Petrobras, por quatro grandes investidores de ações

Entrei em contato com dez grandes investidores de ações que admiro muito. Três desses gestores – que procurei porque tinham Petrobras no portfólio da última vez que conversamos – responderam de forma contundente: um zerou, outro diminuiu a posição, outro comprou mais. Escolha o seu lado.

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Petrobras, por quatro grandes investidores de ações

O Felipe sugeriu que eu falasse com bons gestores de fundos de ações para trazer a você, investidor de Petrobras, alguma visibilidade nesta hora. A boa notícia: falei. A má: não sei se vai ajudar muito.

Entrei em contato com dez grandes investidores de ações que admiro muito. Sete não quiseram se manifestar ou enviaram respostas lacônicas – ou perdi popularidade de um dia para o outro ou não há nada a dizer mesmo. Não sei qual das duas opções me deixa mais incomodada.

Três desses gestores – que procurei porque tinham Petrobras no portfólio da última vez que conversamos – responderam de forma mais contundente: um zerou, outro diminuiu a posição, outro comprou mais. Ou seja, tudo o que posso fazer hoje por você é apresentar as argumentações. Não há consenso. Escolha o seu lado.

Por que ficar de fora de Petrobras?

A estatal foi por muito tempo a segunda maior posição dos fundos de ações da XP. A gestora tinha vendido tudo pouco tempo antes de o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciar que reduziria o preço do diesel em 10% nas refinarias – colocando em dúvida a ausência de ingerência política na companhia.

João Braga, cogestor de fundos de ações da XP, diz que a decisão tinha sido tomada pelo sentimento de que o preço já tinha andado demais. E decidiu continuar de fora. “O preço certamente reflete que a fórmula de preços é mutável. Eu não estou fazendo nada: nem comprado, nem vendido, muito pelo contrário”, brincou ele.

Isso não significa, entretanto, que a equipe ficou desanimada com a Bolsa como um todo. Pelo contrário. Acaba de zerar a defesa da carteira, pela impressão de que a queda em vários papéis foi exagerada. Agora a caça é por ações que caíram contaminadas pelo estresse de Petrobras, mas sem motivo para tal. É o caso, para eles, de Banco do Brasil.

Por que reduzir a posição em Petrobras?

“Estava se colocando muito pouco peso para ingerência política”, diz Hegler Horta, gestor de ações da Kapitalo. A casa está hoje com um quarto da posição que chegou a ter nos últimos meses em Petrobras, construída em grande parte via opções. “Acho que a ação está barata, mas não dá para ter a mesma posição de antes”, afirma.

O conflito é: as planilhas mostram a estatal muito barata, mas as premissas podem mudar muito, a depender em grande parte do cenário eleitoral. E os posicionamentos dos candidatos à Presidência nos últimos dias não foram capazes de tranquilizar a equipe.

Para Hegler, uma solução potencialmente boa – que não está aparecendo nas discussões – é a privatização do refino. Ele faz uma comparação simples: quando o preço do trigo sobe internacionalmente, o da farinha também sobe, e assim a alta chega às padarias. “Nunca vi alguém reclamar que a alta do pãozinho é uma maldade de alguém. Como a Petrobras é uma estatal, acontece exatamente a mesma coisa, mas as pessoas veem o aumento de preço como um ônus do governo.”

Apesar das incertezas, principalmente políticas, a gestora decidiu manter uma posição em Petrobras, ainda que pequena, pelo fato de a empresa ter tido muito pouco prejuízo de fato até agora com todo o ocorrido.

O governo já se comprometeu a indenizar a Petrobras pelos descontos no diesel que ultrapassarem 15 dias. Ainda que os detalhes não estejam claros, Hegler tem expectativas positivas sobre as decisões do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. “Ele é um cara muito razoável, entende que não pode deixar a empresa ter um prejuízo.”

Por que comprar mais Petrobras?

Henrique Bredda, gestor da Alaska, decidiu aumentar a posição em meio à queda depois de fazer contas: “Para a Petrobras, isso vai custar 100 milhões de reais, o que é 0,03% do valor da companhia”, disse. Pelos cálculos dele, a queda nos preços ultrapassaria cem vezes a justificada pelo prejuízo. “Não muda nada nossa opinião sobre o case”, disse já no primeiro dia de derrocada na Bolsa.

Os riscos políticos justificam uma correção de preço, mas o movimento recente foi excessivo também na opinião de Frederico Sampaio, diretor de investimentos de renda variável da gestora global Franklin Templeton, que escreveu uma nota à imprensa. Nela, o gestor destaca que, depois de anos de investimentos pesados para desenvolver oito sistemas de produção no pré-sal, a Petrobras finalmente vai receber os equipamentos que vão permitir aumentar sua produção de óleo no país.

Se tudo ocorrer conforme o previsto, a companhia espera aumento de 20% na produção em 2019. A projeção da Franklin é mais cautelosa: 12%. “Ainda assim, a geração de caixa para o acionista em 2019 será muito forte (30% do seu valor de mercado atual”, escreve Frederico. Para ele, o preço da ação é bastante atraente na comparação com os resultados previstos para a estatal.

SEU FUNDO

Decida você ficar dentro ou fora de Petrobras, o importante é evitar a pior forma de investir na estatal: por meio de um fundo dedicado caro.

Conto 22 fundos que levam Petrobras no nome – e investem exclusivamente na estatal – no Quantum Axis (isso sem contar os dedicados ao FGTS). Eles somam 2,33 bilhões de reais de 158.923 cotistas.

Em oito desses fundos, você paga 2 por cento ao ano ou mais para o gestor investir exclusivamente em Petrobras – é exatamente o preço que pagaria por um fundo em que alguém toma decisões de investimento. Veja a lista abaixo:

FundoTaxa de administração (ao ano)Patrimônio Líquido (em reais)
Santander Petrobras 2 FIC Ações4%37.304.071,72
Itaú Petrobras FI Ações3%331.144.122,63
Santander Petrobras Plus FIC Ações3%47.491.733,84
Itaú Petrobras I FI Ações3%21.427.941,29
Santander Petrobras 3 FIC Ações2,5%42.216.343,53
BB Petrobras FI Ações2%675.223.770,10
Safra Petrobras 2 FIC Ações2%2.810.754,48
Itaú Petrobras II FI Ações2%2.660.106,95

Você tem dois caminhos muito provavelmente melhores:

  1. Delegar: pagar exatamente o mesmo para um gestor de ações acompanhar Petrobras e também as demais empresas da Bolsa por você e escolher onde investir;
  2. Fazer você mesmo: pagar muito menos e aplicar diretamente na ação por meio de uma corretora, já que o mais difícil – tomar a decisão de investir em Petrobras – você já fez.

O que não dá é para decidir sozinho e pagar o preço de quem delegou.

EU TENTEI…

Peço desculpas por não ajudar mais. Além de apresentar diferentes versões, tudo o que posso fazer é lamentar. Pela primeira vez em muito tempo, eu via grandes gestores de ações se animarem em massa a investir na petroleira. Sem dúvida, como país, perdemos.

Quer saber se o Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, decidiu comprar, manter ou vender Petrobras? Leia aqui.