A taxa Selic deve cair. E o kiko?

Como a esperada redução dos juros básicos brasileiros pode (e deve) afetar a maneira como você investe em títulos públicos

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A taxa Selic deve cair. E o kiko?

Caro leitor,

Está na boca do povo (ou dos engravatados da Paulista e da Faria Lima): a taxa básica de juros deve cair. Ninguém sabe exatamente quando nem a extensão desse esperado movimento, mas está todo mundo se preparando para esse cenário. E quando eu digo se preparando leia-se repensando os investimentos.

Quando a taxa de juros efetivamente começar a cair, a moleza de ganhar juros fartos sentado em uma aplicação conservadora de renda fixa vai acabar. Você vai ter de rebolar mais para tentar garimpar aqueles retornos reais (acima da inflação) de 5%, 6% ou 7% tão fáceis de serem encontrados este ano.

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A taxa Selic está no patamar de 14,25% ao ano desde setembro de 2015, e o mercado não vê uma queda dos juros desde o fim de 2012, quando a Selic chegou ao piso de 7,25% ao ano.

Isso quer dizer que há mais de três anos você não tem de se preocupar com uma queda do CDI, referencial da renda fixa que anda lado a lado com a Selic. Mas, agora, tudo indica para uma mudança, o que nos leva ao tema central de hoje: os títulos prefixados.

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Promessas e nada mais?

Não há erro. Você investe e já sabe EXATAMENTE quanto vai receber lá na frente. Para mim, esses são os títulos públicos mais fáceis de serem compreendidos – mas, por favor, não confunda facilidade com conservadorismo.

O fato de você conhecer antecipadamente a remuneração que terá mais à frente, se mantiver o papel em carteira, não significa que seu investimento será melhor quando comparado a outros ativos, nem que você terá ganhos reais. Afinal, uma inflação salgada pode consumir grande parte do seu lucro.

A questão é que, dentro da renda fixa, as preferências têm recaído, há muito tempo, sobre os papéis indexados à inflação. E a razão é simples: diante de tanta incerteza sobre o avanço dos preços, o melhor tem sido garantir o poder real de compra. Os títulos atrelados à variação do IPCA entregam um retorno mais a inflação, ou seja, você garante um lucro independentemente do cenário.

Mas o mercado tem mostrado uma visão mais otimista sobre o rumo da economia e especialmente sobre a trajetória de inflação. E isso pode se traduzir em novas oportunidades.

Por ora, as preferências continuam sobre os papéis vinculados à inflação, mas os títulos prefixados começam a ganhar atenção e mais espaço nas carteiras.

Por quê?

Quando você analisa a taxa de retorno dos papéis prefixados, você precisa considerar que uma parte vai ser consumida pela inflação e a outra será seu retorno real, o que você vai efetivamente poder colocar no bolso.

Suponha que você compre hoje um título prefixado com vencimento em 2019 que garanta um retorno da ordem de 12% ao ano e que seu cenário-base considere uma inflação anual média de 6,5%. Se essa inflação for menor que a sua projeção, o espaço reservado para os lucros efetivos será maior, certo? E é essa a aposta do momento.

Inflação em baixa?

No boletim Focus, as projeções dos analistas “Top 5” do Banco Central, que formam o grupo mais assertivo do levantamento, apontam para inflação de 7,36% neste ano e de 5,60%, no próximo.

E o presidente do BC, Ilan Goldfajn, está de olho num cenário de preços ainda mais benigno. Ele tem dito que pretende alcançar o centro da meta, de 4,5%, já em 2017. Esse seria, segundo Ilan, um objetivo ambicioso e crível, ao mesmo tempo.

O Felipe Miranda abordou essa mudança de percepção no último Palavra do Estrategista , intitulado “O dragão está mais calmo”:

Durante muito tempo, deixei clara minha preferência por títulos indexados à inflação, recomendando a concentração quase integral de sua posição em juros nas NTN-Bs (Tesouro IPCA+). Ou seja, as LTNs (Tesouro Prefixado) e as NTN-Fs (Tesouro Prefixado com juros semestrais) vinham sendo preteridas.

Havia uma razão explícita para isso: a inflação corrente era alta e havia um risco substancial de que viesse acelerar à frente, diante de uma política monetária frouxa e de uma política fiscal perdulária.

As coisas mudaram nas últimas semanas. Não integralmente, é claro. O quadro geral ainda continua bastante ruim, o que justifica a preservação da preferência por NTN-B. Entretanto, a evolução dos acontecimentos recentes permite assumirmos alguma posição em títulos prefixados. Mais especificamente naqueles com prazos mais longos.

Como explica o Felipe (recomendo a leitura desse relatório!), o ambiente começa a ficar mais favorável para os títulos prefixados, pois uma inflação mais bem comportada vai elevar a parcela de ganho real do investidor. Se de fato a inflação se desacelerar para perto de 4,5% ao ano, o juro real embutido nos papéis prefixados deverá ser mais atrativo que o entregue hoje nos títulos indexados ao IPCA (cerca de 6% ao ano, como você pode ver na tabela abaixo).


Isso quer dizer que você deve vender tudo que tiver de Tesouro Selic e Tesouro IPCA+ e comprar só papéis do tipo Tesouro Prefixado? Não! Os primeiros títulos ainda detêm a preferência por oferecem menor risco ao investidor.

Dentro da alocação de renda fixa da Carteira Empiricus, os papéis prefixados ocupam só 10%, com concentração no Tesouro Prefixado 2023.

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SAIBA MAIS

 

É impossível ter prejuízo com o Tesouro Prefixado? Também não!

Assim como ocorre com as NTN-Bs (Tesouro IPCA+), toda vez que você se antecipa e vende os papéis antes do vencimento, você corre o risco de ter perdas. Se as taxas de venda forem maiores que as de compra, os preços dos títulos serão menores, ou seja, você vai ter de assumir um prejuízo.

Mas, se você não desviar do caminho, hoje você vai conseguir travar taxas por volta de 12%. É óbvio que teria sido melhor comprar os títulos prefixados no início do ano, quando essas mesmas taxas estavam no patamar de 16%, mas ainda assim há oportunidade de ganhar com esses papéis.

Se a taxa de juros cair, haverá um ajuste nos prêmios (retornos) de todos os títulos públicos (o que já vem ocorrendo) e você poderá revender esses papéis por preços mais altos. Nesse caso, há uma oportunidade de ganho de capital.

E se você quiser manter os títulos até o vencimento, se o cenário brasileiro confirmar a melhora atualmente esperada, a taxa de retorno dos papéis será interessante por um longo período de tempo e a inflação vai deixar de consumir uma parte hoje expressiva dos seus rendimentos.

No pior dos cenários, se tudo der errado e os juros voltarem a subir, lembre-se: qualquer título público pode ser revendido diariamente, a liquidez é garantida.

Mas esse não é o cenário de grandes gestoras, como a Verde Asset, conforme o último relatório de gestão, de junho:

O juro real brasileiro, em meio ao colapso generalizado de taxas globais, continua em níveis absolutamente excepcionais. O mercado precifica que a meta (a de 4,5%) tem boas chances de ser cumprida para todo o sempre, em parte pela postura hawkish da nova equipe do Banco Central. Continuamos a acreditar que juros reais de 6,30% para cinco anos são incompatíveis com uma economia com baixo crescimento potencial, e aproveitamos a alta recente para voltar a aumentar a posição.

E depois da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o famoso Copom, na semana passada, a equipe do Santander também reforçou essa perspectiva:

Acreditamos que o comunicado abre caminho para o início de um ciclo de afrouxamento monetário no médio prazo, assim que os modelos do BCB sugerirem que a inflação pode convergir para a meta em 2017, mesmo com taxas de juros mais baixas.

Se o novo presidente do BC conseguir cumprir a promessa de levar a inflação para o centro da meta, prepare-se AGORA para garantir seu retorno dos próximos anos.

Se tiver dúvidas ou comentários sobre o tema, me escreva no beatriz.cutait@empiricus.com.br

Um abraço,

Beatriz

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