Quer pagar quanto?

Lá pelos idos da primeira década do ano 2000, um bordão inundava a programação comercial televisiva brasileira. “Quer pagar quanto?”, perguntava um moço ruivo com […]

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Quer pagar quanto?

Lá pelos idos da primeira década do ano 2000, um bordão inundava a programação comercial televisiva brasileira. “Quer pagar quanto?”, perguntava um moço ruivo com um sorriso de orelha a orelha, que fez fama como garoto-propaganda da Casas Bahia durante uns bons anos.

Com um ritmo frenético de ofertas, o bordão era repetido à exaustão, dando margem para deixar qualquer telespectador claramente irritado, mas cumpria à risca o objetivo de deixar claro que, para qualquer produto que você desejasse comprar, a rede varejista daria um jeito. DEZ VEZES SEM JUROS, lembra?

Mesmo rendendo um processo trabalhista, com ganho de causa para uma funcionária que alegou dano moral ao ser obrigada a usar um broche com os dizeres da propaganda, não acredito que a Casas Bahia tenha se arrependido.

O marketing agressivo conseguiu atrelar a imagem de acessível à rede, que até hoje é lembrada pelos comerciais, ainda que o garoto-propaganda tenha envelhecido um pouco…

Não sei se é o meu sangue árabe que fala mais alto, mas, quando se trata de ir às compras, é natural para mim pensar em negociar preços. Seja para tentar diminuir o valor, seja para melhorar a condição do pagamento, não tenho vergonha de pechinchar, ciente de que, no pior dos casos, vou receber um grande NÃO.

Tenho certeza de que grande parte dos leitores desta newsletter já negociou, em algum momento de sua vida, o preço de algum eletrodoméstico, de um carro ou de um imóvel. Então por que recebo tantas perguntas sobre como lidar melhor com as tarifas cobradas por seus bancos ou corretoras?

Não existe nenhuma regra do mercado financeiro que impeça alguém de pechinchar.

Muitas vezes, a pessoa tem uma conta no banco e fica com preguiça de tomar uma atitude para melhorar sua situação na instituição ou mesmo para mudar para outra.

Num momento de juros em queda, tem muita gente que ainda não acordou que é hora de renegociar as condições dos seus empréstimos e, se for caso, pedir a portabilidade para um banco diferente.

Da mesma forma que é fácil trocar a TIM pela Vivo ou a Claro pela Nextel, você pode portar seu salário, uma dívida, uma previdência ou seus investimentos. Imagino que, a essa altura, muitos clientes da Gradual devem estar bem por dentro de como funciona a transferência de seus ativos financeiros…

Honestamente, se uma penca de corretoras não cobra nada de custódia para você investir em um produto de renda fixa, por que raios você aceita pagar esse tipo de taxa em sua instituição?

Por que um banco estatal cobra 20 reais de taxa de corretagem para você negociar ações, enquanto em pelo menos outras quatro casas você consegue pagar até 5 reais?

Para que investir em um fundo DI do seu banco pagando taxa de administração da ordem de 2 por cento ao ano se existem alternativas IGUAIS com custo de 0,2 por cento? E todas investindo em Tesouro Selic…

E por que tanta gente insiste em ficar no banco pagando por qualquer transferência se existem outros com contas digitais efetivamente gratuitas (alô, alô, Banco Inter), inclusive chegando agora à modalidade pessoa jurídica?

Se você investe na Bolsa pelo Bradesco ou pelo Santander, pode estar deixando 30 reais na mesa todo mês só para sorrir, além de pagar para investir no Tesouro Direto e entregar pelo menos 10 reais a cada negociação de ações.

Está bom para você?

Para mim, não está.

Mas tem como ficar.

É hora de vencer a preguiça.

Melhor da semana

Falando em preguiça, embora você esteja cansado de saber que a renda fixa está rendendo bem pouco com a Selic lá embaixo, não dá para descuidar da parte mais conservadora da sua carteira. Por isso, quando vemos algum anúncio de produto isento pagando 100 por cento do CDI, com lucro caindo diretamente no seu bolso, ficamos de olho. A bola da vez está com o Daycoval.

E se é para ser seletivo com seu dinheiro, sugiro dar uma conferida de perto no projeto que o Felipe toca pessoalmente aqui na Empiricus: O Cisne Negro. Se você está procurando um programa para efetivamente parar de ficar só na leitura (sem nos abandonar) e passar para a prática, esta é a hora de se mexer. Recomendo!

Pior da semana

Mas nem tudo são flores… O Daycoval também ganhou o destaque de baixa da semana não pela oferta de produtos de investimento, mas pelo aplicativo bem sem graça chamado Dayconnect. Está na hora de os bancos pararem de querer entrar na onda do apelo digital se as propostas de serviços e custos ainda estão na idade da pedra. Quer saber mais sobre isso? Então confira a última publicação do Você Investidor! De quebra, garanta o acesso ao livro “Sem Medo do Leão” e não perca o prazo de entrega de sua declaração do Imposto de Renda.