Por que minha avó deveria investir em ações

sendo conservadora: se eu me aposentar aos 65 anos, pode ser que eu tenha ainda 50 anos pela frente. E isso me levou a uma conclusão pela qual espero não ser apedrejada: minha avó deveria investir em ações!

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Por que minha avó deveria investir em ações

Por quanto tempo eu e você vamos viver? Até 115 anos – é o tempo que o corpo humano pode durar de acordo com um estudo conduzido pelos cientistas do Albert Einstein College of Medicine e publicado na revista “Nature”, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo.

Houve, como sempre, os que criticaram a pesquisa – há registros de uma francesa chamada Jeanne Calment que morreu aos 122 anos. O dr. Jan Vijg, coordenador do estudo, revidou: 115 anos é uma expectativa realista, Jeanne foi uma excepcionalidade.

É para você – que já se aposentou ou está prestes a fazê-lo e que (é melhor aceitar) pode viver 115 anos – que eu escrevo hoje. Dia desses uma assinante me perguntou no plantão de dúvidas como deveria investir seu patrimônio considerando que é uma aposentada. Para minha surpresa, vários outros se somaram a ela no pleito: não se esqueçam dos aposentados em suas sugestões de investimento!

Então vamos lá. Montar um portfólio de investimentos tem tudo a ver com horizonte, ou seja, quanto tempo o dinheiro pode ficar parado?

Considerando que você tem renda para investir e que está em busca de informações sobre isso, seria irrealista replicar para você a estimativa do IBGE, de 75,8 anos – você provavelmente vai viver mais do que a média dos brasileiros.

Voltamos ao dr. Vijg: se 115 anos são um horizonte realista, como ele defende na “Nature”, então preciso tê-lo em conta ao falar sobre investir depois da aposentadoria.

Ou seja, sendo conservadora: se eu me aposentar aos 65 anos, pode ser que eu tenha ainda 50 anos pela frente. E isso me levou a uma conclusão pela qual espero não ser apedrejada: minha avó deveria investir em ações!

Veja bem: como deve ser um portfólio considerando um horizonte de 50 anos e a necessidade de fazer um patrimônio me sustentar por tanto tempo? Bastante diversificado – deixar tudo na renda fixa, especialmente ao juro de 6,5% ao ano, seria uma péssima ideia.

Apaixonada que sou pela praticidade e pelo potencial dos fundos de investimento, se eu tivesse 65 anos e me aposentasse hoje, perseguiria o seguinte plano:

Em primeiro lugar, investiria 36 vezes o meu custo mensal em um fundo DI barato: esse dinheiro eu poderia sacar a qualquer momento, para cobrir emergências. Seria ele também o responsável por segurar a volatilidade do portfólio e me sustentar ao longo dos três primeiros anos de aposentada.

O patrimônio restante, eu dividiria da seguinte forma:

50%: quatro a cinco multimercados escolhidos a dedo para alocar o dinheiro que somente vou precisar mexer daqui a três anos. Escolheria gestores capazes de selecionar oportunidades em juros, moedas e ações, tanto no Brasil quanto no exterior.

20%: quatro a cinco gestores de ações com perfis diferentes de investimento em Bolsa. Nesse dinheiro, não tocaria por pelo menos cinco anos – de preferência por muito mais tempo do que isso.

5%: um bom fundo cambial, que deveria andar, nos momentos de estresse, no sentido contrário dos demais fundos do portfólio, amortecendo eventuais prejuízos.

5%: fundos imobiliários, seguindo a sugestão do Daniel Malheiros, para ter uma exposição ao mercado imobiliário, porém sem ter que suportar inquilino chato.

20%: uma composição de bons planos de previdência privada (na realidade, seria o único montante que não sacaria da minha previdência atual. Converteria essa reserva em renda ao atingir 85 anos – transferindo para a seguradora uma parte do risco de garantir meu sustento se eu vivesse anos demais. Com a vantagem adicional de que, se eu morresse antes disso, por ser uma previdência, esse dinheiro iria para os meus herdeiros sem passar por inventário (e, aqui em São Paulo, sem pagar ITCMD, o imposto que incide sobre a herança).

Perseguiria esse balanço ao longo dos anos seguintes, deixando sempre uma reserva confortável em liquidez.

E mais: enquanto minhas pernas puderem aguentar levar meu corpo junto com meu samba, como diria a Alcione, vou reforçar esse patrimônio aí com trabalho (executado em um laptop a partir de alguma praia ou café deste mundão, obviamente) – porque ficar 50 anos sem trabalhar não dou conta, não.

Cota Murcha

Olá, bom dia. Tenho uma previdência baseada em fundos de inflação. Ela está negativa. Teria alguma explicação? Alexandre M.

O Cota Murcha vai, obviamente, não para você, Alexandre, mas para a venda errada desse tipo de previdência, muito comum no Brasil. Sim, ela pode te dar prejuízo – e é bem provável que dê nos próximos meses, uma vez que o Banco Central acabou de interromper um ciclo de cortes sucessivos nos juros básicos.

Explico: os fundos de inflação investem em títulos que pagam uma taxa previamente definida mais a variação da inflação. Apesar de o fundo levar inflação no nome, o que pesa mais para seu retorno é a taxa prefixada.

Cada vez que o mercado passa a esperar taxas mais altas à frente – por algum sinal de pressão inflacionária, por exemplo, porque os juros estão subindo nas principais economias do mundo, ou porque um candidato a presidente contrário às reformas cresce nas pesquisas – o título com taxa previamente definida perde valor. E o gestor é obrigado a marcar esse prejuízo nas cotas, mesmo que o título não seja vendido.

Isso não significa que esses títulos sejam ruins para a previdência. Eles podem ser muito interessantes, desde que compreendidos e observados com um olhar de longo prazo. Eu ainda prefiro a estratégia dentro de multimercados, que ajustam suas posições de acordo com o cenário e diversificam em outros ativos.

Cota Cheia

O montante investido em planos PGBL e VGBL no Brasil ainda está extremamente concentrado em renda fixa – 93% –, mas há uma evolução clara no sentido da diversificação.

Neste ano, até aqui, os aportes em previdência superam os resgates em 7,1 bilhões de reais, sendo que 6,1 bilhões de reais deles entraram em multimercados de previdência. Gestoras como Adam, Ibiuna, Verde e SPX estão mudando a cara desse mercado ao adicionar ativos como moedas, ações e investimentos no exterior ao universo até então monótono da renda fixa.

Beat The Dealer

Para finalizar, tenho um aviso importante. O novo projeto da Empiricus, o Beat the Dealer®, acabou de sair do forno. O Rodolfo Amstalden, sócio-fundador da Empiricus, vai mostrar a você como uma única operação nesse mercado, do qual você ainda não participa, pode representar sua liberdade financeira.

Se a proposta interessa a você, seja rápido, porque as vagas são limitadas. A cada minuto que passa, suas chances de entrar no Programa Beat the Dealer® caem drasticamente.