Que tal o Beto Carrero?

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Que tal o Beto Carrero?

Eu e meus irmãos sonhamos por um ano com a viagem marcada à Disney. Lembro-me de ter lavado os carros da família junto com meu irmão para aumentar a poupança – que gastei toda em ursos de pelúcia e adesivos brilhantes. Se meus pais tivessem cancelado na véspera, teria sido a maior decepção da minha vida. Logo, a ordem é: não espere nem mais um dia para investir o dinheiro da viagem em um fundo cambial. Ele vai fazer sua reserva acompanhar a valorização da moeda americana.

O número da semana

20 bilhões de dólares. Volume que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou ontem à noite que vai vender ao mercado até o fim da semana que vem, em uma tentativa de conter a valorização da moeda americana.

O que tá rolando?

A notícia. Se você tem planos de ir à Disney e está distraído, saiba que o dólar está flertando com os 4 reais. E há quem diga que, no pior dos cenários, pode chegar a 5 reais. Isso nas manchetes dos jornais. Nas casas de câmbio, pós-taxas, o valor é sempre muito maior.

Palavra bonita. Você deve ter ouvido que o Banco Central está atuando por meio de “swaps cambiais” para conter a alta do dólar. O swap é uma troca. O BC se oferece para entregar um montante em dólares em uma data futura em troca dos juros do período. Assim assume para si o risco da variação cambial do período.

Por que ele faria isso? Para evitar o estresse causado pela sacudida do dólar. Bom lembrar que a alta da moeda americana também torna importados mais caros, o que tende a produzir a tão temida inflação. Espero que você já tenha comprado seu iPhone X.

Não entendi. Imagine que faltassem tomates em vez de dólares no mercado. E que você morasse em uma vila italiana em que, uma vez por mês, todos se reunissem para uma macarronada. Se um produtor se comprometesse a entregar um carregamento de tomates no grande dia, o que aconteceria? Tomate barato e famílias felizes, certo? O mesmo ocorre com o dólar.

Fico mais pobre ou mais rico? Mais pobre, a cada minuto. Perdemos poder de compra no mundo quando o dólar sobe. Seus títulos de renda fixa também têm sofrido. Isso porque passou-se a esperar que o Banco Central precise elevar os juros no futuro para conter a fuga de dólares do Brasil (é só pagar mais por eles!). A mera expectativa desvaloriza os títulos prefixados e indexados à inflação (LTNs e NTN-Bs) que estão no seu portfólio, assim como os multimercados carregados deles. Afinal, você garantiu para si uma taxa menor do que a agora disponível no mercado.

E agora, BC? O presidente do Banco Central tentou acalmar o mercado dizendo que política cambial e política monetária são coisas diferentes. Ou seja, que não vai elevar o juro para conter a alta do dólar: o nível de juro deveria ser usado para estimular a economia, ainda fraca. Será? Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

What’s going on?

News. Não é só culpa nossa. Moedas de mercados emergentes têm se desvalorizado em relação ao dólar em todo o mundo.

Why? Depois de um longo período de políticas frouxas para estimular a economia, em que encheu a piscina global de dinheiro para superar a crise financeira, o banco central americano está em movimento contrário. A expectativa de juros mais altos lá bate aqui: que estrangeiro vai emprestar dinheiro para o governo de um país emergente se não houver um diferencial grande entre a recompensa dele e a de países desenvolvidos?

Our fault. Agora responda a pergunta acima lembrando-se das fotos das filas nos nossos postos de gasolina estampadas nos jornais gringos. É natural que nos países com situações domésticas piores (que tal reformas fiscais pendentes e uma eleição sem candidatos favoritos do mercado à frente?) a fuga de capitais seja maior e, assim, a desvalorização da moeda em relação ao dólar. Sim, há quem consiga ter mais problemas do que nós hoje: o peso argentino perde quase 10 pontos percentuais a mais do que o real (entrando no clima de Copa).

Your money. Se você, como eu, mora em um país emergente, está mais pobre. E os bancos centrais desses países, como os da Argentina, Turquia, Índia e Indonésia, já reagiram elevando juros. Fica mais difícil para o nosso Ilan defender que seremos uma ilha de juros baixos.

A boa da vez

Quer viver de renda um dia? Já imaginou como será não ter que trabalhar para sobreviver? E enfim colocar em prática aquele projeto que você sempre quis sem fins lucrativos? A Bia explica como chegar lá aqui.

Quer ganhar dinheiro na alta e na baixa? De uma maneira inovadora, o Ruy mostra as melhores estratégias para tal no mercado de opções aqui.

Amanhã é sábado

Dia de tirar o atraso de Billions. Imagino que você esteja à minha frente no seriado mais assistido pelo mercado financeiro. Está difícil sobrar tempo para a Netflix. Seja como for, faltou mais uma vez passar a tradução pelos olhos de alguém mais íntimo do jargão. Quando você ler na legenda…

…Posição curta. O personagem disse, na verdade, “short”. O jargão, também usado amplamente no mercado brasileiro, faz referência a uma posição vendida, não curta. Nela, o investidor aposta que a ação vai cair, em contraposição à posição chamada “long”, ou comprada, em que se ganha dinheiro se a ação subir.

Para acabar

Não entendeu bulhufas? Não sabe o efeito de alguma notícia da semana sobre seu bolso? Então escreva para oinvestidorindependente@empiricus.com.br.