Pagou, levou e não usou

Matricular-se na academia e não fazer exercício é igual a ter conta em corretora e não investir. O que você está esperando para agir?

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Pagou, levou e não usou

Não queria te contar isso, mas acho que as luzes espalhadas pela cidade, as grandes árvores rapidamente enfeitadas e a piora notória do trânsito têm deixado uma coisa muito clara: o Natal está chegando… Para ser exata, estamos a 34 dias da data mais festiva do ano, o que nos coloca a um pulo de 2018.

Tendo em vista a proximidade do novo ano, e a consequente pressão para fazer aquela retrospectiva do período atual, achei bastante simbólica a postura da Empiricus na última semana.

Em busca de nos estimular a entrar em forma, correndo atrás do “Projeto Verão”, nosso querido RH estabeleceu uma parceria para empurrar, digo, facilitar a ida de todo mundo para a academia.

Com uma oferta muito tentadora, o resultado não poderia ter sido outro: grande parte dos colaboradores foi atrás dos descontos para começar a malhar. O que me levou à seguinte dúvida: mesmo com o desconto supergeneroso concedido pela Empiricus, quantos funcionários de fato levarão a sério a vida atlética?

Até que ponto não tomamos atitudes embalados por amigos/colegas próximos ou só para ter a sensação de mudança, ainda que não estejamos saindo do lugar?

Recentemente, li uma entrevista com o criador do Grupo Bio Ritmo, na qual ele conta que a frequência média diária em suas academias é de 33%. Na prática, de 100 matriculados, apenas 33 alunos têm o hábito efetivo de aparecer (não sei se bem para malhar, mas pelo menos vão). E 67 pessoas pagam para não dar as caras.

Se você não se reconheceu nesse exemplo, tenho certeza de que pensou em algum amigo na hora. Aquele papo de que é preciso pagar e sentir pesar no bolso para realmente tomar vergonha na cara e levar a vida saudável a sério é a MAIOR BALELA!

E acredito que com os investimentos funcione da mesma forma.

Grande parte das pessoas acha o mundo econômico muito complicado, chato pra caramba e anos-luz distante de sua realidade, como se esse universo não fosse para elas. São poucos — sim, assinantes, vocês são uma minoria — aqueles que querem efetivamente aprender a investir. E que investem.

Nenhum dos meus amigos jamais quis receber uma aulinha gratuita sobre o tema. Todo mundo quer a dica quente do momento. E que seja fácil, hein?

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Quantas pessoas com conta em corretora de fato investem, por menor que seja a quantia?

Há alguns anos, o Tesouro Direto costumava divulgar apenas o número de investidores cadastrados no programa. Quando passou a mostrar o total de investidores ativos, ou seja, aqueles efetivamente com algum investimento, ficou clara a distinção.

Mesmo sendo o investimento mais acessível do Brasil, apenas 33% das pessoas cadastradas investem em títulos públicos pelo Tesouro Direto. Coincidência?

Afinal, será que a graça está em investir ou em contar para os amigos que têm conta em uma corretora como a XP? Ou será que dizer que assina nossos relatórios dá mais status, ainda que a pessoa não dedique meia hora de sua semana à leitura deles?

Mesmo com indicações objetivas do que fazer, com o Felipe apontando a fatia exata do patrimônio a ser investida em cada ativo na Carteira Empiricus, muita gente não se mexe.

Sinceramente, você pode argumentar como quiser, mas tudo não passa de desculpa. E a consequência clara é o desperdício de dinheiro para aprender sem nunca ter tido vontade de tentar.

Seja para ir à aula de pilates, seja para tirar o dinheiro do banco e aplicar, só basta vontade. E dinheiro, é claro. Nada além disso.

E aí, qual é a sua desculpa hoje?

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P.S.: Gostaria de aproveitar esta newsletter para mandar aquele abraço para o pessoal que formula as questões do Enem. Na prova da semana passada, tivemos uma pérola de questão de matemática, que simplesmente vinculava uma viagem de férias a um contexto de endividamento. Cabia aos alunos calcular o menor número de parcelas a pagar num empréstimo de determinado valor, “sem comprometer o orçamento”.

Sinto informar ao Ministério da Educação e a todos que fizeram a prova, mas, se você fez um empréstimo para viajar, seu orçamento já está estourado. Se não recomendamos fazer empréstimos para investir, é óbvio que também não consideramos razoável pagar juros para viajar para Buenos Aires, Paris ou para visitar a Disney. Lamentável!

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