Chega de mea-culpa

Supere o medo do risco e comece a remodelar seu portfólio. Aceitar uma participação maior de renda variável é o primeiro passo

Chega de mea-culpa

Já foram SEIS CORTES. Seis decisões seguidas desde outubro do ano passado. Começou com uma redução de 0,25 ponto percentual, depois o ritmo se intensificou para 0,75 ponto, para, então, alcançar um ponto percentual de queda. Mas muita gente ainda não entendeu que o patamar da renda fixa no Brasil mudou.

Os juros básicos já caíram de 14,25 por cento para 10,25 por cento ao ano, e devem atingir a casa de um dígito, em meio à expectativa de corte para 9,25 por cento nesta semana.

Esta será a MENOR TAXA EM QUATRO ANOS. Mas muita gente ainda não entendeu.

Sabe aquele apego ao rendimento de 1 por cento ao mês da renda fixa? Precisa ficar para trás.

E a atratividade de se especular no curto prazo com papéis prefixados ou atrelados à inflação? Está cada vez menor.

E a oferta ampla e disseminada de bons produtos bancários, com uma série de instituições oferecendo retornos tentadores para os padrões da renda fixa? Só tem diminuído, com um crescimento do número de produtos de emissores com riscos para lá de consideráveis.

Será que está claro que, se o seu objetivo é comprar e “sentar” na renda fixa, dependendo EXCLUSIVAMENTE dela para sua aposentadoria, está mais do que na hora de rever os seus conceitos?

Ainda há oportunidades de compra no Tesouro Direto? Sim, especialmente ao considerarmos um cenário de juros estruturalmente baixos no longo prazo, que é um incentivo para carregar os papéis nos níveis atuais de preços.

Dá para colocar uma parte do dinheiro em aplicações mais conservadoras, como CDBs, LCIs e LCAs? Sim, mas as opções estão cada vez menos rentáveis.

O ponto aqui é que não dá para ficar restrito à renda fixa.

É hora de deixar o medo de lado e aumentar a exposição ao risco se você quiser preservar seu rendimento futuro.

Que fique claro: na renda variável, não há garantias de retorno, e o próprio desempenho histórico da Bolsa brasileira contribuiu para o papel de destaque ocupado pela renda fixa no portfólio dos brasileiros.

Mas o cenário mudou. O ganho fácil com títulos públicos, CDBs, LCIs, LCAs e tantos outros produtos está ficando para trás.

Ter uma aplicação que renda 110 por cento do CDI pode não ser mais suficiente para você.

Com a Selic no patamar de 14,25 por cento ao ano em 2016, era possível esperar um retorno anual na faixa dos 15,7 por cento, garantindo um lucro líquido da ordem de 13 por cento ao ano, quando descontado um imposto de 15 por cento. E nem estamos descontando a inflação…

Já com a Selic a 8 por cento, conforme o esperado pelo mercado para o fim deste ano,  é mais recomendado pensar num retorno anual próximo de 7,5 por cento. É o suficiente para você?

Não há nada que se possa fazer sobre as escolhas passadas. Mas é seu dever revisar a alocação para o futuro.

Sei que nem todo mundo tem perfil (ou tempo) para operar diretamente na Bolsa, mas por que não começar, então, com o investimento em um fundo de ações ou multimercados, com valores a partir de 1 mil ou 5 mil reais?

Ou seguir as recomendações da equipe de fundos imobiliários da Empiricus, com uma aplicação gradual ao longo do tempo?

Como explicamos na primeira aula do Você Investidor, O Curso, a distribuição entre renda fixa e variável na sua carteira vai depender do seu perfil de investidor e da sua capacidade e disposição financeiras.

Quanto do seu dinheiro você está disposto a perder se tudo der errado?

Dá para se sentir confortável com 20, 30 ou 40 por cento do seu patrimônio aplicado em Bolsa?

O quão disposto você está para assumir mais riscos em troca de maiores ganhos?

Não é de hoje que estamos avisando que está mais do que na hora de você reestruturar sua carteira de investimentos. Tem alguém ouvindo aí?

Eu sigo por aqui, esperando pelas suas novidades ou então por um um mea-culpa, para novamente insistir na mudança da sua maneira de investir. Torço pelas boas-novas!

Um abraço.

Beatriz

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