O que é marcação a mercado?

A marcação a mercado é… aquele seu primo chato.

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O que é marcação a mercado?

Você certamente já ouviu esse “palavrão”. E, se está conosco por tempo suficiente, com certeza já sofreu ou se beneficiou com os efeitos da marcação a mercado, mesmo sem saber o que era.

Chegou a hora de entendê-la de uma vez por todas!

A marcação a mercado é… aquele seu primo chato.

É isso mesmo. Sabe aqueles eventos de fim de ano, em que vai toda a família? Sempre tem aquele momento na mesa do jantar, quando você tenta se gabar dos feitos do passado para o namorado novo da sua irmã. Eis o primo chato que não deixa.

“Eu era campeão paulista de natação em mar aberto…”

“Mas hoje, se entrar na piscina, se afoga!”

“Eu pesava 80 quilos quando me casei…”

“Agora pesa o dobro!”

“Eu fui o único aluno da sala a conseguir resolver a questão de física…”

“O que não foi um bom indicativo de sucesso profissional!”

Seu primo chato faz com que todas as suas conquistas do passado sejam irrelevantes perto da realidade atual. Ele te lembra, todo evento, do que você é hoje, independentemente dos resultados anteriores. Em outras palavras, ele “reprecifica” seu ego, de forma que o valor atual seja o único relevante.

Outro exemplo de marcação a mercado, comumente utilizado no nosso dia a dia, é a tabela Fipe, que atualiza os preços dos automóveis.

Imagine que você comprou, felizão, um carro 0 km, com direção, teto solar, roda de sei lá o que, e pagou 75 mil reais. Você sai da concessionária como se andasse em cima de ouro, com cara de tiozão de filme norte-americano, todo orgulhoso, achando que foi um excelente investimento. E na sua contabilidade pessoal, ao listar o patrimônio, logo inclui o carro com o valor pago de 75 mil reais.

O sonho é bonito, mas a realidade é bem diferente.

Ao olhar a tabela Fipe, você conclui que só de tirar o carro da concessionária, já perdeu 25 por cento do valor do bem adquirido. Ou seja, hoje você é 25 por cento mais pobre do que antes e, cada ano que passa, os seus 75 mil reais parecem mais distantes, pois o patrimônio vai na verdade diminuindo. Quando decide vendê-lo, depois de quatro anos, você percebe que ele não vale quase nada, considerando a tabela. Metade do valor, com muita sorte.

Faz sentido tentar vendê-lo por 75 mil reais? Não! Ninguém vai comprar seu carro pelo preço que você pagou. A realidade hoje é outra, e os novos preços já incluem o valor atual. Você só conseguirá vendê-lo se de fato utilizar os preços de mercado. Não tem como fugir disso.

Na sua contabilidade pessoal, você pode agir de duas formas:

1. Precificar todo mês o carro pelo valor da tabela Fipe, de forma a ter o valor mais acurado possível para o seu patrimônio.
2. Precificar o carro a 75 mil reais e, depois do dia da venda, reconhecer uma perda de 50 por cento desse valor de uma vez só.

Na vida pessoal, a decisão vai de você. Precificar o seu patrimônio a quanto ele realmente vale é uma escolha. No mundo dos investimentos, não! Os órgãos reguladores obrigam os fundos a marcar todos os seus investimentos pelo preço que eles realmente valem.

Ou seja, se um fundo tem uma ação, e ela sobe 1 por cento hoje, no fim do dia a cota do fundo sobe 1 por cento. Se ele tem um título público prefixado, e a taxa cai, valorizando o preço do título em 5 por cento, a cota no fim do dia estará 5 por cento mais alta. E assim vai…

Você, investidor, não poderá nunca vender sua ação ou seu título por um preço FORA do preço de mercado.

Se você comprou ações PETR4 por 25 reais em 2014, não conseguirá de forma nenhuma vendê-las por mais de 15 reais, que é o que elas valem atualmente. Então, não faz sentido marcá-las na sua carteira a 25 reais.

A mesma coisa acontece com títulos públicos: apesar de ser o mesmo processo, poucos investidores entendem a marcação a mercado deles.

Se você comprou uma LTN 2023 no primeiro dia de 2016, a uma taxa de 16 por cento, pagou 353,82 reais.

Como conseguimos chegar nesse valor?

Toda LTN vale mil reais no vencimento (para saber mais, assista ao meu vídeo O que são prefixados no YouTube). Nesse caso, seriam mil reais depois de sete anos.

Assim, basta eu trazer mil reais a valor presente por uma taxa de 16 por cento por sete anos para ter o quanto esse título valia em 2016.

No primeiro dia de 2017, um ano depois, a taxa de mercado do título caiu — estava 11,50 por cento. Ou seja, o novo investidor que comprasse a mesma LTN 2023 em janeiro de 2017 teria de rendimento, até o vencimento, 11,50 por cento, e não mais 16 por cento.

Trazendo os mesmos mil reais que a LTN vai valer no futuro, por uma taxa de 11,50 por cento por seis anos (pois se passou um ano), temos um novo preço: 520,41 reais. Ou seja, se você quiser vender sua LTN 2023, só conseguirá 520,41 reais por ela, considerando a taxa de 11,50 por cento.

Daí as pessoas perguntam:

“Mas, Marília, vale a pena eu vender um título que me paga 16 por cento, sendo que hoje as taxas estão muito mais baixas?”

É aí que entra a beleza da marcação a mercado no mercado de juros. A resposta é: “Pode valer muito a pena, sim!”.

De hoje em diante, seu título não mais renderá 16 por cento; ele foi reprecificado para, daqui para a frente, render 11,50 por cento. Lembra da conta que fizemos?

“Então pra onde foi minha taxa de 16 por cento? Você não vive falando que se levarmos o título até o vencimento renderemos os 16 por cento com certeza?”

E a resposta é: a diferença já foi pro seu bolso. Hoje mesmo!

Note que o valor pago em 2016 foi de 353,82 reais, com taxa de 16 por cento. Se o título rendesse apenas a taxa contratada, depois de um ano ele teria que valer os 353,82 reais multiplicados por 16 por cento, resultando em 410,43 reais.

Mas, como a taxa caiu, em 2017 seu título não vale 410,43, e sim 520,41 reais, ou seja, vale muito mais do que aquilo que você contratou. Ele rendeu incríveis 47 por cento em vez de apenas 16 por cento. E você só esperava ter esse patrimônio muito tempo à frente…

Em outras palavras, se a taxa do título prefixado cai, você passa a render menos, mas esse rendimento será em cima de um patrimônio muito maior do que você esperava ter, de forma que no fim você chegue aos mesmos mil reais.

Então, a decisão de vender ou não um título é INDEPENDENTE da taxa pela qual você o comprou, porque hoje você não rende mais aquilo. Vender ou não o título depende de para onde você acredita que a taxa desse papel irá daqui em diante. Se achar que a taxa vai cair, você receberá adiantado mais os juros e continuará ganhando um retorno maior do que o contratado. Se achar que a taxa pode subir, a marcação a mercado comerá um pedaço do seu patrimônio de hoje, de tal forma que daqui para a frente a taxa a que ele renderá será maior.

Essa é a fórmula-chave para se aproveitar da marcação a mercado!

Sabemos que a economia é cíclica e que os juros sobem em alguns momentos, para depois caírem novamente. Com isso em mente, podemos operar esses títulos, tendo sempre aquele com maior potencial de valorização. A marcação a mercado fará o trabalho de adiantar os fluxos futuros, para que ganhemos muito mais do que o retorno contratado.

Conforme demonstrei, é totalmente possível ganhar 50 por cento em um ano apenas com títulos públicos e renda fixa.

É uma iniciativa nova e revolucionária para seus investimentos.

Gostou? Quer saber mais?

Que tal escolher a Renda Fixa e se beneficiar da marcação a mercado, além dos enormes retornos que a renda fixa pode gerar?

Te convido a entrar no meu mundo.

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