Os incomodados que se retirem

A metralhadora virou de lado. Em meio às implacáveis investidas contra o mercado de criptomoedas (o André e o Vinícius que o digam), a última […]

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Os incomodados que se retirem

A metralhadora virou de lado.

Em meio às implacáveis investidas contra o mercado de criptomoedas (o André e o Vinícius que o digam), a última semana colocou outra inovação no centro das acusações: as fintechs.

Diante do ataque de hackers à base de clientes do Banco Inter, recém-chegado à Bolsa, e da quebra do Banco Neon, com desdobramentos para o Neon Pagamentos, o alarme foi acionado de vez.

Com clientes e investidores em pânico, questionamentos sobre segurança digital e sobre os riscos da inovação, além de comparações com os bancos tradicionais, ganharam força, ao lado de teorias conspiratórias por conta da coincidência de as duas fintechs terem sido “bombardeadas” no dia 4 de maio.

Reflexões e mudanças à parte, o fato é que ninguém quer passar o nervoso de ver seu dinheiro preso no banco, de ter que recorrer ao FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, para reaver seu investimento ou de ver suas informações financeiras colocadas na roda.

Mas sejamos honestos: quantos casos você já ouviu por aí de clientes de “bancões” com cartões clonados ou com “inconsistências” nas contas-correntes? No ano passado, a XP teve um problemão quando dados de quase 30 mil clientes foram roubados e três clientes sofreram um desvio de recursos de suas contas.

Tem gente que fica com nome negativo na praça por engano, que recebe ligações diárias de cobrança de um financiamento nunca contratado e que até leva multa de trânsito sem estar no lugar indicado.

Acontece muito erro no mundo, físico ou digital.

O que aconteceu com o Neon e com o Inter é sério, merece, sim, acompanhamento e causa dor de cabeça, mas não invalida o que as fintechs vêm fazendo.

Mais importante do que gastar tempo pensando se vale a pena ter conta no banco A ou B é pensar em como você quer ver seu dinheiro render. Porque banco hoje serve praticamente apenas para fazer uma gestão dos recursos que entram e saem da sua conta para outras finalidades. O que importa mesmo é se dedicar a encontrar alternativas para investir seu dinheiro, sem pagar por serviços cujo valor tem cada vez mais sido reduzido a zero.

Logo, logo, clientes com conta no Neon vão estar com todos os serviços normalizados dada a nova parceria com o Votorantim. O que não consigo entender é por que alguém deixaria o dinheiro rendendo só 90 por cento do CDI no CDB do banco do mesmo nome…

Nesse caso, não houve nada de inovação – o Neon ficou muito mais próximo dos bancões ao oferecer esse tipo de produto mixaria para seus clientes, e esse foi seu grande erro. Alto risco e retorno irrisório.

Pode-se falar o que quiser do Inter, mas, além de uma boa conta digital, o banco tem uma oferta de produtos acessível a qualquer cliente, melhor do que a das grandes instituições.

Renda fixa já não rende grande coisa faz tempo, mas ainda assim vale ter uma parte dos recursos alocados em ativos mais conservadores para proteger sua carteira. Nesse sentido, a plataforma do Inter é transparente e conta com boas opções para seu colchão de liquidez, com CDBs que rendem 100 por cento do CDI e com liquidez diária, além de aplicações isentas de Imposto de Renda que entregam retorno de pelo menos 90 por cento do CDI (o mesmo que o Neon oferecia aos seus clientes, mas líquido de tributos).

Da mesma forma, clientes do concorrente Sofisa Direto encontram ofertas justas de investimentos mais conservadores, e o melhor, sem tratamentos diferenciados: as taxas de retorno oferecidas pelos CDBs, LCIs ou LCAs do banco não variam conforme o valor aplicado, portanto, tanto faz investir 10 reais ou 10 mil reais.

O grande trunfo e, possivelmente, o principal incômodo gerado pelas fintechs está em expor o alto custo cobrado pelos grandes bancos para serviços cada vez mais banais e o baixo retorno do que realmente importa: os produtos de investimento.

Certamente, as fintechs ainda têm grandes desafios pela frente, mas acredito que uma coisa já está dada: a popularização de serviços financeiros, a oferta mais refinada e cada vez mais diversificada de investimentos e o fim de um tratamento diferenciado para os clientes “VIP”, comum nos grandes bancos, vieram para ficar.

Gostem eles ou não.

MELHOR DA SEMANA

Como não poderia deixar de ser, o destaque positivo dos próximos dias está nas iniciativas da 5ª Semana Nacional de Educação Financeira. A Empiricus participa da programação oficial com o curso Brasil Investidor, com cinco aulas gratuitas sobre os principais temas de investimentos, transmitidas ao vivo no nosso canal do YouTube. Hoje você terá acesso aos primeiros passos para começar a investir, aprendendo de uma vez por todas as diferenças entre renda fixa e variável e o que é o famoso CDI. Confira a programação completa neste link.

PIOR DA SEMANA

Em tempos de rendimentos minguados nos produtos mais tradicionais de renda fixa, tem muita gente que pensa que o caminho para ganhar mais sem tirar o pé do conservadorismo está nas alternativas de crédito, na aplicação em debêntures ou em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs).

Mas na última semana alguns investidores sentiram na pele que nem sempre o risco compensa a possibilidade de um retorno mais gordo. Quem tem na carteira as debêntures de Santo Antônio Energia deve ter gelado ao ler as notícias de que a hidrelétrica de Santo Antônio está em colapso financeiro, sob ameaça iminente de quebra.

O investimento em crédito privado tem muito risco e requer uma avaliação criteriosa. Atualmente, a equipe do Empiricus Renda Fixa sugere a compra de apenas uma debênture para compor sua carteira. Se preferir se expor às empresas em Bolsa, melhor seguir das indicações do Max e do João e garantir maior liquidez caso decida vender os papéis de um dia para o outro.