M5M_Testando o limite do mercado

Enquanto dados econômicos encurtam o prazo para que Yellen comece a aumentar juros, o S&P 500 testa a máxima histórica…

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00:03 - O limite de 1/x

Aprendi ainda na escola que não se pode dividir um número por zero. Anos mais tarde, já na faculdade, fui introduzido à noção de limite: se 1/0 é indeterminado, estudemos o que acontece quando o zero é substituído por algum valor próximo – muito próximo – de zero. Tem-se que 1/0,1 é 10, que 1/0,01 é 100, que 1/0,001 é 1.000, que 1/0,0001 é 10.000… enfim, já entendemos: à medida que x se aproxima de zero, o valor de 1/x cresce rumo às estrelas.

Um fluxo de caixa descontado, método mais consagrado de avaliação de ativos, é uma soma de termos similares a 1/x, onde x é o custo de capital. Da mesma forma que no exemplo genérico de limite de minhas aulas de Pré-Cálculo, quando x tende a zero o “valor justo” do ativo cresce exponencialmente. E vice-versa…

Pois imagine que 1/x é o “valor justo” do somatório de empresas que compõem a bolsa americana, e x é o custo de capital nos EUA, que é função direta da taxa de juros praticada por lá. O que se deveria esperar de 1/x quando x, que está a quase zero, começar a subir?

Eis que, enquanto dados econômicos encurtam o prazo para que Yellen comece a aumentar juros, o S&P 500 testa a máxima histórica. Nada me tira da cabeça que isso simplesmente está errado.

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01:16 - Otimista, eu?

Mercados mundo afora, hoje, praticamente todos em alta. Na China, dados da balança comercial vieram abaixo do esperado (chineses comprando menos é má notícia para quem vende para eles – ou seja, todo mundo!). A despeito disso, minério de ferro novamente em alta e níquel próximo da máxima de um ano. Quem adivinhar qual país é o maior comprador de ambos ganha um xiao long bao.

No Velho Continente, pacote de socorro a bancos italianos é considerado subdimensionado, mas ninguém parece se importar. Investidores comemoram (sim, comemoram!) a decisão da Moody’s de postergar a reavaliação da nota de risco da Turquia após o golpe de Erdogan. O mesmo Erdogan que foi visitar Putin.

Diante disso tudo, recebo um e-mail de uma leitora apontando meu otimismo no M5M. Otimista, eu?

02:05 - Menos uma vítima para o Esquadrão

Conversava ontem com um amigo de longa data, colega dos tempos de colégio. Ele abriu um negócio anos atrás e as coisas vão muito bem. O cansaço com o dia-a-dia da operação da empresa, entretanto, começa a pesar.

Fiz a provocação de sempre: não será a hora de delegar mais? A resposta também foi a de sempre: “quando estiver fazendo X mil reais por mês de renda passiva, eu paro.”

Então perguntei: “OK, e como você está investindo o patrimônio para chegar lá?” Qual minha surpresa ao descobri-lo aplicando em fundos de investimento péssimos – uma verdadeira vítima do Esquadrão da Taxa Abusiva. Fizemos algumas contas juntos e concluímos que ele está muito mais próximo da meta do que imaginava.

É para proteger você de roubadas como as que ele estava metido que a Luciana faz o Melhores Fundos de Investimento.

03:04 - Tu quoque

Vem mais turbulência política pela frente. Foi só Gilmar Mendes pedir a cassação do registro do PT para, ato contínuo, surgirem denúncias contra o PSDB – mais especificamente da Odebrecht, no financiamento à campanha de José Serra à presidência em 2010. E, é claro, acusações de conversas pouco republicanas no Palácio do Jaburu.

Tu quoque é a falácia argumentativa na qual responde-se a uma crítica com a mesma crítica. O expediente é velho conhecido da política brasileira quando alguém é pego com a boca na botija. Mas e se dessa vez o grito de “lobo” for real? Se a história ganhar corpo, o cenário doméstico pode chacoalhar. No momento em que escrevo, Ibovespa está em leve alta: o mercado, até aqui, parece estar dando de ombros para isso. Aguardemos.

De qualquer forma, é bom saber que há 34 novos partidos em processo de formação no Brasil, contra os 35 existentes. Em último caso, dá para trocar todo mundo.

04:11 - O copo meio-cheio

De onde vem a percepção da leitora de que sou um otimista?

Hoje o Facebook me lembrou de uma frase que postei há exatos três anos: “Qual é a diferença de o Tesouro tirar o dinheiro de seu cofre ou de um banco de Estado? Não há diferença nenhuma.” Palavras do então ministro Edison Lobão. Que tempos…

E hoje? Dólar está na mínima de um ano e há investidores ávidos por participar de privatizações no Brasil. Energisa e CVC reabriram o mercado para IPOs e follow-ons e bancos de investimento falam em fazer um ano em seis meses. Depois de anos de sandices do estilo da “Nova Matriz Econômica”, voltaram à pauta reformas estruturais.

Acredito que uma elevação dos juros nos EUA desinflará preços de ativos mundo afora? Sim. Mas acredito também que, na disputa pelos recursos que sobrarem com outros mercados emergentes, temos razões de sobra para acreditar que podemos nos sair bem.

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