Aplicação automática: bom para você ou para o banco?

Descubra o que as instituições financeiras fazem com o dinheiro que você deixa parado em conta-corrente

Aplicação automática: bom para você ou para o banco?

Caro leitor,

Todo mês, aquele susto. Você olha o saldo em sua conta-corrente e tem uns trocadinhos pingados. Em junho, abri uma conta em um banco diferente e fiquei intrigada com uns centavos quebrados que passaram a cair em minha conta, e com o sinal negativo que passou a aparecer antes do saldo na tela.

Onde foi parar meu salário? Mal começou o mês e as contas já engoliram meu dinheiro?

Não, muita calma nessa hora. O dinheiro não sumiu, ele só foi “deslocado” para uma aplicação automática do banco. E eu mesma autorizei essa transferência, para a qual não tinha dado muita bola.

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Essa é a parte do texto em que você tende a acreditar que seu gerente e toda equipe de atendimento do banco estão cuidando do seu dinheiro, se preocupando com seu bem-estar.

Mas nem sempre é por aí…

Hoje continuamos nossa Série Bancos com um assunto interessante para mim e provavelmente para você também: as aplicações automáticas.

Toda vez que tenho um dinheiro dando sopa na conta corrente, ele é aplicado. Mas em quê? E por quê?

Vamos por partes.

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O interesse dos bancos

A primeira questão que me vem à cabeça é entender qual o interesse dos bancos nessas aplicações. Afinal, para eles também é vantajoso que meu dinheiro renda?

Por mais atencioso e dedicado que seja seu banco, o interesse dele está em fazer dinheiro. E não entenda isso como uma crítica. É natural que ele funcione desse jeito, afinal o banco é uma empresa, não uma instituição filantrópica.

Ao receber sua autorização para aplicar automaticamente o dinheiro que fica parado — e não remunerado — em conta corrente, o banco fica livre para destinar os recursos para outros fins.

Por determinação do Banco Central, 45% do dinheiro em conta-corrente precisa ser deixado em depósitos compulsórios, uma das formas que o BC tem para controlar a quantidade de dinheiro em circulação na economia. Além disso, uma fatia de 34% precisa ser voltada para crédito rural e 2%, para microcrédito. Dessa forma, apenas 19% do dinheiro fica livre.

No caso da poupança, os recursos são ainda mais engessados. O crédito imobiliário fica com 65% do dinheiro, o compulsório fica com outros 24,5%, e há ainda um compulsório adicional, de 5,5%. Resta, então, apenas 5% de parcela livre para os bancos.

Ao direcionar seus recursos para outras aplicações, como CDBs, os bancos fazem você lhes emprestar dinheiro e remuneram por isso. Mas bem pouco!

Amanhã, os assinantes já poderão ler o relatório mensal Você Investidor de julho, que traz:

1. Orientações sobre planos de previdência: Walter Poladian diz como avaliar seu PGBL e seu VGBL e dá sugestões para sua aposentadoria.
2. Recomendações para o investimento em fundos imobiliários: Ariane Gil diz se acredita que os FIIs vão subir e diz o que fazer nesse mercado.
3. Estratégias para tempos difíceis: André Zara aborda como empreendedores podem amenizar os efeitos da crise.
4. Investindo fora e dentro do Brasil: o advogado Ricardo Lacaz Martins esclarece as principais dúvidas sobre aplicações financeiras no exterior e investimentos de brasileiros que moram fora do País.
5. Um teste de seus conhecimentos: Olivia Alonso fala sobre as principais características das aplicações financeiras mais comuns.

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As aplicações escolhidas

No caso do Itaú, por exemplo, o nome desse serviço de aplicação e resgate automático é “Aplic Aut Mais”. Como o próprio banco explica em seu site, as aplicações são feitas em CDB de emissão do próprio Itaú Unibanco com rentabilidade em percentuais do CDI.

“O Aplic Aut Mais proporciona uma remuneração crescente e diária de acordo com o prazo de permanência dos recursos. Você ainda conta com a proteção adicional do Fundo Garantidor de Créditos – FGC”, esclarece o Itaú.

O mesmo acontece com outros bancos. No caso do Bradesco, o serviço é conhecido por “Invest Fácil” e “Invest Plus”. Nos dois casos, é exigida aplicação mínima de R$ 500,00, mas a baixa automática mínima e o saldo mínimo de permanência por certificado é de R$ 10,00 no primeiro e de R$ 250,00, no segundo.

No Invest Fácil, o dinheiro da conta-corrente também é aplicado em CDBs. “Fica o Banco Bradesco instruído, até ordem expressa contrária, a agendar e aplicar no Invest Fácil Bradesco os valores correspondentes ao saldo positivo disponíveis na Conta Corrente, bem como realizar resgates automáticos com a finalidade de evitar que a Conta Corrente apresente insuficiência de fundos ou visando a liquidar obrigações de minha responsabilidade, ainda que tais resgates reflitam nas rentabilidades”, diz o banco, no termo de adesão ao produto.

Já o Invest Plus direciona os recursos para operações compromissadas com lastro em debêntures. Nesse caso, a operação não conta com garantia do FGC.

No caso do Banco do Brasil, o serviço conhecido como “Aplicação Automática” nada mais é que o direcionamento de todo o dinheiro em conta para poupança. Se você precisar cobrir despesas efetuadas em débito, o resgate automático será equivalente à quantia necessária para cobrir os lançamentos.

Há ainda uma opção de aplicação programada, com recursos direcionados para poupança e fundos de investimento, com periodicidade mensal. O cliente seleciona o dia da aplicação e o prazo para o qual deseja programar seus investimentos.

Na Caixa, também é possível aplicar automaticamente o saldo em conta-corrente (sempre superior a R$ 50,00) em fundos de investimento que investem em títulos públicos, com liquidez diária e disponibilidade imediata dos recursos investidos.

Corretoras

Procurei também algumas corretoras para saber da possibilidade de aplicação programada dos recursos na conta e, de cinco, apenas a Rico informou ter o serviço de aplicação automática.

Como o próprio nome indica, ele permite programar automaticamente o investimento em algumas ações e títulos públicos mensalmente, a partir da autorização de transferência de recursos de seu banco para a conta da corretora. Geralmente, a compra ocorre no mercado fracionário por conta do valor escolhido, e o custo é menor para o mercado de ações.

O risco da inércia

Embora a recomendação da Empiricus recomendação seja sempre a de investir seu dinheiro, sem deixar nada parado em conta, na prática, eu confesso manter alguma quantia parada por comodidade.

Por saber que tenho que acertar algumas contas no curto prazo, admito que não invisto todo o meu dinheiro mês a mês.

Nesse sentido, ainda que o rendimento dessas aplicações automáticas seja IRRISÓRIO, não vejo incômodo em autorizar a aplicação automática. Meu dinheiro continua ali, disponível, e não estou perdendo nada. E também não estaria investindo em outro ativo.

O BB diz que a modalidade de aplicação automática é muito procurada por clientes como ferramenta de otimização do fluxo de caixa. A Caixa, por sua vez, afirma se tratar de um investimento conservador e ideal para clientes que buscam uma forma de melhor gerenciar suas finanças no curto prazo.

Mas há outro lado relevante dessa discussão. Ao ficar nessa inércia, eu sei que deixo de ganhar mais. Bem mais.

O problema é você começar a olhar as aplicações automáticas como investimentos selecionados, como se o banco estivesse de fato gerindo seu dinheiro para lhe entregar o maior retorno possível.

Não se iluda. Se quiser de verdade garantir rendimentos polpudos, vá atrás. Conheça as opções disponíveis em seus bancos e em suas corretoras, e selecione você mesmo as aplicações que julga ser vencedoras (no relatório mensal Você Investidor de junho, orientamos sobre a escolha da corretora. Clique aqui para ter acesso).

As aplicações automáticas não estão à sua altura, portanto gerencie você mesmo seus recursos e lembre-se: os bancos precisam da sua autorização para direcionar o dinheiro em conta para qualquer investimento. E isso vale para mim também!

Um abraço,

Beatriz

 

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