M5M_O Voo do Velho Tucano

FHC parece ter sepultado de vez Governo Temer e vai tentando costurar o que poderia vir pela frente.

M5M_O Voo do Velho Tucano

“Na minha opinião, qualquer um que venha a ser o eleito indireto, ele terá de se comprometer com uma coisa. Fosse eu o indireto, o que poderia fazer lá? Chamar eleições. Claro que leva tempo. Mas tem de abrir uma janela de esperança para o país.” – Fernando Henrique Cardoso

“Nos próximos dias, o Senado define a agenda de votação. Mas o certo é que o Brasil não pode esperar mais.” – Ronaldo Nogueira, Ministro do Trabalho, sobre a reforma trabalhista.

Trilha do dia
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00:10 - Campanha do Velho Tucano

No meio da ponte do feriadão, a novidade veio do super velho Tucano – em entrevistas, FHC parece ter sepultado de vez o Governo Temer e vai tentando costurar o que poderia vir pela frente – ele próprio se lançou como interino.

Tentando ganhar apoio, o ex-presidente fala em unificar o país e cita nominalmente PT e PSOL. A campanha do Tucano tem até slogan: “Fosse eu o indireto, o que poderia fazer lá? Chamar eleições”.

Curioso que ele bem sabe que não depende só do presidente chamar novas eleições: há que se emendar a Constituição e combinar com o STF se a emenda poderia valer já para o mandato em curso – pra mim, isso é discurso de candidato tentando seduzir a esquerda.

E, enquanto durassem as eleições, debates, acusações e promessas de campanha, FHC (ou qualquer outro indireto) teria alguma governabilidade?

Há que se pensar no que pode ser feito, rapidamente, para segurar esse ímpeto de reação da economia brasileira – no mensal, IBC-Br de abril veio positivo em 0,28 por cento. Apesar de baixo, reverte a queda de março de -0,44 por cento.

Na comparação anual, -1,75 por cento. Apesar de muito ruim, vale destacar que abril foi um mês com poucos dias úteis – foram inúmeros feriadões; teve gente que até fez greve pra descansar por quatro dias.

Bolsa não reage bem e cai, consolidando o mergulho abaixo dos 62 mil pontos. Com atividade fraca, dólar comportado (subindo um pouco hoje) e inflação lá embaixo, há pouco o que esperar que não um Bacen dovish, apesar da loucura política – já há uma sinalização de redução da meta da inflação para 2019.

Juros voltam a fechar e estamos a meio caminho dos níveis “pré-Joesley”, o que me faz pensar em um dos temas mais controversos do mercado.

01:25 - Os mercados são eficientes?

Há todo tipo de estudos, análises, papers e ensaios sobre o assunto, mas pouco consenso.

Podemos encarar a brincadeira de três formas:

Os mercados são absolutamente eficientes: toda informação pública e não pública está incorporada nos preços dos ativos;
Os mercados são “meio” eficientes: apenas as informações públicas estão refletidas nos preços e;
Os mercados não são eficientes: nem mesmo a informação pública é adequadamente refletida no preço dos ativos.

Se você aceitar a primeira hipótese, automaticamente assume que é impossível ter ganhos extraordinários – é impossível beat the market.

Essa hipótese é particularmente fácil de se refutar: tem gente que está há anos batendo o mercado, a teoria simplesmente não se sustenta na prática.

Exemplo: digamos que um determinado jornalista tenha informações relevantes sobre uma determinada gravação que implique um determinado presidente de um determinado país. Ele sabe que vai “dar o furo” em breve e solta essa informação para dois ou três gestores de fundos uns dias antes.

Na camaradagem.

Os gestores, sabendo de antemão, viram a mão e ganham muito dinheiro quando a informação não-pública se torna pública.

Eu me recuso a acreditar que TODOS os gestores vencedores se baseiam em insider pra ganhar dinheiro.

Na verdade, ingênuo que sou, acho que isso corresponde a uma minoria.

Na minha opinião, o mercado trabalha com diversas ineficiências pelos desvios cognitivos e emocionais dos agentes. Há pelo menos três bons argumentos nesse sentido.

1 – as pessoas quantificam mal a ocorrência dos eventos de cauda – os famosos cisnes negros. Ninguém acha que o mundo vai acabar a cada pouco e, por isso, em momentos de calmaria, fica fácil comprar seguro bem baratinho. Em outras palavras, na maior parte do tempo, as puts ficam mais baratas do que deveriam.

Na verdade, é muito difícil atribuir probabilidades a eventos reais – é só perguntar pro pessoal de consultoria política qual a chance do Temer concluir o mandato. De uma semana pra outra, vemos revisão das probabilidades da ordem de 40 por cento pra 70 por cento. Ninguém nem fica vermelho.

2 – o “desconto hiperbólico” – é difícil abrir mão do cachorro quente hoje para ter uma barriga tanquinho daqui seis meses, assim como é difícil investir sua grana hoje pra ter uma aposentadoria tranquila.

Se você tiver paciência acaba ganhando um prêmio pela impaciência dos demais: aquele fundo imobiliário com um prédio incrível, super bem localizado e locado com 2 anos de carência que só vai pagar proventos lá na frente.

3 – o peso enorme que os agentes dão às notícias correntes. Tudo que acontece hoje tem um peso muito maior no preço de tela do que deveria. Preço da celulose recua um pouco – pronto, bora vender o setor inteiro porque celulose micou.

Veja como foi o comportamento do mercado de juros no 18 de maio: curvas abriram muito mais do que deveriam na hora do pânico. Quem teve calma e pensou apenas nos fundamento para juros, inflação e atividade, conseguiu entrar em um bom momento (ou não vendeu nas mínimas pra depois sair falando que teve disciplina pra stopar).

Se tem gente por aí que fala que o mercado está sempre certo, eu já penso que está sempre errado!

Agora, isso não quer dizer que se possa desprezar os preços de tela. Apesar de ruim, o mercado é a melhor fonte de informações para preço – afinal, é a única que temos.

PS.: Falando em eficiência e insider: Palocci teria delatado Mantega por, supostamente, passar informações privilegiadas sobre juros e câmbio a participantes do mercado – eficiente, mesmo, é ser amigo do Rei!

PPS.: falando em ineficiência, o que dizer do destino de nossos impostos? No ano, a arrecadação total de impostos já atingiu 1 trilhão de reais – a se manter o ritmo, vamos chegar a 2 bilhões de reais no ano – cerca de 1/3 do PIB brasileiro.

03:00 - As 4 Melhores do Bruce

As ineficiências do mercado são o ponto de partida do Value Investing – para os adeptos da metodologia, as ações têm um valor intrínseco do qual, muitas vezes, o mercado opera descolado.

A brincadeira, então, é calcular esse valor e comparar com o preço de tela: se estiver barato, compre. Se estiver caro, venda (ou não compre). Parece simples e intuitivo, mas definir o valor quase nunca é assim tão simples.

É preciso fazer uma série de análises, ser bastante diligente estudar muito as empresas e suas (des)vantagens competitivas.

Depois de tudo isso, o Bruce selecionou as quatro ações que ele acredita ter tudo para entregar resultados excelentes no segundo semestre!

Não deixe de conferir aqui!

04:00 - Numerologia

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