesse dos investidores se mantém, com o aumento de quase 23 por cento do estoque neste ano.

Embora o produto seja de renda fixa, o apelo ao investidor está em correr um risco calculado justamente com uma estratégia em renda variável. Dessa forma, qual o sentido de ter deixado o dinheiro parado em uma aplicação que, na maior parte dos casos, perdeu para um bom fundo DI? E vou além. Já que tantos COEs são ofertados com base em uma comparação com a Bolsa, adoraria saber quantos deles bateram o Ibovespa no ano passado. Algo me diz que mais investidores estariam arrependidos neste momento…