Onde estão as melhores oportunidades de renda?

Estamos procurando no lugar errado o paraíso macunaímico da renda.

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Onde estão as melhores oportunidades de renda?

Até pouco tempo, e em alguma instância ainda é assim, o Brasil era o País em que comprávamos renda fixa para apreciação do capital, e íamos para Bolsa atrás de yield.

Está aí mais uma de nossas excentricidades. Temos a jaboticaba, a taioba, a tomada de três pinos, a Gisele Bundchen (porque também ninguém é de ferro!) e a subversão da lógica clássica de alocação de ativos.

Agora, porém, as coisas parecem estar mudando.

Com o mercado cada vez mais certo de que a Selic deve mesmo ir para a casa de 7 por cento ao ano, acabou o paraíso do CDI. Mas como ninguém larga o osso fácil, ainda rasparemos o tacho atrás das últimas migalhas nos prefixados e indexados curtos. Sim, eu concordo com isso também.

E também reconheço a possibilidade, embora não muito provável, de que o juro básico possa vir à faixa dos 6 por cento. Mas, sabe como, é…Como um bom rapaz latino americano, tenho ouvido muito discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho, papo, som dentro da noite, e não tenho um amigo sequer que acredite nisso não.

Talvez tenhamos mesmo ganhos adicionais a capturar na parte curta da curva de juros, mas o potencial está rareando. A assimetria já não é mais tão convidativa. Assim como não é o posicionamento técnico desse negócio, claramente um crowded trade.

Com todo mundo montado na posição (veja que a situação é diametralmente oposta em Bolsa, principalmente quando falamos dos institucionais locais), qualquer soluço lá fora, bomba da Lava Jato ou outro black swan qualquer (é da definição dos cisnes negros não conseguirmos elencá-los; falamos dos unkown unknowns de Donald Rumsfeld) pode produzir um daqueles barata-voa clássicos, com nego stopando de cima a baixo, para depois poder valer-se por aí da retórica de disciplina e respeito aos limites de risco, um belo disfarce para as ameaças inexoráveis de chamada de margem.

Então, Macunaíma terá de conformar-se com o fim do paraíso rentista sem risco e enfrentar o monstro Venceslau Pietro Pietra dos juros longos e da renda variável.

Ambos me parecem interessantes. A primeira alternativa me parece muito ligada à concepção de uma trajetória crível para a dívida brasileira, o que necessariamente passa pelo endereçamento da reforma da Previdência. Ou, saindo do platonismo das ideias para a realidade material, de várias reformas da Previdência subsequentes. Não há bala de prata para o desastre fiscal brasileiro. Vamos ajeitando ponto a ponto, um passo de cada vez até que lá na frente teremos uma trajetória cadente para a trajetória dívida/PIB. Para isso, precisaremos necessariamente resolver as regras previdenciárias – não será de uma só vez, mas havemos de caminhar nessa direção.

Podemos nos divertir com a manutenção do rating brasileiro e a retirada do watch negativo pela S&P, ou mesmo com o afastamento da hipótese mais trágica de 170 bilhões de reais para a meta fiscal. São doses homeopáticas de entretenimento. E eu as recebo com felicidade. Raspas e restos me interessam. Mas o juro longo só vai cair mesmo com a Previdência reformada.

Então, temos a segunda alternativa: a Bolsa, essa virgem de lábios de mel, ainda pouco explorada pelos institucionais locais, que, cedo ou tarde, serão atraídos pela sua beleza indígena. O encontro da natureza inexplorada (Iracema) com a civilização da Faria Lima e do Leblon (Martim).

E aqui me refiro exclusivamente à questão de aferição de renda em Bolsa. Hoje, nem estou tanto me atendo a potencial de apreciação de capital.

O ponto essencial me parece ser: com a Selic efetivamente caminhando para 7 por cento, continuaremos a ver dividend yields tão óbvios de 7/8 por cento em Bolsa?

Eu sinceramente acho que não. Casos como IRB, WIZ, BB Seguridade e outros, aos preços e aos yields atuais, podem estar com os dias contados. Até para jaboticaba tem limite. Estamos procurando no lugar errado o paraíso macunaímico da renda.

Mercados iniciam a quarta-feira em campo positivo. Lá fora, há otimismo com sinalizações mais fortes para crescimento europeu. Ata do Fed é aguardada sem gerar grande tensão.

Por aqui, investidores reagem à nova meta fiscal, menos pior do que chegou a ser ventilado, e à decisão da S&P de manter o rating brasileiro e retirar-nos o watch negativo, o que foi uma grata surpresa diante das notícias recentes.

Agenda local traz ainda IGP-10, IPC-S e fluxo cambial semanal. Nova prévia da carteira teórica do Ibovespa manteve inclusão de Taesa, enquanto vencimento de contratos futuros de Ibovespa pode trazer volatilidade adicional.

Nos EUA, temos estoques de petróleo, além da ata do Fed.

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