O Fim do Brasil 2?

Não sei se foram as horas na fila do posto ou o prejuízo em ativos de risco em maio, mas o fato é que o humor das rodinhas do mercado pesou de umas semanas para cá.

Compartilhe:
O Fim do Brasil 2?

Não sei se foram as horas na fila do posto ou o prejuízo em ativos de risco em maio, mas o fato é que o humor das rodinhas do mercado pesou de umas semanas para cá.

Vou compartilhar abaixo alguns cenários tidos como altamente prováveis por mentes respeitáveis (e com o controle de muito dinheiro) às quais tive acesso nos últimos dias, ainda que infelizmente não possa revelar as fontes, bastante discretas.

Não é minha opinião expressa abaixo. Nem é o consenso. Mas considero importante que você saiba o que se passa pela cabeça de gente muito inteligente e bem informada neste momento. E, principalmente, verifique se seu portfólio não está excessivamente vulnerável:

1. O dólar pode chegar a 5 reais.

A economia americana está em clara trajetória de recuperação, o que tem pressionado o banco central do país a subir juros. Enquanto isso, do lado de cá, se temos dúvidas sobre quem vai se candidatar à Presidência, o que dizer sobre a preocupação de tal pessoa com a sustentabilidade fiscal do país? Isso tende a se traduzir em dólar forte, real fraco. O Banco Central do Brasil já tem feito uma cruzada contra esse movimento, mas ele dificilmente é sustentável no longo prazo.

Como se proteger? Essa é fácil (e temos repetido há algum tempo): invista ao menos um pedacinho do seu patrimônio em um bom fundo cambial.

2. Se você está em renda fixa prefixada, tem grande risco de perder dinheiro.

Estou falando daquele Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+, LTN, NTN-B (como você quiser chamar), com que você ganhou muito dinheiro nos últimos anos. Como você sabe, o Banco Central interrompeu o ciclo de corte dos juros. Mas pode ser pior para sua posição: a expectativa de uma estabilidade na meta para a Selic por algum tempo começa a dar lugar, em alguns círculos, à espera de um ajuste para cima na taxa no curto prazo – assim como à expectativa de um juro estruturalmente alto. E, se isso acontecer, seu título tende a perder valor.

Há pressões de todos os lados para tal: juro americano para cima, dólar alto pressionando a inflação e avanço de candidatos não comprometidos com reformas, o que põe em dúvida a sustentabilidade fiscal (e faz os investidores pedirem mais juros para emprestar dinheiro ao governo brasileiro).

Como se proteger? Ainda que os prêmios tenham subido e pareçam gordinhos – principalmente para você que vai carregar até o vencimento –, esteja certo de que não se empolgou depois dos ganhos recentes e alocou dinheiro demais aí. A história mudou completamente e, dado que os juros já caíram muito, o mercado está longe de ser tão favorável a você quanto era antes.

3. Há grandes chances de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes.

Não cabe a mim fazer qualquer juízo político aqui. O fato é que a dupla deve trazer bastante volatilidade aos investimentos de risco, dado que o mercado não tem visibilidade da agenda econômica de nenhum dos dois. Não está claro o tratamento que eles darão a temas como disciplina fiscal e reformas, ainda que Ciro venha acenando à direita e comece a ser citado em algumas rodinhas de mercado como uma opção não tão ruim. “Tem um aqui que não é tão feio” e “Pode ser que venha um Ciro Paz e Amor”, ouvi.

Como se proteger? Esteja certo de que o dinheiro alocado em risco é o que pode sofrer perdas no curto prazo e esperar passar a tormenta eleitoral. Uma reserva de emergência e uma carteira equilibrada vão ajudar a dormir tranquilo e, caso dê tudo certo, ganhar dinheiro.

Cota Murcha

O objetivo é nobre – proteger o investidor – mas os resultados têm sido com frequência contrários. Os limites impostos pela Susep, órgão regulador da previdência aberta, ao portfólio têm impedido os fundos de se protegerem.

Os limites para investir no exterior e as restrições às posições vendidas acabam tornando as carteiras desses fundos enviesadas em Brasil. E as travas para alavancagem, por exemplo, têm empurrado os gestores para vencimentos mais distantes de títulos, ficando mais expostos à volatilidade.

As regras têm feito com que excelentes gestores não possam replicar na totalidade suas teses na previdência. O caso da previdência da Adam, em maio, é emblemático: prejuízo de 0,66% no Strategy e de 8,74% no fundo de previdência – absolutamente dentro do mandato de risco do produto e do objetivo de longo prazo, mas um símbolo de como deixar o gestor livre pode ser melhor para o investidor do que amarrar suas mãos.

Cota Cheia

O SPX Lancer, fundo de previdência da renomada gestora de multimercados carioca, mostrou a que veio em maio. Enquanto os demais multimercados de previdência sofriam prejuízos de mais de 1,5%, a carteira defendeu bem e marcou queda de somente 0,29% – uma dádiva em um mês tão difícil para ativos de risco.

Mostrou-se acertada a decisão da gestora de criar um fundo fora do país – acessado pelo produto local – para investir em estratégias no exterior. Assim foi possível se posicionar, também na previdência, em sua principal tese: de ajuste para cima nos juros de países desenvolvidos (ainda que restrita aos limites regulatórios para investir no exterior).

E A BOLSA?

Por incrível que pareça, a Bolsa, especialmente depois da queda pós-caminhoneiros, é onde alguns dos gestores que admiro veem assimetria mais positiva, ou seja, mais potencial de ganho do que de perda (ainda que com muita volatilidade no curto prazo).

P.S.: Você já viu o novo projeto do Sérgio Oba? Imperdível. Veja aqui.