Paralisia financeira

Não sei você, mas eu ando aficionada pela história dos 12 meninos e do técnico de futebol que ficaram presos em uma caverna na Tailândia, ilhados desde o dia 23 de junho. Para […]

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Paralisia financeira

Não sei você, mas eu ando aficionada pela história dos 12 meninos e do técnico de futebol que ficaram presos em uma caverna na Tailândia, ilhados desde o dia 23 de junho.

Para quem não viu ou leu a respeito, foram necessários nove dias de buscas para encontrar o grupo em uma ilha de terra firme a alguns quilômetros da entrada da caverna, completamente alagada por conta das fortes chuvas na região.

Não bastassem o isolamento, o clima úmido, a má qualidade do ar da caverna e os dias sem comer, o resgate por si só virou um grande foco de preocupação. Ainda que os trabalhos de drenagem tenham sido intensos para diminuir o nível da água na caverna, os jovens não conseguiram escapar de atravessar um bom trecho mergulhando.

Até o momento em que escrevo este texto, oito meninos foram resgatados.

Para isso, foram treinados por equipes de socorristas, em meio ao risco de novas tempestades, que poderiam (e ainda podem) atrasar um resgate previsto para demorar. Na mídia, houve quem falasse em semanas ou até meses para um final feliz.

Eu senti muito medo quando encarei meu batismo de mergulho, em Fernando de Noronha. Medo de errar lá embaixo, de entrar em pânico ao me deparar com algum animal de grande porte (como o tubarão que encontrei logo de cara), de me faltar ar, de perder o controle…

Isso tudo mesmo estando em um lugar paradisíaco, depois de ter feito todo o curso técnico, praticado exercícios e, acima de tudo, de estar lá por livre e espontânea vontade.

Basta lembrar do enjoo que senti na hora que antecedeu meu mergulho para imaginar o sentimento de agonia desses meninos. O pavor que eles devem estar sentindo.

Você tem ideia de como reagiria numa situação dessa?

Com quais tipos de mecanismos você conta para o medo não te paralisar?

Sempre encarei meu pânico listando mentalmente as piores coisas que poderiam ocorrer.

No caso do mergulho, tinha muito medo de ficar aflita e de não conseguir respirar pela boca – ou de minha máscara embaçar. Por isso, treinei algumas alternativas, caso as duas coisas ocorressem, para tentar manter minimamente a calma.

Quando saltei de paraquedas, meu pavor era, obviamente, que aquele troço não abrisse. Sonhei a vida toda com aquele dia, decidi saltar sem contar para ninguém e quase travei na hora.

O que me ajudou?

Pensar que o meu instrutor doido fazia aquilo todo santo dia, inúmeras vezes, e que não seria justo eu a fonte do azar dele. E é claro que, do chão, eu não passaria… rs

Piadas à parte, tenho certa tendência a me antecipar a qualquer tipo de situação que me deixe minimante desconfortável.

Toda vez que sinto qualquer tipo de medo, listo as piores coisas que poderiam ocorrer.

Se vou a um lugar MUITO lotado, dou uma checada para conferir onde ficam as saídas de emergência. Desde a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, essa precaução virou uma mania.

Se fico nervosa com alguma prova, já dou uma checada antes no calendário para saber quando poderei tentar novamente – e quanto isso me custará –, se eu for reprovada.

E para expor meu dinheiro ao risco, sempre penso no pior que poderá acontecer se tiver prejuízo.

Nervos à flor da pele

Esse primeiro semestre que passou foi uma prova de fogo para os medrosos de plantão.

Com uma queda de 4,76% da Bolsa, minhas grandes apostas em fundos de ações e multimercados me decepcionaram e vi meu saldo aplicado encolher.

Feliz eu não fiquei, é claro. Mas esse dinheiro corresponde a menos de um terço dos meus investimentos.

É ruim perder? Sem dúvida. Não fico, contudo, me martirizando e pensando no que poderia ter feito de diferente. Meu foco está no longo prazo, não pretendo usar esse dinheiro tão cedo e confio nos gestores selecionados. Especialmente quando observo um histórico maior de atuação deles, com desempenhos que deixam o CDI no chinelo.

No pior dos piores casos, não vou morrer com o prejuízo. É isso!

E também sei que posso me apoiar nos meus seguros. Como você pode reparar, o dólar se valorizou em mais de 17% entre janeiro e junho, o que contrabalanceou o desempenho negativo da Bolsa e o baixo retorno da renda fixa.

No dia a dia, você vai ganhar dinheiro com sua posição cambial?

Espero que não, porque o intuito não é esse.

Mas quando tudo estiver ruim, serão esses 5% do portfólio que brilharão.

É hora de parar de ter medo e olhar para o que está barato. E nessa lista você pode incluir várias ações (mas não todas) listadas em Bolsa. Tenho certeza de que o Max poderá ajudar você nisso!

Melhor da semana

 Que a renda fixa não anda lá essas coisas todo mundo já sabe. Mas ninguém falou que as oportunidades desapareceram. Que o diga o mercado de debêntures incentivadas (aquelas de infraestrutura, que garantem isenção de Imposto de Renda para o investidor pessoa física). Matéria do “Valor” mostrou que as emissões já passam de 10 bilhões de reais neste ano, o maior volume desde a criação da lei que regula esse instrumento.

O aumento dos prêmios dos títulos públicos atrelados ao IPCA (Tesouro IPCA+), referência para as debêntures, estaria por trás de um maior interesse dos investidores. Quer saber qual é a melhor oportunidade neste momento? Acesse aqui.

Pior da semana

Está lembrado do tal do “Super CDB” ofertado pela Genial, sobre o qual falei na semana passada? Parece que a moda está pegando. Dessa vez, foi a XP que começou a usar o velho apelo do rendimento de até 1% ao mês para tentar emplacar um CDB prefixado do banco Original (aquele do grupo J&F, dos donos da JBS), com prazo de três anos.

Pode parecer tentador, mas lembre que se os juros voltarem a subir, seja por um maior nervosismo do mercado, seja pela retomada da economia, o retorno travado de 11,90% ao ano vai parecer um péssimo negócio. Todo cuidado é pouco com as tentações do momento!