O café do Jacu  

Nassim Taleb defende que tornemos também o nosso portfólio não robusto, mas antifrágil. Assim como a fazenda Camocim, um fundo de dólar, por exemplo, é antifrágil. Da mesma forma, alguns gestores de ações montam estruturas com opções para ter retorno em cenários opostos ao consenso.

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O café do Jacu   

Dei um pote de café de presente de Dia das Mães no domingo. Não, não era qualquer café, antes que você me acuse de sovina: paguei algumas centenas de reais no tal do café do Jacu.

O Jacu é um pássaro nativo da Mata Atlântica que come grãos de café. Os grãos que saem nas fezes dele – quero acreditar que depois de lavados – são moídos. Daí sai o café mais caro do Brasil.

Antes que você diga que jacu sou eu de ter comprado o café dos dejetos do pássaro, minha mãe ficou feliz da vida com o presente. E foi logo citando Morgan Freeman no filme “Antes de Partir”, que, internado com câncer, ao lado de um bilionário, chora de rir ao descobrir que o café que ele toma com tanta pompa tem origem nas fezes de um animal – não do pássaro do Espírito Santo, mas da civeta, um gato selvagem da Indonésia. Parece que o tal café, Kopi Luwak, é o mais caro do mundo, passando de 50 dólares a xícara (ainda chego lá, mãe).

Eu, ao ler o rótulo do café do Jacu, só conseguia pensar na antifragilidade do Nassim Taleb (é no que dá a escola Felipe Miranda). Explico: o Jacu era considerado uma praga para a plantação, porque comia grandes quantidades de café todos os dias.

Os donos da fazenda Camocim, no Espírito Santo, poderiam ter resistido a tal fragilidade afastando o pássaro – que habita somente áreas florestadas e conservadas. Assim se tornariam robustos. O que eles fizeram, entretanto, foi ganhar com a adversidade.

Ao tomar conhecimento do Kopi Luwak, os cafeicultores decidiram usar também o pássaro como um parceiro na seleção de cafés de alta qualidade. A história é que o pássaro é exigente – jacu em tupi, segundo o rótulo, é “aquele que colhe os melhores grãos”. E lá se foram eles catar o café nos dejetos do pássaro.

Ainda que seu estômago não lide bem com tal contexto, uma coisa você não pode negar: os fazendeiros da Camocim transformaram um potencial prejuízo em lucro – e que lucro! (não posso revelar o valor do presente: minha mãe deve estar lendo).

Nassim Taleb defende que tornemos também o nosso portfólio não robusto, mas antifrágil. Assim como a fazenda Camocim, um fundo de dólar, por exemplo, é antifrágil. Pode começar a observar: em meio ao estresse, ele costuma ganhar dinheiro. Da mesma forma, alguns gestores de ações montam estruturas com opções para ter retorno em cenários opostos ao consenso.

Então pense bem: você tem algo no seu portfólio que ganha com a adversidade?

Seu Fundo

O que você acha do Constância Fundamento FIA? Kendy B.

Kendy, a Constância é uma das primeiras gestoras no Brasil a selecionar ativos de forma sistemática com base em fatores de risco, tendência muito mais consolidada fora do país. Uma das casas mais reconhecidas pela abordagem de investimento no mundo é a Dimensional, com 586 bilhões de dólares sob gestão.

Se você investe em índices – por não acreditar que um gestor que seleciona ações é capaz de bater o mercado –, os defensores dessa abordagem diriam que você pode até não saber, mas está tomando uma decisão ativa. Isso porque os índices de Bolsa em geral, caso do Ibovespa, têm os pesos de cada ação definidos com base em liquidez e valor de mercado. Serão esses mesmo os valores mais importantes para definir quanto de cada ação você deve ter no seu portfólio?

Pelo contrário, defende Marcello Paixão, responsável por pesquisas quantitativas na Constância, com passagem por Merrill Lynch, Santander e Deutsche Bank. Seguir índices desse tipo implica, com frequência, comprar mais do que está subindo e menos do que está caindo. Um investidor de longo prazo em Bolsa não deveria fazer exatamente o oposto?

É daí que surge o chamado “smart beta” – que faria do Ibovespa uma espécie de “dummy beta”. Ou, em bom português, o investidor do Ibovespa seria um tolo, enquanto o de um índice construído com base em outros critérios seria muito mais esperto.

A Constância mapeia para o mercado brasileiro “smart betas”: estratégias sistemáticas ativas que investem em ações que compartilham determinadas características. Ela testa, por exemplo, os ganhos de estratégias de valor (investir em ações baratas), de qualidade (aplicar somente em companhias de alta rentabilidade e baixo endividamento) e de baixa volatilidade (entram no portfólio somente ações com menor variabilidade de preço).

A equipe da gestora defende com base em dados históricos que um índice em que as ações tivessem peso igual já seria capaz de superar o Ibovespa, mas que portfólios construídos com base em critérios como o acima teriam retorno ainda melhor no longo prazo sem acréscimo de volatilidade.

Como os retornos das estratégias não foram homogêneos ao longo do tempo, a equipe preferiu combinar várias delas em vez de escolher somente a que rendeu mais desde o começo da série histórica, em 2004: a de valor.

Daí surgiu a estratégia multifatorial, o principal diferencial do fundo da Constância. O resultado é uma carteira muito diferente da maior parte dos produtos disponíveis no mercado, com de 50 a 70 empresas.

Kendy, espero ter ajudado você a entender melhor o fundo da Constância, que nossa equipe acompanha aqui de perto. Para ir além e saber quais fundos aprovamos e de quais não gostamos para seu portfólio, então seu lugar é na série Os Melhores Fundos de Investimento.

Quer sugerir um fundo para esta seção? Escreva para oinvestidorindependente@empiricus.com.br

Qual é o sabor do café do Jacu?

É óbvio que experimentei. Estou longe de ser uma barista, mas, na minha opinião, tem gosto de… café! Melhor assim, não é mesmo?

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