M5M_Pinhão, Quentão e Petróleo

As festas juninas em Brasília esvaziam a agenda. Pelo menos de quadrilha os caras entendem.

M5M_Pinhão, Quentão e Petróleo

“Você tem o índice de agonia de 1 a 10. E o termômetro está ligado faz tempo. Hoje, seria escala 8” – João Dória sobre a situação de Michel Temer.

“Trago uma mensagem de confiança. O Brasil, sem medo de errar, está deixando para trás uma severa crise de sua história” – Michel Temer, fingindo que tudo vai bem em evento na Noruega.

Trilha do dia
Pixies – Doolittle

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00:05 - Quadrilha em Brasília

Há pouca coisa nova acontecendo por aqui e, sinceramente, não dá pra saber se isso é bom ou ruim – em Brasília, nada é tão ruim que não possa piorar.

O STF segue avaliando se há alguma revisão a se fazer na delação da JBS e todo mundo esperando a sentença de Moro sobre o caso do triplex; no Senado, mesmo que aos trancos e barrancos, a reforma trabalhista vai andando e o resto vai ficando para depois da denúncia contra Temer – o governo guarda todo seu capital político (que não deve ser muito) para que o presidente não se torne réu no STF.

Em meio a isso, as festas juninas em Brasília esvaziam a agenda e o quórum, porque, claro, o momento é mesmo de pinhão e quentão – pelo menos de Quadrilha os caras entendem.


Fonte: Google.

00:45 - Chega de Neutralidade

Com pouca notícia, ou várias “não-notícias”, vale olhar com calma para o Relatório Trimestral de Inflação do Bacen. Apesar de não ter sido uma comunicação clara (raramente é), o relatório deixa aberta a possibilidade de um corte de 100 bps na próxima reunião do Copom.

Com revisão para baixo da expectativa de inflação para 2017, 2018 e 2019, os juros poderiam ir abaixo de 8,5 por cento e ainda manter a inflação dentro da meta (incluindo a meta revisada de 4,25 por cento para 2019).


Fontes: Empiricus Research e Bacen.

Falando mais claramente: os juros neutros, dadas as condições atuais, estão mais perto de 8 por cento.

Vale destacar que estamos falando de juros NEUTROS – com PIB e atividade na lama e 14 milhões de desempregados, faria todo sentido ir um pouco abaixo, mesmo que isso desse uma acelerada (leve) na inflação.

Com isso, as pontas curtas de juros fecham, mas sem muita convicção, e a curva vai ficando ainda mais inclinada. Faz sentido: do jeito que as coisas estão, no curto prazo, há pouca coisa a fazer a não ser derrubar os juros. Já pensando em longo prazo e sustentabilidade do país, sem reformas, nada feito – por isso juros longos sobem.

01:30 - Ouro Negro

Mesmo com ambiente um pouco pior lá fora – Bolsas operam no vermelho com petróleo (ainda que a sangria pareça ter dado um tempo) e incertezas sobre o Brexit – Bovespa consegue ficar positiva e acima dos 61 mil pontos. Dólar sobe um pouco e vai flertando com a marca de 3,35 reais.

Pedidos de auxílio desemprego nos EUA (241 mil) vieram sem grandes surpresas, absolutamente em linha com as expectativas de mercado (240 mil) e não fizeram preço nem pra cima nem pra baixo.

Falando em petróleo, Bruce me chamou a atenção: desde o boi negro de 18 de maio, Bolsa caiu 16 por cento em dólares, contra 13 por cento do petróleo. Pelo gráfico, dá pra ver o descolamento no dia 18, mas depois o petróleo “correu atrás” e os dois estão juntos.

Ou seja, com a falta de algum fato interno (positivo ou negativo), Bolsa voltou a andar junto com commodities.

Bovespa x Petróleo


Fontes: Empiricus Research e Bloomberg.

Engraçado que a gente anda, faz reforma, cai presidente, assume vice, quase cai o vice, desfaz reforma e, no fim, fica essa impressão de que o que manda mesmo são as commodities.
O rabo nunca vai abanar o cachorro, amigo.

Por mais que os caras já tenham queimado a mão com previsões de alta e baixa, já tem “especialista” virando a mão e falando que chegamos no fundo do poço com petróleo (com o perdão do trocadilho) – se voltar, será que a Bolsa volta junto?

Pra ficar um pouco mais animado, outro gráfico:

Bovespa x Juros

Fontes: Empiricus Research e Bloomberg.

Bovespa ficou pra trás dos juros – a linha laranja é o inverso do futuro de CDI para 2021. Ou Bolsa ou os juros têm que subir. Desde que não tenhamos nenhum choque (interno e/ou externo), tá aberto o caminho para uma leve recuperação.

Problema é que, no Brasil, o que não falta é choque…

PS: Falando em choque – a notícia de que a Cemig (CMIG4) finalmente vai vender a Light (LIGT3) energizou o mercado. Cemig sobe quase 12 por cento e Light já passou a barreira dos 30 por cento. Quem disse que a Bolsa não pode ser eletrizante?

Ponto para o Carlos, que estava de olho nos dois papeis há tempos ali no Insider.

03:00 - Que se lasque a capa!

Vai ou não vai ter choque?

Bolsa vai subir? Mas e se o Temer cair?

E se der alguma m3rd@ na China? Imagina só se o Trump decide explodir a coisa toda…

Seja quando estamos preocupados, seja quando tudo parece calmo, sempre tem alguma surpresa (positiva ou negativa) que pode te pegar no contrapé.

Se estiver muito pessimista, pode deixar de surfar a retomada e, se achar que tudo vai dar certo, pode tomar um tombo feio.

Ao invés de agir como se soubesse o que vai acontecer, a melhor coisa é estar preparado seja qual for a capa do jornal de amanhã. É assim que pensa o Felipe e é assim que você deveria pensar também.

Quem acompanha o Palavra de Estrategista com certeza tem visto recomendações tanto pra pegar a alta quanto de seguros pra se proteger da queda.

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