Avalie o que o banco oferece – parte 1

Saiba o que são BDRs, quais as vantagens e quando vale a pena investir

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Avalie o que o banco oferece – parte 1

Caro leitor,

Peço desculpas pelo tom um pouco mais nervoso do que o habitual na newsletter de hoje. Mas a verdade é que eu não consigo me conformar com a habilidade dos grandes bancos de varejo – cujos lucros crescem ano após ano – de oferecer produtos ruins aos seus clientes como se fossem ótimos.

Quando acho que já vi de tudo, eles são ainda mais criativos. Vou dar aqui apenas dois exemplos que me incomodam e, por favor, fiquem à vontade para me escrever (olivia.alonso@criandoriqueza.com.br) concordando, discordando ou dando novos exemplos:

  • Atores globais fazendo comercial de TV que incentiva o crédito pessoal.
  • Enormes banners de propaganda de poupança em aeroportos, shoppings e outros estabelecimentos, como se fosse a melhor aplicação do mundo.

“Mas isso não é exclusividade dos bancos”, você poderia me dizer. Eu concordo e, em geral, não gosto de propagandas. Mas acho que os bancos deveriam assumir para si a missão de educar financeiramente os brasileiros e, sobretudo, de orientá-los a tomar as melhores decisões com seu dinheiro, não o contrário.

No sábado eu fui ao caixa eletrônico do meu banco e fiquei pensando nas pessoas que contratam títulos de capitalização quase sem querer. Agindo no “sistema 1”, aquele que “age por impulso”.

Digo isso porque, para seguir adiante nas opções apresentadas na tela, confirmar os códigos, valores e senhas, sempre é preciso sempre clicar sempre no canto inferior direito da tela. Mas quando se faz isso rapidamente, sem ler muito bem tudo o está lá, você corre o risco de contratar um título de capitalização, pois o botão “contratar” aparece no mesmo canto inferior direito (não sei se teríamos alguma chance, mas gostaria de pedir aos leitores advogados que me ajudem a verificar a possibilidade de questionar o Banco Central sobre a existência dos títulos de capitalização).

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Mas não são somente títulos de capitalização que os bancos costumam oferecer aos clientes como se fossem ótimos produtos.

Aqui no Criando Riqueza, vamos sempre tentar explicar de forma clara as vantagens e desvantagens dos produtos bancários. E daremos sempre nossas opiniões e recomendações sobre eles.

Hoje faremos nossa avaliação sobre os BDRs. Depois do ótimo retorno dos BDRs no ano passado, muitos bancos já começaram a estruturar fundos de BDRs para oferecer para seus clientes. Mas você sabe o que são BDRs? A Beatriz Cutait explica a partir de agora. E, no conteúdo para assinantes, mais abaixo, dizemos o que você deve saber quando estiver diante de um produto composto por esses papéis.

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O que são BDRs?

(Por Beatriz Cutait)

São apenas 3 letras, mas não as confunda com LCI ou LCA. Também não pense no ETF, ainda que os dois produtos tenham como semelhança a negociação em bolsa.

BDR é o “apelido” dos Brazilian Depositary Receipts, recibos de ações de empresas estrangeiras (praticamente hoje só americanas) negociados no Brasil. É um instrumento que se equipara a um ativo internacional, porém com o diferencial de ser transacionado no Brasil.

Se você quer comprar uma ação da Apple, por exemplo, mas não pretende investir via Estados Unidos, tem a opção de comprar um BDR da companhia americana aqui no Brasil e negociá-lo na Bovespa.

Existem dois programas em vigor: os patrocinados e os não patrocinados.

No primeiro caso, dos patrocinados, o interesse em ter BDRs negociados por aqui parte das próprias empresas.

Já no grupo dos não patrocinados – foco principal desse nosso texto – são as instituições financeiras (Bradesco, Citi, Deutsche Bank e Itaú Unibanco) que lançam a negociação dos BDRs no Brasil sem ter nenhum vínculo formal com as companhias selecionadas.

Essas instituições financeiras assumem uma série de responsabilidades com o mercado e precisam informar fatos relevantes e comunicações das companhias aos investidores; editais de convocação de assembleias; avisos aos acionistas; deliberações das assembleias de acionistas e das reuniões do conselho de administração e demonstrações financeiras da companhia, dentre outros. Vale lembrar que as informações estão em inglês.

E por que estamos falando dos BDRs?

Nos últimos anos, o BDRX, um índice (como o Ibovespa) que mede o desempenho médio das cotações dos BDRs Não Patrocinados, destoou (de longe) dos principais índices da bolsa brasileira, com um desempenho bastante expressivo.

Criado em 2012, o BDRX subiu aproximadamente:

  • 49%, em 2013
  • 28%, em 2014
  • 52%, em 2015

Nada mau, certo? E há dois componentes que explicam essa trajetória:

  1. A valorização do mercado de ações americano
  2. O fortalecimento do dólar em relação à moeda brasileira nos últimos anos

Se você comprar um BDR do Google por R$ 20 com o dólar cotado a R$ 2,50, esse ativo custará o equivalente a US$ 8,0. Se decidir vender depois de um ano seu BDR, quando o dólar valer R$ 3,50, e o ativo estiver supostamete cotado ao mesmo preço (US$ 8,0), você receberá de volta R$ 28. Isso significa que só a depreciação cambial lhe garantiu um ganho de 40% do investimento, descontado qualquer custo.

Até alguns meses atrás, você pouco (ou nada) deve ter ouvido falar dos BDRs, mas essa história tende a mudar.

Diante de mudanças promovidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nas regras dos fundos de investimentos ao fim do ano passado, qualquer pessoa poderá ter acesso a fundos de BDRs, até então restritos a investidores com aplicações financeiras acima de R$ 300 mil.

Já as barreiras para se investir diretamente em BDRs, ou seja, comprar um recibo de ação do Google sem intermediários, seguem altas. É preciso dispor de um patrimônio investido acima de R$ 1 milhão, o que deixa esse grupo ainda restrito.

Dentre os fundos de BDRs existentes no mercado, há alguns bem acessíveis, como o do Banco do Brasil (BB Ações Globais BDR Nível I) – que aplica em outros fundos -, com aplicação mínima de R$ 200,00. O Bradesco manteve a exigência de investimento a partir de R$ 10 mil em seu fundo “Bradesco FIA BDR”.

O sucesso dos BDRs desde sua criação e a possibilidade de oferecer os fundos a qualquer investidor devem levar os bancos a fazer uma campanha agressiva de captação de clientes para esses produtos. Mas você precisa fazer algumas ponderações antes de buscar os BDRs.

Um abraço,

Beatriz Cutait

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Um abraço,

Olivia Alonso e Beatriz Cutait

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