Brexit e você, tudo a ver

A eventual saída do Reino Unido da União Europeia poderá afetar seus investimentos. Veja como se proteger

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Brexit e você, tudo a ver

Caro leitor,

Em fevereiro, quando cantava “I know, it’s only rock’n’roll, but I like it” no show dos Rolling Stones no estádio do Morumbi, em São Paulo, acreditava que minha maior ligação com a Inglaterra era o meu amor pelo Mick Jagger.

Desde pequena, morro de vontade de ir à Escócia e ao País de Gales para percorrer de trem aquelas paisagens bucólicas lindas, que parecem verdadeiros cenários de filmes e estão bem distantes do ambiente tropical brasileiro.

A Irlanda eu conheço bem pelas narrativas literárias, com uma imagem que sempre me remete àquele inverno super-rigoroso e às cervejas incríveis que acompanham um bom pub regado ao som do U2.

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Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – o que esses quatro países que habitam meu imaginário têm a ver com minha vida, com meu dinheiro, com minhas decisões de investimento?

Dependendo dos acontecimentos desta semana, muito!

O Reino Unido vive um momento único de sua história, com uma votação marcada para esta quinta-feira (23) que vai definir seu futuro em relação à União Europeia.

Os eleitores vão às urnas para decidir se querem permanecer ou abandonar o bloco comum, o que nunca aconteceu antes na história da União Europeia.

Essa saída foi apelidada de “Brexit”, uma junção das palavras Britain (Grã-Bretanha) e  exit (saída).

 

Should they stay or should they go?

A pergunta do referendo é bem neutra, não induz a resposta para nenhum dos lados.


Os ânimos estão acirrados. As pesquisam mostram uma decisão apertada e as campanhas chegaram a ser suspensas na última quinta-feira, por causa da morte de uma deputada britânica que defendia a permanência do Reino Unido no bloco. O assassinato de Jo Cox, do Partido Trabalhista, comoveu o país e escancarou o clima de tensão vivido pela região.

O primeiro-ministro, David Cameron, pode até não defender a saída do Reino Unido do bloco, mas ele cumpriu a promessa de campanha de realizar o plebiscito.

E o que está em jogo, afinal?

Questões econômicas, de imigração, de segurança, de soberania nacional, de identidade, vale tudo para defender a saída ou a permanência da União Europeia. E vamos combinar: os ingleses e seus vizinhos sempre fizeram questão de mostrar ao mundo certo distanciamento dos outros membros da União Europeia, não é mesmo?

O idioma, a moeda diferente, a monarquia “pop”, a maior proximidade (ou o desejo de maior proximidade) dos Estados Unidos, a separação geográfica, enfim, há muitas diferenças do Reino Unido em relação aos outros países europeus. Resta ver se elas serão tão importantes para impor novas relações na região.

 

O infiltrado

Se você acompanha os relatórios da Empiricus, deve ter notado a ausência recente do Rodolfo Amstalden do relatório M5M. Ele esteve justamente na Inglaterra neste mês e me ajudou a pensar nas implicações dessa votação lá no “velho mundo” para nossas terras tupiniquins.

O Rodolfo sentiu que os britânicos querem se ver como uma sociedade diferente e ter os próprios problemas.

A economia é o principal argumento do lado racional dessa discussão, já que a dependência das relações do Reino Unido com o restante do continente europeu é evidente. A perda com a saída do bloco não seria trivial.

Já o sentimento nacionalista crescente na União Europeia conta a favor da saída da região da União Europeia, embasado em preocupações com o aumento da imigração e com ameaças terroristas.

O maior medo é de um efeito em cadeia, ou seja, que a saída do Reino Unido estimule outros membros a seguirem o mesmo caminho, lembrando que as eleições na Espanha estão logo aí e, ano que vem, têm mais na Alemanha, na França e na Holanda.

Mas há também algo mais profundo na discussão.

Em uma conversa com especialistas em finanças comportamentais, o Rodolfo ficou com a impressão de que será difícil para os britânicos quebrarem o status quo.

A crise financeira, com uma história que parece não ter fim na Grécia, e a pressão dos refugiados não seriam fatores suficientemente críticos para a quebra do status quo.

 

E o Brasil nessa história?

Ok, você já entendeu a gravidade da discussão mais importante dessa semana, mas, afinal, qual é o efeito sobre sua vida?

Tenho sido inundada de relatórios de bancos, corretoras e gestoras sobre o impacto do Brexit nos mercados. Está tudo muito volátil e todo mundo está à espera da decisão do Reino Unido.

Na semana passada, o Fed, o banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país e a presidente, Janet Yellen, deixou claro que a votação na Europa contribuiu para a decisão.

Apesar do adiamento da alta de juros nos EUA, uma hora essa decisão terá que ser retomada e vai favorecer uma valorização do dólar em relação às outras moedas.

E agora ainda existe um fator de curto prazo – o Brexit –, que também poderá fortalecer a moeda americana.

“O dólar se valoriza com o Fed estruturalmente a médio e longo prazo, e se valoriza mais a curto prazo, se o Brexit se concretizar. Então o que parece é que, pela conjuntura externa, ou o dólar se valoriza ou ele se valoriza”, resume o Rodolfo.

E isso significa correr para comprar a moeda? Calma lá!

A ideia não é que você, um pequeno investidor, paute suas decisões de investimentos apenas nos eventos do dia a dia. Você precisa, antes de tudo, analisar o quão baratos os ativos estão.

O dólar, no caso, está um pouco barato, na visão da Empiricus, o que justifica ter certa exposição em seu portfólio.

Ao lado da moeda americana está o ouro, ativo conhecido pela proteção em momentos de aversão a risco, ou seja, quando os investidores ficam mais receosos.

A Carteira Empiricus inclusive voltou a mostrar recomendação de alocação em ouro neste mês, por meio de fundos e/ou contratos futuros.

Outro preocupado com a economia global, o megainvestidor George Soros também tem se refugiado no ouro. Então, vale a pena ficar de olho no metal.

E há um fator adicional: no mercado brasileiro, o preço do ouro é influenciado não só pelo comportamento do metal no cenário externo, mas pela taxa de câmbio. Se a perspectiva é de valorização do dólar e do ouro, faça as contas.

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Juros, nova turbulência à vista?

Também discuti com o Rodolfo como ficam as perspectivas para os juros brasileiros, isto é, se novas oportunidades vão surgir no Tesouro Direto, por exemplo.

Na visão do Rodolfo, ainda que o dólar se aprecie em relação ao real (o que traria mais inflação), o Banco Central não deve aumentar os juros tão cedo. Pelo contrário. O sinal continua de queda da Selic, só resta saber quando.

Essa expectativa, no entanto, não significa necessariamente que a curva de juros futuros, que baliza os preços e as taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto, não vá sofrer abalos.

Se essa curva abrir, ou seja, se as taxas dos títulos aumentarem, você poderá travar retornos maiores em seus investimentos.

“Se você encontrar juros acima de 6,5% ao ano, compre. Acima de 7%, compre muito!”, avisa o Rodolfo, em referência aos títulos públicos indexados à inflação. Atualmente, a maior taxa paga por esses títulos à venda no Tesouro Direto está em torno de 6,14% ao ano (mais a inflação).

 

Bolsa e a persistência das queridinhas

A bolsa também poderá sofrer abalos com o Brexit, mas o Rodolfo acredita que a janela de oportunidade não será tão grande.

Uma saída do Reino Unido seria um fator negativo para a bolsa, mas o espaço de queda é limitado. Além disso, quem mais vai sofrer são papéis ligados acommodities, que têm passado longe das preferências da Empiricus.

Isso quer dizer que oportunidades poderiam vir de ações de empresas mais estáveis, como as queridinhas Ambev, Cielo e Lojas Renner.

A chamada “turma da qualidade”, diz Rodolfo, que chama atenção para operações de long & short e de opções.

“E se tudo ficar barato de novo, abre mais uma janela. O Brexit pode proporcionar uma volta ao período pré-Delcídio, e não é para você ficar triste, é para reforçar suas posições”, avisa.

 

Guia rápido para entender o referendo

Brexit? Contração das palavras Britain e Exit que apelida a saída do Reino Unido da União Europeia.

Quando será a votação? 23 de junho.

O que será decidido? Se o Reino Unido vai permanecer ou sair da União Europeia.

Quem vota? Todos os países-membros do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte).

Quem faz parte da União Europeia? 28 países – Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.

O que as pesquisas indicam? A disputa está bastante apertada, mas cresceu a expectativa de que nada vai mudar após o referendo. Pesquisa realizada pelo YouGov, nos dias 16 e 17, e divulgada pelo jornal  The Sunday Times mostrou 44% de intenções pela permanência e 43%, pela saída. No levantamento anterior, os defensores da saída do bloco eram maioria.

 

Não perca o periscope na próxima quarta-feira (22), às 13h, com o consultor financeiro José Castro. Ele vai falar sobre a mais nova iniciativa do Criando Riqueza, a Série Bancos, na qual discutimos temas para ajudar você a se tornar mais vigilante com os bancos e usá-los cada vez mais a seu favor.

Um abraço,

Beatriz

 

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