M5M_Irresistível clichê

Não resisto ao clichê: então é Natal, e o que você fez?

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00:07 - Chefe é que nem nuvem

O trânsito no Itaim foi extraordinariamente bom nesta semana. Boa parte dos financistas, suspeito, já deixou as gravatas de lado e partiu para uma breve pausa. Minha tese é reforçada pelo semblante predominantemente tranquilo dos analistas júniores que circulam pela região: muito embora tenham ficado incumbidos de fazer o plantão de final de ano (vai que o mundo vira do avesso, não é mesmo?), se valem da máxima que afirma que chefe é que nem nuvem — quando desaparece, o dia fica lindo.

Em clima de cumprimento de tabela, dia é de volumes e noticiário fracos por aqui. Nossa bolsa opera em alta moderada, com foco predominante em nomes domésticos.

Mercado de juros é plácido, com mínimas oscilações após bom desempenho dos últimos dias.

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01:02 - Não precisava se incomodar

No noticiário externo, destacam-se os acordos firmados entre uma leva de bancos e as autoridades americanas para por fim aos litígios relacionados às barbaridades que cometeram lá atrás, durante o boom do subprime.

O destaque cabe, evidentemente, ao Deutsche Bank. A instituição concordou em colocar uma pedra sobre o assunto mediante desembolsos da ordem de 7,2 bilhões de dólares. O valor supera as estimativas mais recentes mas, à primeira vista, exime o banco de promover uma recapitalização. Ainda bem.

Na Itália, o Monte dei Paschi sinaliza que, “por precaução”, lançará mão do socorro estatal desenhado pelo governo italiano. Precaução, é claro: a banca age, aqui, igualzinho àquele familiar que fará cara de surpresa ao receber seu presente no domingo. “Não precisava se incomodar!”

02:25 - Hora da cartinha

Para os gestores de recursos, se aproxima a hora de fechar a cota do ano — o número em função do qual, a despeito de quanto suor e lágrimas despenderam neste 2016 de altos e baixos, serão julgados pela maioria.

Acho injusto, mas é do jogo. Os barões do eixo Itaim-Leblon escolhem cuidadosamente as palavras que usarão em suas cartinhas — não ao bom velhinho, mas aos clientes que lhes confiaram patrimônio.

Não resisto ao clichê: então é Natal, e o que você fez?

Quem apostou nas teses vencedoras, não tem do que reclamar: resta se preparar para o anúncio das boas novas com a consciência tranquila de bons meninos que farão jus a boas recompensas sob a árvore.

Entre os que erraram a mão, despontam dois comportamentos distintos. Uns simplesmente preparam o necessário mea culpa e depositam as esperanças em dias melhores. Outros reagem a incentivos assimétricos que os empurram na direção de riscos adicionais para melhorar a foto.

Diante da perspectiva de encontrar um pedaço de carvão dentro da meia, não custa arriscar. Vai que o jogo vira, não é mesmo?

Fica o alerta: não se deixe enganar pelas “puxetas de final de ano” na bolsa.

03:10 - Muito obrigado!

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04:18 - O presente de Ilan

Haveremos de, lá na frente, olhar para trás e lembrar das palavras de Ilan Goldfajn. Discussões sobre o ritmo da queda da Selic à parte, o fato é que a ancoragem das nossas expectativas de inflação é um presente de valor inestimável.

Há um ano, ninguém se dispunha a incorporar às suas premissas de longo prazo uma inflação de 4,5 por cento. O esforço em quantificar os impactos dos descalabros de nossa política monetária durante nossa noite mais escura era vão. É inegável o progresso conquistado nesse front.

A reconquista da autoridade monetária passa por consistência na sinalização. Questionado se o corte de 25 pontos da última reunião foi demasiadamente conservador, o presidente do BC foi taxativo em reiterar o ponto de vista do comitê.

A mesma consistência há de se demonstrar na mudança do ritmo: a tese de que Copom poderia ir a 75 para “compensar” a decisão anterior para, em seguida, seguir com cortes de 50 não encontra suporte algum nem no histórico do comitê, nem no discurso de Goldfajn.

No mercado, aposta predominante é de chegamos ao final de 2017 com Selic a 10,5 por cento. Grosso modo, 6 por cento de juro real. Qualquer percepção adicional de melhora de fundamento de longo prazo abre espaço para ir um pouco além.

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