O que os argentinos podem nos ensinar (sim, chegamos neste ponto)

Ontem comentei aqui sobre os infortúnios enfrentados pelo mercado de títulos do Tesouro Nacional, que vem sofrendo paralisações diárias por conta da volatilidade extrema, algo atípico para a renda fixa. Contando esta quinta-feira, é o quarto dia seguido que o Tesouro enfrenta paralisação ou suspensão nos negócios. Hoje soltamos uma nota de manhã aos clientes, refletindo uma situação histórica e insustentável.

00:09 - Sob ataque

Prezado leitor, infelizmente tenho notas desagradáveis – embora necessárias – a compartilhar nesta quinta-feira.

Ontem comentei aqui sobre os infortúnios enfrentados pelo mercado de títulos do Tesouro Nacional, que vem sofrendo paralisações diárias por conta da volatilidade extrema, algo atípico para a renda fixa.

Contando esta quinta-feira, é o quarto dia seguido que o Tesouro enfrenta paralisação ou suspensão nos negócios.

Hoje soltamos uma nota de manhã aos clientes, refletindo uma situação histórica e insustentável.

Todos os mercados nacionais enfrentam um fogo cruzado sem paralelos.

Ontem os juros futuros brasileiros bateram no limite de variação diária de 80 pontos-base, disparando o mecanismo de  circuit breaker , tendo, assim, os seus negócios congelados.

Por sua vez, o seguro contra calote brasileiro  (Credit Default Swap)  ultrapassou a marca de 500 pontos nesta sessão, patamar equivalente ao de economias de grande porte em guerra civil e/ou sofrendo sanções comerciais de EUA e Europa, como a Rússia.

O gráfico abaixo dá uma dimensão do tamanho dessa percepção de risco atrelada ao Brasil:

Fonte: Bloomberg  

01:18 - Estamos completamente vulneráveis

Hoje o dólar chega ao patamar inédito de R$ 4,23.

A Bolsa brasileira, que já não é a mais valiosa da América Latina, sofre outro tombo.

Com isso, adentramos a marca de 10 mil pontos em dólar para o Ibovespa.

Para se ter ideia da dimensão do problema, isso já é 20% abaixo do piso atingido na crise de 2008.

Ou seja, as empresas brasileiras estão na prateira praticamente de graça para os estrangeiros.

PS: todos os pontos acima reforçam a tese da virada de mão e a importância deste momento único para alguns investimentos. Caso ainda não tenha visto, segue aqui o material.

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02:25 - O que os argentinos podem ensinar para a Petrobras

Pode parecer piada em primeiro momento, mas não é…

Para os hermanos, não é novidade que a dívida estoure por desvalorizações da moeda local.

A questão é como os diferentes países têm abordado a situação.

No caso argentino, a estatal YPF também tem uma dívida crescente em dólares e um consequente descompasso em seu balanço.

Porém, o jeito de resolver o problema desde a nacionalização da companhia (2012) tem sido muito diferente:

1) Mesmo tendo sofrido interferência política no Conselho, o CEO da YPF é um renomado executivo com experiência internacional em óleo e gás (Schlumberger). Por sua vez, Aldemir Bendine não é propriamente um técnico do setor – pelo contrário, era o homem do governo no Banco do Brasil.

2) No mesmo sentido, o diretor financeiro da YPF foi previamente alguém com uma carreira muito bem-sucedida em um grande banco de investimentos internacional, com experiência em aquisições, captação de dívida, entre outros.

3) O governo interfere nos preços da gasolina e do diesel na Argentina, porém a divisão de logística mantém uma lucratividade (mais ou menos visando a que 30% do lucro venha dela). A ideia é manter aumentos em linha com a inflação ou se aproximando da paridade de importação. O país também é importador líquido de combustíveis, como o Brasil, mas o governo tem aproveitado a queda dos preços do petróleo em níveis internacionais para ir desfazendo os subsídios.

4) O governo argentino também interfere no preço do petróleo a que vendem os produtores dentro do país para frear as exportações. Porém, como o país é importador líquido, tem subido o preço máximo (é função do preço internacional) como o objetivo de incentivar o investimento no setor no longo prazo.

5) O governo argentino tenta interferir na parte operacional para ajudar a YPF a desenvolver o seu programa de investimentos (por ex. aliviando a burocracia na importação de equipamento). Por aqui, o modelo do pré-sal, por exemplo, obriga a Petrobras a participar com um mínimo de 30% em todos os projetos da fronteira exploratória, sendo que a estatal simplesmente não tem capacidade financeira para fazê-lo.

6) Seguindo o ponto anterior, a Argentina aceitou que não tem expertise na área de oleo e gás e que tem que aproveitar a disponibilidade internacional e não implementar uma política de conteúdo local (casos como a Sete Brasil não existem). Contudo, alguns estados exigem que uma certa porcentagem de contratações venha da região (efeito pouco relevante).

7) O jeitinho argentino… O governo é ciente de que não tem financiamento para o capex alto da companhia e está ajudando proativamente ao management na procura de alianças estratégicas. Recentemente (nov/2014) para facilitar um acordo com a Chevron o governo conseguiu um acordo em menos de uma semana com o congresso para reformar a lei inteira de hidrocarbonetos e conseguir desenvolver Vaca Muerta (principal formação de gás da Argentina).

03:24 - Resultado?

A argentina está longe de ser uma referência, mas ainda sobra ante a brasileira:

Fonte: Bloomberg

 

Não à toa, YPF paga juro menor do que Petrobras em suas captações.

04:27 - Quem chega nos 5 primeiro?

Agradeço a enorme colaboração dos leitores na enquete de ontem.

O candidato 2 saiu vitorioso da pesquisa com os leitores. Ele será o analista responsável pela edição portuguesa do Mercado em 5 Minutos.

Para preencher o vazio de enquetes em seus corações, deixo aqui outra.

Quem chega primeiro em 5?

a) dólar
b) ação da Petrobras
c) popularidade da Dilma
d) volume do Cantareira

 

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