Você está preparado para perder?

Todo mundo já sofreu perdas na vida, grandes ou pequenas. Eu já fui derrotada em uma (infelizmente) memorável partida de tênis sem ganhar um só […]

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Você está preparado para perder?

Todo mundo já sofreu perdas na vida, grandes ou pequenas.

Eu já fui derrotada em uma (infelizmente) memorável partida de tênis sem ganhar um só game; já perdi uma vaga em um processo seletivo para o qual julgava estar altamente qualificada; já perdi na loteria; já perdi amigos que não valiam a pena; já estou perdendo no bolão da Copa da Empiricus; perdi várias viagens; perdi (muitas e muitas vezes) meu tempo; e, principalmente, já perdi dinheiro.

Mais do que isso. Perdi e tenho certeza de que continuarei a perder – certamente além do desejado.

Desde que aprendi sobre economia e finanças, entendi que toda escolha embute um risco. E que quanto maior o lucro desejado, maior o risco implícito.

Entendi que, se quisesse deixar de ter dinheiro rendendo pouco na caderneta de poupança – ou se topasse aplicar além dos CDBs ou das LCIs ofertadas pelo meu gerente do banco –, teria que entender mais sobre investimentos.

E logo vi que nem todos os fundos DI realmente me entregariam algo perto de 100% do CDI.

Que nem todos os títulos públicos seriam atrativos. E que eu poderia sair no prejuízo se decidisse vender alguns deles antes da hora.

Descobri que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não poderia me acudir todas as vezes que tivesse algum tipo de perda.

E que mesmo tendo o apelo dos dividendos (isentos da cobrança de Imposto de Renda), nem sempre investir em ações seria vantajoso. E que eu poderia perder todo o valor aplicado originalmente.

A partir do momento em que decidi faturar mais, soube que teria que mudar minha mentalidade.

Tive que aceitar que, para ganhar bem além do CDI, o referencial das aplicações de renda fixa, eu precisaria, na maioria dos casos, colocar o meu (dinheiro) na reta. O famoso “skin in the game”, certo, Taleb?

Por mais que a gente corra atrás de fórmulas para sustentar nossas escolhas, nenhum grande entendedor do mercado será melhor do que você mesmo para decidir o quanto está disposto a perder em busca de um retorno melhor.

Certa vez conversei sobre o tema com Aswath Damodaran, professor de finanças da Stern School of Business, na Universidade de New York, onde ensina finanças corporativas e avaliação de ações, que reforçou justamente a necessidade do autoconhecimento na hora de investir.

“Para ser um investidor de sucesso, quem elas têm que conhecer melhor são elas mesmas. Você tem que saber o que o deixa confortável, o que o deixa desconfortável, o risco com o qual pode conviver, que tipos de investimento são melhores para você. Isso significa que você precisa passar um tempo pensando sobre qual é seu horizonte de investimento e quanto risco você quer tomar, e então formar a estratégia de investimento que melhor se ajusta ao seu perfil”, disse o indiano, em entrevista publicada no “Valor Econômico”.

Damodaran foi claro: não adianta tentar seguir os conselhos de grandes nomes, como Warren Buffett e Peter Lynch. “A melhor estratégia é a que melhor se adequa à sua filosofia.”

Por isso, antes de comprar ações, investir em fundos imobiliários ou em fundos multimercados, reflita sobre como você lidaria com o fracasso.

Seu patrimônio ficará 100% comprometido se a parcela em risco dos seus investimentos naufragar?

Seja mais cético com relação ao seu dinheiro. E antes de planejar o que faria com grandes retornos, pense sobre como lidaria com um forte tombo.

Se perceber que sua perspectiva de perda for maior do que a de ganhos, aproveite para fazer dinheiro em cima da tragédia. Como? Saiba aqui.

MELHOR DA SEMANA

A gente bem sabe que as fintechs têm causado barulho no tradicional mundo financeiro, mas continuo a vibrar toda vez que as investidas dessas empresas inovadoras surtem efeito no modus operandi dos grandes bancos. Depois do Santander, agora foi a vez de o Banco do Brasil lançar um cartão de crédito sem anuidade, disponível inclusive para aqueles que não são clientes. Com isso, os bancões fazem frente a investidas já populares, como a do Nubank. Matéria do jornal “Folha de S.Paulo” sobre essa novidade ainda compara as opções do mercado.

Ótima notícia para os clientes, mas há uma ressalva a ser feita: até que ponto a iniciativa será sustentável? Já vimos esse filme antes, com os bancos lançando e depois desistindo das contas digitais gratuitas. Torço para a política de fato ter mudado agora.

Aproveitando o assunto das fintechs, vale conferir a publicação especial referente à oferta pública inicial de ações (IPO) do Agibank, com o parecer da Empiricus sobre participar ou não da operação. Para ter acesso a essa publicação e outros conteúdos, acesse aqui.

PIOR DA SEMANA

Tinha tudo para ser uma notícia positiva, mas terminou em decepção. Depois de contar na semana passada que a Bradesco Corretora havia decidido zerar a taxa de administração para os investidores do Tesouro Direto a partir deste mês, um assinante me chamou a atenção. Segundo ele, a corretora do Santander também teria decidido isentar os investidores da taxa desde o início do ano. Só faltou contar para o mercado…

A promoção vale para novos clientes e vigora até o fim de 2018, mas se encerra no próximo dia 26 de junho. Segundo nosso assinante, o Santander não teria registrado aumento no volume de operações ou base de clientes que justificasse a “perda de receita”. Eu realmente estou para ver alguém ganhar com uma “ação secreta” como essa. Que desperdício, Santander!