Como ganhar dinheiro com o mundo em crise

Explicamos como o que acontece do outro lado do mundo nos afeta e ensinamos a proteger seu patrimônio

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Como ganhar dinheiro com o mundo em crise

Caro leitor,

Essa semana eu e a Camila estávamos tomando um café enquanto discutíamos a pauta desta sexta-feira. Ela contou que começou assistir uma série nova do Netflix, chamada Sense8.  “É uma série de ficção dramática. Oito pessoas descobrem que estão conectadas ao terem uma visão em comum. Na verdade, a série começa falando sobre a evolução e que esta envolve a criação de círculos maiores de empatia.”

Ela começou a contar e lembramos de alguns filmes que também têm como pano de fundo essas conexões globais, mostrando como tudo está ligado. Com a economia acontece exatamente a mesma coisa.

Lembrei-me também do livro O Mundo é Plano, em que Thomas Friedman explica a globalização e dá exemplos sobre como as economias globais estão conectadas. O texto já tem 10 anos, mas continua interessante para quem se interessa sobre o assunto.

Mesmo para quem não se interessa tanto nessas conexões, é importante começar a entender como a bolha no mercado de ações da China e essa confusão toda na Grécia podem respingar por aqui. Por mais que você custe a acreditar, tudo está conectado e esses assuntos têm, sim, relação com o seu bolso.

Hoje tomaremos o exemplo da bolha da China. Explicamos o que está acontecendo, como isso atinge o Brasil e como chega até você. Depois, mostramos como você deve proteger seu dinheiro.

A bolha na China

De forma simples, o que aconteceu na China foi o seguinte: o governo chinês andou suspendendo as operações da bolsa de valores. Dessa forma, impediu acionistas de venderem suas ações. Sem negócios, obviamente o preço não cai. É a maneira chinesa de proteger seu mercado de ações.

O governo está fazendo isso porque o mercado está ruim, e as ações, supervalorizadas, estão caindo.

Há no mercado financeiro uma forma de avaliar o preço de uma ação tomando por base os lucros da empresa. O nome disso é múltiplo P/L (P = preço e L = lucro). Para se ter uma ideia, hoje o principal índice da bolsa de valores brasileira tem um P/L de cerca de 12 vezes. Isso significa que o preço de uma ação é 12 vezes o lucro por ação. Nos EUA, o principal índice tem um P/L de 18 vezes. Sabe qual é o P/L da bolsa chinesa? Bem, está próximo de 100 vezes!

Explicando melhor…

Suponha uma ação de uma empresa X que custe R$ 10. Se a empresa X teve um lucro de R$ 500 milhões em um ano, fazemos assim: dividimos esse valor pelo volume de ações que a empresa tem para achar seu “lucro por ação”. Depois dividimos o preço atual da ação pelo lucro por ação. Por exemplo: R$ 10 / R$ 0,5 = 20. Então essa empresa tem o P/L de 20.

Seria, grosso modo, dizer que um comprador de ações chinesas teria retorno médio no seu investimento depois de 100 anos (!!).

Hoje, muita gente está vendendo ações e pouca gente está interessada em comprar. Assim, quem quiser vender tem que oferecer um pouquinho mais barato para conseguir atrair o comprador, certo? Então é natural a queda de preço.

É assim em quase tudo na vida, se você parar para pensar.

O resultado disso foi que em menos de um mês a soma de todas as ações no mercado chinês perdeu um terço de seu valor. Nada menos do que US$ 3,5 trilhões, diz a agência de notícias Bloomberg, o equivalente a todo mercado de ações da Índia.

O governo chinês começou então a impedir que grandes investidores – os que detêm mais de 5% de todas as ações de uma empresa – possam vender seus papéis.

O Felipe Miranda, que escreve Carteira Empiricus, vem chamando a atenção dos seus leitores para o estouro da bolha no mercado de ações chinês há um tempo. Em 1º de junho, quando Felipe falava sobre os temas críticos do momento da economia global, falou da situação da Grécia e mencionou também a situação da China como uma dificuldade adicional. Ele escreveu: “a formação de uma bolha de ações na China, com papéis de tecnologia negociando acima de 100x lucros – sabemos como esse tipo de história termina, e não é de uma forma bonita.”

Jovens chineses

Conto abaixo uma história curta que ajuda a explicar o quanto essa situação afeta o povo da China.

Como morei lá em 2007 e 2008, tenho amigos chineses que investiram grande parte de suas economias em ações. Entre eles há alguns que desde crianças abdicaram horas de lazer para estudar, ler e se prepararem para o mercado de trabalho e para ganhar dinheiro. Tenho uma grande amiga chinesa, Cui Y., que é um exemplo claro disso.

Dividimos apartamento por seis meses e, durante todo aquele período, ela acordava às 3h30 da manhã para preparar monitorias que dava na universidade. Mais do que nunca, na faculdade ela precisava se diferenciar dos milhões de alunos chineses. As monitorias rendiam um dinheirinho extra. Além disso, ela traduzia para o inglês os cardápios dos restaurantes da cidade, o que lhe rendia outra renda extra. De tempos em tempos, fazia trabalhos para consultorias financeiras de Xangai, para guardar mais dinheiro. Bom, mas a realidade é que uma parte do seu dinheiro ela investiu em ações – que hoje estão derretendo.

Não apenas ela, mas muitos outros jovens faziam o possível para  enriquecer. Generalizando, eu vejo um pouco os chineses como “gamblers” (jogadores) naturais. Isso se reflete, acredito, no tamanho da bolsa de valores chinesa. Acontece que, diferentemente da minha amiga, muitos dos investidores chineses parecem não ter ideia dos riscos que estão correndo.

Há um mês, quando comentava sobre a bolha chinesa em sua análise diária do mercado, o Rodolfo Amstalden, da Empiricus, disse aos seus leitores que “muitos desses investidores chineses (cerca de 6% da base de novas pessoas físicas) são classificados formalmente como iletrados. Outros 25% não possuem sequer ensino médio, quanto menos universitário.

Mas o que isso tem a ver com você?

Atravessando oceanos, os reflexos da atual situação do mercado acionário chinês afetam o Brasil de algumas formas. E afetam você por tabela.

Um exemplo de como isso chega até o seu bolso é o impacto da piora da economia chinesa no mercado global de minério de ferro. Você não consome minério de ferro diretamente, eu sei.  Vamos por partes:

O Brasil é um dos principais fornecedores da matéria-prima do aço para a China, ao lado da Austrália. Se a China cresce menos e compra menos minério, o preço cai no mercado global. Isso prejudica as receitas da mineradora brasileira Vale, que tem ações na bolsa de valores brasileira.

Se você tem ações da Vale, tende a ver suas ações valerem menos. Como a Vale tem um grande peso no Ibovespa, o índice sofre com a queda da empresa. Quem tem dinheiro em fundos que acompanham o Ibovespa, também perde.

Outro impacto indireto é o aumento do dólar. Sempre que países emergentes estremecem, quem tem dinheiro busca lugares que considera mais “seguros”. O dólar é um dos destinos prediletos. Com mais gente comprando dólar, seu preço sobe.

Isso aumenta os custos de tudo o que é produzido no Brasil e depende de itens importados. E ajuda a dar um empurrãozinho na inflação, afetando o seu bolso e, claro, seus planos de viajar ao exterior.

Como prever e se proteger disso tudo? 

O Felipe sugere aos seus leitores que uma parte de seu patrimônio esteja investida em dólares. E sugere que uma parte esteja em ouro. Ele dá ainda uma sugestão de ações de empresas para quem quiser investir na bolsa de valores brasileira. Sua carteira de investimentos passa por todas as categorias de aplicação e rende 163% do CDI (veja o box abaixo) em 2015, mais do que qualquer categoria de aplicação com perfil conservador no Brasil.

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Abraços,

 

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