Dá uma carona pra mim?

Tenho orgulho de dizer que descobri a fórmula para explorar o mundo dos investimentos de forma fácil, segura e rápida. Você também pode pegar essa carona.

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Dá uma carona pra mim?

Um ser cor-de-rosa, com uma grande mochila nas costas, acenava no canto da estrada. Minha irmã, ainda contaminada pela irmandade da Chapada dos Veadeiros, freou subitamente. Abri o vidro, pelo qual entrou a cabeça do menino, colocando em prática seu vasto vocabulário: “Brasília?”.

Ao som de porta destravada, ele se jogou para dentro do carro, contando apressado que não havia lugar algum em meio àquela poeira e galhos retorcidos que aceitasse seu Mastercard Internacional. “Tenho isso” – disse, balançando constrangido uma nota de R$ 5,00.

Minha irmã e eu demos nossa aula de brasilidades, da política e economia ao samba, passando pela culinária – mineira, é claro – enquanto levávamos o jovem gringo ao tão desejado caixa eletrônico na capital. Em poucos minutos, ele já sabia até algumas palavras em português chulo.

Existe melhor forma de explorar o desconhecido do que na garupa de alguém de confiança, que conhece o terreno?

Nos investimentos, eu não tenho vergonha de dizer que peguei muita carona nos últimos anos. Veja 2017…

Ganhei com a alta de Magazine Luiza na garupa do Luiz Alves. Eu não fazia ideia de que a varejista ia arrebentar na Bolsa, mas colei no homem que construiu um patrimônio de mais de R$ 2 bilhões investindo em ações nas últimas décadas. Com Magazine e outras mais, meu dinheiro cresceu 84% desde então (ah, já descontados os custos).

Também fiz dinheiro com a Bolsa americana sem nunca ter mandado recursos para fora. Nesse caso, peguei carona com o Marcio Appel. Ele tinha saído de um longo histórico no Banco Safra para montar sua própria gestora no Rio, a Adam. E superou as expectativas: fechou 2017 com um retorno de 153% do CDI.

Se tivesse entrado na onda do gerente, estaria mais perto dos 100% do CDI. E olhe lá!

Para minha reserva de emergência, também peguei carona. Enquanto blogueiros e blogueiras davam conta da moda do Tesouro Direto, com taxa de 0,3% ao ano, descobri três gestores que compram título público no atacado e cobram menos do que isso: 0,2% ao ano. Embarquei na deles também.

Debêntures? Não faço ideia de como escolher uma. Imagina, emprestar dinheiro para uma empresa… Preciso de garantias! Conheci o Arturo, da Capitânia, e peguei uma carona mais.

É claro que gastei tempo buscando e escarafunchando o passado do Luiz Alves, do Appel e do Arturo. Também dediquei várias horas a escolher o melhor produto de cada um deles e a encontrar formas de acessá-los. Por fim, conversei com gestores de fortunas e estudei alocadores internacionais para saber como combiná-los. Você sabe… ovo, farinha, leite e açúcar podem fazer um belo bolo ou uma sola de sapato.

Tenho orgulho de dizer que descobri a fórmula para explorar o mundo dos investimentos como um estrangeiro – ou seja, sem conhecer nada sobre ele – de forma fácil, segura e rápida. Você também pode fazê-lo: é só andar com as pessoas certas. Quer carona?

Ah, adivinhe o que virou a tal nota de R$ 5,00 na mão de um sueco, guiado por duas mineiras? Uma barrinha de doce de leite, é claro – na primeira parada, depois do pedido de carona.

 

Li que existe um novo fundo previdenciário: SPX Lancer. Diz que esse fundo seria uma adaptação do Raptor e do Nimitz. Poderia comentar? – Kenji Y.

Recebi uma centena de mensagens como essa nos últimos dias. O Lancer é o novo fundo da gestora carioca SPX, agora embalado dentro de um plano de previdência. Ou seja, você pode ter a equipe de Rogério Xavier a seu dispor em um VGBL ou PGBL.

A SPX foi criada em 2010 por egressos da gestora BBM, hoje Bahia Asset. Desde então se tornou figurinha conhecida, especialmente entre alocadores de fortunas. Nos últimos meses, a casa tem feito aberturas-relâmpago de alguns produtos no varejo.

Desde dezembro, a previdência da casa era oferecida pelo Itaú, porém com taxa de carregamento – uma esdrúxula mordida no patrimônio que incide na largada ou na saída –, além da taxa de administração.

O produto foi lançado nesta semana também na seguradora Icatu, com carregamento na saída, que zera depois de três anos (menos mal, já que a previdência é um produto de longo prazo), e também está nos planos do BTG Pactual para em breve.

Infelizmente o Lancer não pode replicar todas as estratégias do Nimitz por conta dos limites da regulação de previdência – como a proibição para alavancar e o limite de 10% para investir em um fundo no exterior.

A meta, entretanto, é reproduzir o máximo possível da estratégia dos multimercados da casa. E o escolhido para orquestrar essa adaptação é Bruno Marangoni, desde 2014 na SPX. Antes disso, ele trabalhou no BTG, onde começou como trainee em 2004, e depois foi por três anos gestor de moedas e renda fixa da JGP.

Um dos charmes da SPX é ter explorado além-mar, ao abrir um escritório em Londres, de onde a equipe acompanha o mundo mais de perto. Isso não poderia faltar no Lancer, que investe 10% de seu patrimônio em um fundo no exterior, algo bastante sofisticado para a indústria de previdência brasileira, que aloca mais de 90% do patrimônio na renda fixa local.

Hoje umas das principais teses da equipe da SPX é que o juro americano e o europeu vão subir além do esperado pelo mercado. Depois de um longo período de excesso de liquidez global, estimulado por juros básicos extremamente baixos, a equipe de Xavier vê sinais de reversão. Se a tampa do ralo de fato for aberta com velocidade, a gestora deve ganhar dinheiro com a posição.

Dadas as regras, não seria possível replicar o Nimitz e sua meta de volatilidade de 5% sem correr riscos em excesso, no entendimento da casa. Foi por isso que a SPX fez do Lancer seu filho mais comportado. O plano é bater no máximo entre 3% e 3,5% de volatilidade.

Se por um lado, por permitir que a equipe assuma menos risco, o Lancer tende a render menos do que o Nimitz, por outro ele tem vantagens em relação ao fundo-irmão, como a ausência de taxa de performance e de cobrança de come-cotas, a mordida semestral do Leão que incide sobre os multimercados – e que não existe na previdência.

Quer saber se deve ou não pegar carona na previdência da SPX? Ou está perdido e não sabe nem por onde começar? Eu posso contar a você aqui.

 

MEU PROJETO DE VIDA
Como filha de pai médico e mãe artista, especializei-me em ajudar quem não tem tempo para investimentos ou acha o assunto uma chatice a ganhar dinheiro como um profissional do mercado. Duvida? Vem comigo.