As perguntas que você deve fazer no banco

Esclareça todas suas dúvidas antes de comprar um produto oferecido pelo banco

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As perguntas que você deve fazer no banco

Já ouvi dezenas de histórias de pessoas que aplicaram o dinheiro em algum produto apenas para agradar ao gerente do banco – sem nem mesmo entender quais seriam os custos, impostos e condições de resgate.

De longe, a pergunta que mais recebemos dos nossos leitores é alguma variação desta:

—Tenho dinheiro em um plano de previdência. Devo sacar e colocar no Tesouro Direto?

Essa questão, na maior parte das vezes, é consequência de um plano que não encaixou muito bem no perfil do investidor. Alguns leitores dizem que o plano foi adquirido para “ajudar o gerente”. Outros apenas dizem que não entenderam bem as condições quando começaram a aplicar.

O leitor Adriano Y. conta que tem um plano de previdência iniciado em 2005 com data de saída em 2033. “Pensava que o resgate, após os 10 anos de contribuições, teria a incidência de imposto de 10% sobre o valor total, porém, ao usar o simulador de resgate verifiquei que o imposto incide sobre o tempo de permanência dos depósitos variando de 10% a 35%. Pensei em resgatar e aplicar esse valor em algum investimento que proporcione melhor rentabilidade e menores taxas de administração, porém, se resgatar o valor total perderei quase 1/3 do valor em imposto”.

Por este exemplo, fica claro que nem todas as dúvidas do Adriano ficaram esclarecidas na hora da contratação do banco.

Nosso papel, aqui no Criando Riqueza, não é atacar o gerente do banco. Ele está fazendo o trabalho dele e está agindo conforme as regulamentações do mercado. Mas ele tem metas para cumprir, assim como profissionais de outras áreas. 

É perfeitamente aceitável a ideia de que o gerente precisa vender produtos bancários aos seus clientes. Errado é o cliente aceitar as ofertas do banco sem saber o que está fazendo.

 

Por isso, nosso papel aqui é ajudá-lo a cuidar bem do seu dinheiro. O gerente do banco não precisa ser um vilão (ou pode ser um vilão à la Gru) se você fizer as perguntas corretas. E é essa a nossa missão de hoje.

Oras, você não entra em uma loja de eletrônicos e compra um equipamento que você não sabe para que serve, não é mesmo?

Antes de adquirir um produto, qualquer que seja, perguntamos como funciona, qual será o custo de manutenção, quanto tempo ele vai durar, etc. E fazemos pesquisas de preço antes de fechar a compra.

Para os produtos bancários vale a mesma lógica.

Você é o cliente do banco e tem o direito de perguntar o quanto quiser, mesmo que não entenda absolutamente nada de economia, taxas de juros, taxas de administração, carregamento e qualquer outro termo que surgir durante a negociação.

Nunca se acanhe. Só invista seu dinheiro em um produto se você estiver realmente tranquilo com a ideia. Não vale a pena ir para casa com a sensação de que fez um mau negócio. Afinal de contas, é o seu dinheiro em jogo.

Se você pretende construir um patrimônio, precisa parar de perder dinheiro com produtos financeiros — e também com serviços financeiros — que não são adequados para você. Se não precisa de um seguro de proteção do cartão de crédito, não pague.

Alguns bancos fazem a cobrança direto na fatura. Geralmente são valores pequenos, como R$ 4,20 por mês. Se você não solicitou, pode ligar e pedir o estorno.

Um banco não pode associar a concessão de um cartão de crédito ao pagamento de um seguro. Isso configura venda casada e, portanto, você pode denunciar.

Agora, para saber se as aplicações são realmente boas para você, nada melhor do que perguntar, perguntar e perguntar…

No caso da pergunta sobre a previdência e o Tesouro Direto, a reposta obviamente depende de uma uma série de informações. De uma forma bem geral, comparando valores médios de retorno dos  investimentos e de taxas de administração, a tendência é o Tesouro Direto ganhar.

Mas cada caso é um caso. Por isso, a resposta a cada leitor vai depender de uma série de fatores. Um bom PGBL pode ser ótimo para quem reduzir a base de cálculo do imposto de renda.

E um bom VGBL pode ser vantajoso para quem esperar até depois do décimo ano, quando o imposto de renda cair para 10%.

Mas um PGBL pode ser ruim se tiver taxa de administração alta, rendimento baixo e não encaixar com o perfil do investidor. O mesmo serve para o VGBL.

Para inspirá-lo a aproveitar melhor os produtos do seu banco, colocamos abaixo uma série de perguntas a serem feitas ao seu gerente.

Você pode usá-las quando receber uma sugestão de aplicação em um plano de previdência, um fundo de investimento ou qualquer outro produto.

1) Quais seriam outras opções de investimentos para o meu perfil? Gostaria de entender as comparações.

No caso do plano de previdência, por exemplo, você pode perguntar se não seria mais vantajoso para você a aplicação em um título do Tesouro Direto (como o IPCA+ 2035 ou Tesouro Prefixado 2021), uma LCA, uma LCI, ou mesmo um fundo de investimento, por exemplo.

2) Quanto custa a aplicação? Ou: você pode listar todas as taxas que me serão cobradas caso eu faça a aplicação? 

Pergunte se há (e qual é) a taxa de administração, a taxa de carregamento, a taxa de performance e se há outra taxa. Pergunte também se quando seu volume de dinheiro aumentar, você pode migrar para uma categoria melhor, com taxa de administração mais baixa.

3) Como funciona o pagamento de impostos? Quais são os impostos e qual a vantagem desse produto em relação a outras aplicações, no que diz respeito aos impostos?

No caso do plano de previdência, pergunte se é possível deduzir a sua base de cálculo do Imposto de Renda em sua declaração anual e para quem esse benefício vale a pena. O PGBL costuma ser indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e planeja aplicar até 12% de sua renda bruta anual na previdência (pois é exatamente esse o percentual que poderá ser deduzido da base de cálculo do IR).

4) A partir de quanto tempo poderei resgatar o dinheiro nas melhores condições possíveis? (Ou seja, com a menor incidência de imposto de renda, menores custos e sem comprometer o retorno/rendimento?)

O produto de investimento poderá ter uma data de vencimento específica. Antes dessa data, pode ser que você não consiga resgatar nem um centavo. Por isso, é importante que o prazo da aplicação case com o seu objetivo para aquele dinheiro. Além disso, dependendo do tipo de aplicação, o imposto de renda é calculado de uma forma.

Muitas aplicações de renda fixa seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda que vai de 22,5% a 15%. Nos planos de previdência, a tabela regressiva é outra (vai de 35% a 10%) e há também a tabela progressiva.

5) O que acontece se eu resgatar antes do prazo? Há alguma multa? Qual a pior condição possível para o resgate antecipado?

Em geral, quanto menos tempo você deixar o seu dinheiro em uma aplicação, pior. É importante que a aplicação “case” com o período que você não precisará daquele dinheiro.

6) Eu corro o risco de resgatar menos do que apliquei? Poderei ter um retorno menor do que a inflação?

Mesmo no Tesouro Direto, que é uma aplicação que gostamos muito, é possível resgatar menos do que foi aplicado. Isso pode acontecer no investimento em títulos IPCA+ e Prefixado caso o investidor precise resgatar antes do vencimento. Em produtos bancários essa possibilidade também pode existir.

7) Você pode fazer uma projeção de quanto eu resgatarei daqui a 10 anos, já descontando os impostos e outras taxas se eu aplicar XX reais por ano? Você pode me dizer quanto eu resgataria, também já descontando impostos e outras taxas, se eu aplicar no Tesouro Direto pelo mesmo período e fazendo as mesmas aplicações anuais?

Aqui no Criando Riqueza, nós temos o costume de sempre comparar o Tesouro Direto com outros investimentos.

Hoje, um título prefixado com vencimento em 2021 custa R$ 466 e rende 15,94% ao ano. Você pode usar este exemplo e pedir ao seu gerente que faça uma comparação com esse título. No caso do Tesouro Direto, o imposto de renda após dois anos de aplicação é de 15%, seguindo a tabela regressiva do IR. A rentabilidade líquida no vencimento será de 13,76% considerando uma taxa de administração do banco (ou corretora) de 0,1% ao ano. Você pode ver nas tabelas abaixo, que copiei do próprio site do Tesouro Direto, o resultado para um investimento de R$ 5 mil. Repare que o seu dinheiro quase dobra em pouco mais cinco anos.

 

8) Qual o valor mínimo da aplicação? Qual o valor mínimo para futuras aplicações no mesmo produto? 

É importante saber a aplicação mínima e ter certeza de que você quer colocar aquele valor em uma só aplicação. De novo, fique atento ao prazo de vencimento do produto oferecido.

9) Qual foi o desempenho (retorno) dessa aplicação nos últimos dois anos? 

Vivemos em um país de inflação alta. Neste ano, devemos ter uma inflação próxima de 9,5%. Isso quer dizer que para que o seu dinheiro não perca valor você precisa pelo menos empatar com a inflação. Aproveito para lembrar que a poupança rendeu 7,8% nos últimos 12 meses, ou seja, está perdendo para a inflação.

10) Essa aplicação tem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)? Qual o risco de eu perder todo o meu dinheiro?

O Fundo Garantidor de Créditos garante o pagamento de até R$ 250 mil (por CPF) em uma série de aplicações financeiras no caso de quebra do banco. Veja aqui nossa entrevista com o diretor do FGC.

11) Para finalizar, cinco perguntas que todo correntista de banco deve fazer ao seu gerente sobre sua conta bancária: 

— Qual é meu plano de tarifa?

— O que o meu plano de tarifa inclui?

— Para o número de transações que faço (DOC e TED, por exemplo), há algum plano mais barato?

— Sei que posso ter uma conta 100% digital e não pagar tarifa. Sei também que essas contas têm quantidade ilimitada de DOC e TED. Por que a minha conta não é assim? O que eu deixarei de ter se mudar para uma conta digital?

Em 2010 o Banco Central publicou uma resolução (3.919) que determina a gratuidade de contas bancárias movimentadas somente por meios eletrônicos.

Se você ficou com dúvidas – ou já vivenciou alguma situação no seu banco em que ficou sem saber o que perguntar – escreva para mim. Podemos preparar novos guias com perguntas para diferentes situações.

 

(Des)capitalização

Agora, caso o seu banco ofereça um título de capitalização, como leitor do Criando Riqueza você tem obrigação de dizer não. A não ser que goste muito de jogos de azar.

Na minha opinião um título de capitalização não deve ser encarado como um investimento, mas sim como uma mistura de bolão com loteria. Bolão porque uma parte de seu dinheiro será usada para pagar pela administração do dinheiro de todos que compraram os títulos e uma parte será usada para premiar o sorteado. Loteria por causa dos sorteios. Veja a definição da Susep.

 

E veja que a própria Susep informa que o título de capitalização é pior do que a poupança. Isso mesmo: pior que a poupança.

Nessa semana estava estudando um pouco mais sobre títulos de capitalização com a Helena, que trabalha com a gente aqui na Empiricus e no Criando Riqueza. De cara ficamos surpresas ao ver a quantidade de produtos desse tipo que os bancos oferecem.

Em um dos exemplos que olhamos, o banco descontava 7,12% do dinheiro aplicado pelo investidor, imediatamente após a aplicação, para pagar os custos do sorteio. E descontava outros 18,74% como taxa de carregamento.

Ou seja, de partida, uma pessoa que aplicou R$ 1.000 perdeu 25,86% de seu dinheiro. O rendimento desse título de capitalização era de TR+0,5%. Difícil imaginar algo pior do que isso para colocar o dinheiro.

No conteúdo PRO apenas para assinantes, nosso consultor de investimentos Walter Poladian responde a seis perguntas sobre investimentos:

 

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