Motivação para lucrar

Por que razão você investe? Não sei você, mas eu não tenho o desejo de ganhar dinheiro por ganhar dinheiro. Eu quero ter dinheiro para concretizar sonhos, ambições...

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
Motivação para lucrar

Agora que venci um campeonato, devo ser uma pessoa diferente. Todo mundo diz isso. Fim de “imagem é tudo”. Agora, afirmam os jornalistas esportivos, para Andre Agassi, vencer é tudo. Depois de dois anos dizendo que sou uma fraude, um artista bloqueado, um rebelde sem causa, tratam-me como uma celebridade. Declaram que sou um vencedor, um jogador de peso, que sou para valer. Dizem que a minha vitória em Wimbledon os obriga a me reavaliarem, a reconsiderarem quem eu realmente sou.

Mas não sinto que Wimbledon tenha me transformado. Sinto, na verdade, como se tivesse me permitido desvendar um pequeno segredo indecente: vencer não muda nada. Agora que venci um campeonato, sei de alguma coisa que muito pouca gente no mundo pode saber. A intensidade de uma boa sensação pela vitória não é maior do que a péssima sensação de uma derrota, e um sentimento bom não dura tanto quanto um sentimento mau. Nem de perto.

A autobiografia do grande Andre Agassi é intensa, reveladora, e tem um quê de melancolia e de inspiração.

Como toda boa história, a trajetória é repleta de dramaticidade e conflitos familiares. Desde pequeno, o tenista foi obrigado a treinar durante horas a fio, pressionado por seu pai para ser o número 1 do mundo.

Sem opções, Agassi passou sua infância e adolescência treinando insistentemente, desistiu da escola e viveu 100% dedicado às competições profissionais, conquistando seu primeiro título com apenas 17 anos, justamente no Brasil.

Peço desculpas de antemão pelo spoiler, mas preciso entregar que o desgosto do jogador em relação ao tênis é um dos pontos centrais do livro. Agassi confessa em sua biografia que sempre detestou o esporte e, mesmo no auge, quando alcançou a primeira posição do ranking mundial, não sentiu nada. Absolutamente nada.

Sinto pela escolha da palavra, mas a falta de tesão pelo esporte levou aos altos e baixos da carreira do tenista, e é fácil imaginar que a forte pressão de seu pai e a falta de perspectiva em relação a uma vida além do tênis certamente tiveram grande consequência sobre suas atitudes. Ovelha negra do tênis, Agassi passou uma vida lutando contra seus próprios demônios para provar, dia após dia, o grande jogador que era.

O livro é envolvente e, para quem gosta do esporte, um prato cheio de lembranças de grandes disputas nas décadas de 1980 e 1990.

O fato é que, enquanto lia o livro, pensava o tempo inteiro a que lugar Agassi desejava chegar. Teve muito dinheiro, vida social animada, lugar de destaque na história do tênis, mas nunca estava plenamente feliz.

Jogar não tinha propósito. Ele foi forçado a praticar o esporte desde cedo e, mais velho, mesmo com outras alternativas, continuou no tênis quase que por inércia.

Mais do que isso, mesmo hoje, mais velho e com dinheiro de sobra para se aposentar ou fazer qualquer outra coisa, ele ainda atua como treinador.

Por quê?

Qual é o sentido de jogar como um campeão sem ter um objetivo que lhe garanta felicidade?

Trazendo o questionamento para nosso foco aqui, na Empiricuspor que razão você investe?

Não sei você, mas eu não tenho o desejo de ganhar dinheiro por ganhar dinheiro. Eu quero ter dinheiro para concretizar sonhos, ambições…

Estudar, viajar, ajudar a família, garantir uma aposentadoria tranquila, trocar de carro, ter acesso aos melhores serviços, me dar a alguns luxos, comer bem. A lista é grande, mas sempre há um objetivo diretamente vinculado aos meus investimentos.

Compro Tesouro IPCA+ de olho no futuro, para um momento em que – espero – tiver diminuído o ritmo.

Coloco dinheiro no Tesouro Selic ou em fundos DI baratos pensando em eventuais emergências.

Invisto em ações para poder realizar objetivos mais ousados no longo prazo.

Reservo uma parte do que sobra para moedas digitais e, sem ficar paranoica, penso que, se ganhar dinheiro com elas, me darei o direito de ter algumas regalias.

Já estou me preparando para conferir de perto o novo projeto O Cisne Negro, do Felipe, para ficar por dentro de suas grandes ideias (além de poder conhecer Richard Thaler, prêmio Nobel de economia). Acesse este link para garantir sua pré-inscrição.

Tudo tem um porquê, um propósito, e sigo à risca meus objetivos na hora de dividir bem meu dinheiro em diferentes “caixinhas”.

No ano passado, as pessoas me falaram por que ainda não investiam. Desta vez, tenho uma pergunta diferente: o que leva você a investir seu dinheiro?

Escreva para oinvestidorindependente@empiricus.com.brpara me contar sua história.

MELHOR DA SEMANA

Matéria publicada pelo Estadão ontem revelou que o Itaú Unibanco estaria replicando o mesmo movimento que fez em sua plataforma de investimentos (nomeada “360”, que oferece produtos de outras casas) em sua operação de seguros. A ideia seria começar a ofertar opções de diferentes seguradoras, como da Prudential.

A iniciativa é interessante à primeira vista, mas é preciso aguardar com cautela, já que, até agora, a própria plataforma 360 não mostrou a que veio. É verdade que o Itaú tem oferecido produtos de fora aos clientes, mas ainda com exigências altas de aplicações e retornos menores do que os de corretoras independentes. A ver.

PIOR DA SEMANA

Algum desavisado que navegue pelo site da Gradual Investimentos não tem como imaginar que seus principais executivos foram detidos no fim da semana passada. A presidente e o diretor de operações da corretora figuram entre os presos na última sexta-feira 13 pela Polícia Federal no âmbito da Operação Encilhamento, que investiga suspeitas de fraude contra sistemas de previdências municipais. Reportagem da Folha informou que as investigações da PF apontam indícios de que a Gradual tem ligação com empresas emissoras de debêntures sem lastro. Se você (ainda) for cliente da corretora, sugiro acompanhar de perto o desdobramento da investigação.

Conteúdo recomendado