PIB seria uma rima

00:09 - Sete faces

Em debate com Arminio Fraga e Gustavo Franco pela manhã, o ministeriável Henrique Meirelles palestrou:

“Mesmo que a curto prazo tenhamos que ver um aumento de impostos (…) olhando à frente, vamos precisar endereçar uma inversão da trajetória de dívida e da carga tributária brasileira”.

Como se pode notar, trata-se de opinião absolutamente trivial. Eu também poderia dar palestra para falar essas coisas.

O grande lance é: como fazer?

Há um enorme bode dificultando a composição de superávit primário.

Todos os últimos aumentos de impostos vieram junto à promessa de corte posterior da carga tributária, e isso NUNCA aconteceu (pra ser justo, só quase aconteceu com Dilma, da maneira mais equivocada possível).

Você acredita em duendes?

01:14 - De duas, uma é falsa

A intolerância popular e parlamentar ao aumento de impostos pode parecer indisciplinada num momento em que vale todo tipo de sacrifício para fazer superávit.

Mas não vejo indisciplina aqui. Ao contrário: acho essa intolerância saudável.

Não fosse ela, repetiríamos infinitamente o mesmo erro, atingindo uma carga tributária de 110% do PIB.

Dada a rigidez tributária, restam duas soluções:

1. Aumentar a arrecadação via aumento do PIB.

2. Desvincular e cortar gastos públicos.

Você tem que torcer pela segunda, pois a primeira é uma farsa (!).

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02:27 - Viciados em PIB

Em poucos minutos, descartei a hipótese de elevação de impostos e torci o nariz para aumento do PIB.

É fácil criticar carga tributária; ninguém gosta de pagar impostos.

Mas um aumento do PIB não seria bom?

Não exatamente, pois também implica repetir o mesmo erro ad infinitum.

Quando o PIB cresce no Brasil, gera uma impressão fugaz de melhora das contas públicas.

No entanto, o custeio governamental – amarrado ao PIB – sempre cresce junto.

Não houve melhora estrutural, percebe? Estamos apenas empurrando com a barriga até a próxima palestra do Meirelles.

03:24 - Reta final

De barrigada em barrigada, chegamos ao penúltimo dia da temporada de resultados do 3T15.

Ufa! – finalmente poderemos sentar no sofá e respirar aliviados.

Em geral, as cifras foram ruins. Receitas estagnadas, forte impacto de juros, pequenos lucros e grandes prejuízos.

Isso serviu para elevar a “desigualdade de renda” entre as empresas listadas.

As poucas competentes se isolaram lá em cima, dentre as quais nossas seletas pagadoras de dividendos.

Enquanto isso, lá embaixo, Petrobras (prejuízo de R$ 3,8 bi) agradece o companheirismo de Eletrobras (prejuízo de R$ 4,2 bi).

04:25 - Culpa do dólar

Engraçado como todos os problemas no desastroso 3T15 de Petrobras parecem se resumir ao impacto do dólar.

“Não é culpa nossa; a culpa é do dólar!”.

Uma empresa com dívida bruta acima de R$ 500 bilhões sempre vai tentar culpar os outros por suas próprias faltas.

A alavancagem de 5,2x dívida líquida sobre ebitda coloca um enorme piano nas costas das metas operacionais.

Com tanto peso para carregar, a produção fica paralisada.

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